O primeiro encontro entre os cinco candidatos que disputam uma vaga no Congresso Nacional por Franca decepcionou. Convidados pela Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) a discursar sobre temas específicos, a maioria dos deputáveis mostrou falta de propostas próprias. Nem mesmo o fato de terem sido avisados com antecedência sobre os temas abordados os ajudou a preparar um discurso convincente. A maioria preferiu apresentar à plateia de empresários cópias dos planos de governo de seus candidatos à presidência ou apenas leu folhas com respostas prontas, o que entediou quem assistia.
No encontro, organizado pela Campanha Voto Nosso da Acif, os cinco candidatos foram convidados a falar sobre carga tributária, leis trabalhistas e reforma política. Na dinâmica do evento, cada candidato teve cinco minutos para defender suas propostas sobre cada um dos temas. A ordem de fala foi escolhida por sorteio.
O primeiro tema abordado foi a carga tributária brasileira. Neste quesito, o primeiro a falar foi Cristiano Crico (PHS). Mais reclamou do que apresentou soluções. De concreto, defendeu a criação de um imposto único.
Em seguida, foi a vez de Doutor Ubiali (PSB). Deputado em exercício, tentou justificar a falta de avanços neste quesito. “Tentamos fazer uma ampla reforma. Mas, infelizmente, esbarramos no Executivo, que controla as atividades do Legislativo.” Ele leu parte das propostas de seu candidato à presidência, Eduardo Campos.
Adérmis Marini (PSDB) também se aproveitou do plano de governo de seu candidato a presidente, Aécio Neves, a quem teceu inúmeros elogios. Mas não se aprofundou.
Corrêa Neves Júnior (PV) abriu seu discurso alfinetando Ubiali. Disse discordar da visão de que quem comanda o Legislativo é o Executivo. “Isso só acontece quando os nossos representantes no Congresso são fracos. Um Congresso forte barra qualquer iniciativa do Executivo.”
Corrêa também reclamou do enorme volume de normas do sistema tributário brasileiro. São, segundo ele, cerca de 310 mil. E propôs a implantação do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), a simplificação das leis tributárias, a conversão das desonerações provisórias em definitivas, a redução dos encargos trabalhistas e, por fim, se comprometeu a votar contra qualquer projeto que crie mais impostos.
A última a tratar do assunto foi a Delegada Graciela (PP). Visivelmente desconfortável, apenas leu a resposta impressa em duas folhas sulfites. Disse defender a desoneração de investimentos e lutar para acabar com a morosidade na votação da reforma tributária.
O tema seguinte foram as leis trabalhistas. Desta vez, o primeiro a falar foi Ubiali, que aproveitou para rebater as alfinetadas de Corrêa Neves Jr. “Não é por falta de homens de coragem que as coisas no Congresso não andam. É porque somos governados por medidas provisórias. Além disso, não adianta gritar. Se não tiver a maioria, você não aprova nada.”
Sobre as leis trabalhistas mesmo, que eram o tema, Ubiali falou pouco. Disse que agora não é hora para uma reforma trabalhista e admitiu que o tema é “delicado”. “Fizemos várias pequenas mudanças. Hoje não há clima para reforma. Você não consegue as coisas brigando com o governo. Quem pensa isso é porque é inexperiente.”
Graciela foi sorteada em seguida. Mais uma vez, leu e pouco falou sobre leis trabalhistas ou direitos fundamentais dos trabalhadores. Se concentrou na necessidade de desoneração da folha de pagamento e defendeu a valorização dos sindicatos e das convenções coletivas.
Júnior falou depois. Usou parte do discurso para rebater Ubiali. “Quero mudança. Não estou desanimado nem desiludido. Para mim, o enfrentamento se faz necessário.” O candidato defendeu o uso dos mecanismos de arbitragem para resolver as questões trabalhistas. Também defendeu a legalidade de acordos firmados entre comissões de empregados e empregadores sem o aval dos sindicatos e se disse favorável à modernização das leis trabalhistas. “Flexibilizar não é acabar com direito. O que defendo é a adequação deles à vida moderna.”
Crico disse que a legislação trabalhista não acompanhou a evolução da sociedade e que precisa ser revista, mas não defendeu nenhuma proposta específica.
Adérmis usou seu tempo para defender a simplificação do sistema legal e também se disse a favor do uso da arbitragem.
O último tema foi a reforma política. Neste item, houve uma unanimidade. Todos disseram concordar com o voto distrital. Graciela foi a primeira a falar. Lendo uma “cola”, disse ser contra o financiamento público das campanhas eleitorais. “Não acho justo que a população pague mais essa conta.” E defendeu o fim das coligações.
Corrêa Neves Júnior disse que a reforma política é necessária. “O sistema hoje vigente é perverso e injusto, principalmente para os candidatos que ainda não são conhecidos ou que estão entrando para a política.” O candidato também disse ser contra o financiamento público de campanha. “Se ele for aprovado, será o assassinato da democracia.” Ainda defendeu o voto facultativo para implantação daqui a 12 anos, a revisão das coligações partidárias e a criação das candidaturas avulsas (sem partidos).
Ubiali disse que considera difícil a aprovação do financiamento público de campanha, defendeu a valorização das leis de iniciativa popular e o fim da reeleição.
Crico também defendeu o voto facultativo e as candidaturas avulsas. Sobre o financiamento público, disse que na prática ele já existe, mas de forma indireta por meio da concessão de exploração de TVs e rádios.
Por fim, Adérmis disse ser favorável ao fortalecimento dos partidos políticos e defendeu o voto distrital.
Em seguida, foram abertas as perguntas da plateia. Apenas uma sobre segurança pública foi feita, mas como os candidatos tiveram apenas um minuto para responder, a maioria não conseguiu discorrer sobre o assunto.
Ao final dos discursos, foi servido um coquetel. Ubiali, Crico, Adérmis e Corrêa Neves Júnior aproveitaram para conversar um pouco mais com os empresários. Graciela não ficou. Disse que um dos filhos estava doente e deixou a Acif.
Um novo encontro, desta vez com os candidatos a deputado estadual, está marcado para a próxima segunda-feira.
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