Cavalhadas: uma história antiga e com muita ação


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Vai começar amanhã e se estenderá até domingo a festa mais antiga de nossa cidade. Ela é conhecida como Cavalhadas da Franca. É só da Franca? Não. Ela acontece em muitas cidades brasileiras e em cada uma tem um jeito especial. Sua origem é a Península Ibérica, a região compreendida por Portugal e Espanha. Chegou aqui no Brasil pelas mãos dos portugueses. Em Franca ela foi apresentada a primeira vez em 1831, portanto há 179 anos! No Arquivo Histórico de Franca, museu onde se encontram documentos relacionados ao desenvolvimento de nossa cidade, há papéis que registram o nome do primeiro morador que organizou a primeira Cavalhada na Vila Franca do Imperador. Foi Hilário Dias Campos.


Cavalhadas - que festa é essa? É uma pergunta bem normal para uma criança se fazer. Então vamos começar dizendo que é uma história de muita ação e que se desenrola em três dias. Tem cavalos, corridas, lutas, mouros, cristãos e uma princesa. Como em toda história de ação, há dois lados que entram em conflito. Há uma moça bonita que disputa atenções. Há lutas menores e luta maior antes do final. Nas Cavalhadas lutam Mouros e Cristãos.


Para explicarmos quem eram Mouros e quem eram Cristãos, vamos contar o que acontecia na Península Ibérica (Portugal e Espanha) muito antes de o Brasil ser descoberto. A região era formada por uma população cristã, ou seja, defensora dos princípios de Cristo, o Cristianismo. Aí chegaram os Mouros, que vinham do norte da África e eram de uma outra religião, o Islamismo, ou seja, defensores de Maomé. Começaram a lutar, pois os Mouros queriam impor a sua religião aos cristãos. Esta luta durou séculos.


Um dia os Cristãos conseguiram expulsar os Mouros da Península Ibérica. Mas para não deixar a história ser esquecida, montaram um espetáculo para contar tudo de forma dramatizada. Como havia muitos cavalos na luta, chamaram à apresentação Cavalhada. Depois, quando portugueses e espanhóis descobriram a América, trouxeram para cá este verdadeiro teatro ao ar livre, bonito de se ver e importante para entender nossa história.


As Cavalhadas têm três partes, cada uma acontece num dia. Na véspera, há apresentações musicais com números regionais, tipo sertanejo; danças folclóricas; feira de artesanato. Tudo isso representa uma introdução ao que vem no sábado, quando ocorre a Cerimônia dos Encamisados. No dia seguinte temos as Corridas e Batalhas.


Na Cerimônia dos Encamisados, entram todos os participantes em campo, trajando roupas brancas. As luzes se apagam. Formam-se dois grupos - o dos Cristãos, que carregam uma bandeira com uma cruz desenhada; a dos Mouros, que carregam uma bandeira com outro desenho: meio sol e meia lua, símbolos do Islamismo. São os dois partidos que se apresentam ao público. Cada um deles tem o seu Mantena.


Mantena? O que será um Mantena? Vamos explicar. Mantena é o chefe de cada grupo. Os cristãos têm um; os mouros têm outro. Aparecem também outros personagens neste teatro ao ar livre: o imperador Carlos Magno, Rolando, Oliveiros, cristãos; Ferrabrás, o Sultão de Constantinopla, Floripes, mouros. Depois da apresentação, os chefes se insultam. Cristãos e Mouros saem a galope, cada um para o seu lado. Voltam a se enfrentar simulando ataque e defesa do templo ali erguido. Fecha-se assim a Cerimônia dos Encamisados no sábado.


No domingo acontecem as Corridas, para alguns a melhor parte. Há uma simulação de lutas dos cavaleiros que em determinado momento formam uma cruz dentro do campo. Depois formam um trevo de quatro folhas. Então a princesa dos Mouros, Floripes, é raptada por um soldado cristão. Novas lutas acontecem onde cavaleiros, de ambos os lados, mostram sua destreza formando um x no campo.


Como termina esta história? Com a libertação da princesa, que leva seu pai, o Sultão, a se converter ao Cristianismo. O Sultão aceita ser batizado. Em sinal de paz, tira as espadas dos soldados mouros e as entrega aos cristãos. O espetáculo se fecha com o Torneio de Cabecinhas e Argolinhas. É uma parte onde, todos em paz, mostram o que sabem fazer de melhor, com agilidade e destreza, mas sem rivalidade. Com lanças enfeitadas, cristãos e mouros desfilam para o público.

 

Serviço
Título do espetáculo:
Cavalhadas da Franca
Dias: 6, 7 e 8 de agosto
Onde: Parque Fernando Costa
Quanto custa: grátis

Programação
Sexta-feira - dia 6
10 horas: abertura
10 às 22 horas:
Apresentações musicais
20 às 22 horas: Grupo Cangoma/ Dança dos Velhos e Folclóricas
 
Sábado - dia 7
10 às 22 horas:
Feira de Artesanato
22 horas: Cavalhadas - Cerimônia dos Encamisados
 
Domingo - dia 8
9 às 13 horas: Congadas e
Folia de Reis
14 horas: Cavalhadas - Corridas e Batalhas

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