Há vida no cemitério

Rua Simão Caleiro, 1.450, no Centro de Franca. O endereço leva a um terreno com muros brancos e um portão de ferro diante da Praça Carlos Pacheco, onde fica o Cemité

23/05/2006 | Tempo de leitura: 2 min

Jacqueline Guimarães e Sérgio Santana, colegas de trabalho, costumam passear no cemitério durante a hora do almoço.
Jacqueline Guimarães e Sérgio Santana, colegas de trabalho, costumam passear no cemitério durante a hora do almoço.
Rua Simão Caleiro, 1.450, no Centro de Franca. O endereço leva a um terreno com muros brancos e um portão de ferro diante da Praça Carlos Pacheco, onde fica o Cemitério da Saudade. Lá dentro, cerca de cinco mil sepulturas abrigam quase cem mil cadáveres, esculturas de mármore, vasos de bronze, cruzes e inscrições religiosas. Magia, caveiras, macumba, mortos, assombrações e encontros góticos também são palavras que lembram esse local, mas por mais sombrio que possa ser, o Cemitério da Saudade também guarda curiosidades, histórias e uma movimentação que poucos conhecem. Em meio aos túmulos imponentes, vaidosos, pobres e humildes disputando espaço, estudantes “enforcam” aulas, casais combinam encontros, senhoras fazem suas orações e pessoas como a auxiliar de comércio Jacqueline Guimarães, 21, apreciam a datação dos jazigos, a estética e as flores. Afinal, ali estão as principais personalidades de Franca, as quais dão nome em ruas, avenidas e prédios públicos. “Como trabalho em uma floricultura, gosto de ver as coroas, os vasos e arranjos, além de apreciar as lápides”. Para Jacqueline, que visita os túmulos diariamente, a durabilidade de algumas flores no cemitério é o que mais a deixa intrigada. “Sei de uma orquídea branca dentro de uma capela que não morre. Faz cerca de quatros meses que ela está intacta”. Seu colega de trabalho, Sérgio Santana, que a acompanha na maioria das vezes, é outro admirador do cenário fúnebre e fala com conhecimento dos francanos mais conhecidos ali enterrados e considerados milagreiros. Um dos mais visitados é o de Maria Conceição, conhecido como túmulo da alma milagrosa. A jovem foi enterrada em 1893 e, pelo registro histórico, morta por ficar grávida do filho de um fazendeiro rico, que não reconheceu a gravidez e mandou matá-la. Sua história se espalhou e, não se sabe ao certo como, a crença de que poderia realizar milagres ganhou força. A lenda não se restringe a essa sepultura. Há ainda a de Alcina Helena e do garoto Jaime Corona Filho, que morreu com 4 anos no dia do aniversário dele e sempre ganha balas, flores e bombons dos visitantes. Pão e água também não faltam. Toda segunda-feira é celebrado o Dia das Almas e centenas de pessoas fazem seus pedidos e agradecimentos aos pés do cruzeiro, no corredor central, onde depositam velas, copos de água e pães. Para completar, há sombra fresca, ideal para um cochilo sobre um túmulo logo após o almoço, micos que se apóiam em uma tábua para comer bananas e diversas espécies de pássaros, que parecem se exibir para os visitantes. Moradores de ruas também são freqüentadores das dependências do cemitério. Assim, não é difícil encontrar um se banhando em um tanque ou um vaso de bronze.

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