A sequência de dias chuvosos em Campinas já fez outubro superar, ainda na primeira quinzena, o volume de precipitação esperado para o mês inteiro. Entre os dias 1º e 15, foram registrados 159,3 milímetros de chuva, segundo dados do Cepagri da Unicamp, um acumulado 36% acima da média climatológica de outubro, de 117,1 milímetros. Com os cerca de 10 milímetros registrados entre a madrugada e a manhã desta sexta-feira (16), o volume mensal já chega a aproximadamente 169 milímetros, 44% acima da média histórica, mesmo faltando duas semanas para o fim do mês.
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Os números confirmam uma sequência de chuvas intensas que vem marcando a chegada da primavera à região. Em apenas 16 dias, Campinas recebeu aproximadamente 52 milímetros a mais do que costuma registrar durante todo o mês de outubro. E o cenário não é isolado: este é o segundo mês consecutivo em que a chuva supera com folga os padrões climatológicos.
Em setembro, a situação foi ainda mais expressiva. Nos primeiros 15 dias, o volume de chuva já havia ultrapassado a média mensal de apenas 62 milímetros. O mês terminou com 310 milímetros acumulados, cinco vezes o volume normalmente esperado, tornando-se o mais chuvoso de 2026 até agora. O resultado representou um excedente de 400% em relação à referência climatológica.
Por que está chovendo tanto em Campinas?
Para entender a sequência de precipitações acima do normal, o Portal Sampi Campinas conversou com a pesquisadora e professora Ana Ávila, do Cepagri da Unicamp. Segundo ela, o comportamento do clima neste ano foge ao padrão habitual, com volumes elevados de chuva desde o inverno.
“Podemos dizer que estamos em um ano atípico. O inverno foi mais úmido e agora, na primavera, também. Cavados e frentes frias estão favorecendo chuvas intensas. O El Niño é um dos fatores que pode potencializar essas ocorrências”, explicou a pesquisadora.
Os cavados mencionados pela especialista são áreas alongadas de baixa pressão atmosférica que favorecem a formação de nuvens e instabilidades. Quando associados à passagem de frentes frias, podem contribuir para episódios de chuva mais persistente e intensa.
O fenômeno El Niño, por sua vez, está relacionado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode influenciar os padrões de circulação atmosférica e precipitação. A pesquisadora ressalta sua atuação como um dos fatores capazes de potencializar os episódios de chuva, e não como explicação única para o comportamento observado em Campinas.
Com setembro encerrado muito acima da média e outubro já acumulando mais chuva do que o esperado para seus 31 dias, Campinas chega à segunda metade do mês sob uma sequência de precipitações excepcionalmente elevadas. O volume final de outubro ainda dependerá das condições meteorológicas das próximas duas semanas.