PALÁDIO

Operação apura ligação de esquema financeiro com recursos do PCC

Por Thiago Rovêdo | Especial para Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Organização criminosa é investigada por atrair investidores com falsas aplicações em imóveis e agronegócio, além de movimentar recursos ligados ao tráfico; Polícia cumpre oito mandados de prisão.
Organização criminosa é investigada por atrair investidores com falsas aplicações em imóveis e agronegócio, além de movimentar recursos ligados ao tráfico; Polícia cumpre oito mandados de prisão.

Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com apoio da Polícia Militar, deflagrou nesta terça-feira (22) a Operação Paládio. O objetivo é desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudes milionárias envolvendo falsos investimentos financeiros e lavagem de dinheiro.

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Foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão preventiva, cumpridos em quatro estados. As diligências ocorrem em São Paulo, Campinas, Paulínia e Hortolândia, Monte Sião (MG), Cuiabá e Sinop (MT) e Teresina (PI).

Segundo as investigações, o grupo montou uma estrutura empresarial sofisticada para atrair investidores, oferecendo aplicações apresentadas como seguras e altamente rentáveis, supostamente vinculadas a empreendimentos imobiliários e do agronegócio.

A captação das vítimas era feita por meio de agências de intermediação de investimentos. Uma delas funcionava em Campinas, em um edifício empresarial de alto padrão, com escritórios equipados com aparato tecnológico e logístico que davam aparência de solidez e credibilidade às operações.

Os investigados também mantinham forte exposição em redes sociais e programas de televisão, divulgando o suposto sucesso de suas atividades. Aliada a um discurso persuasivo sobre segurança e rentabilidade, a estratégia levava investidores a aportar valores elevados nos produtos financeiros oferecidos.

Recursos não eram aplicados

De acordo com os elementos reunidos até o momento, os recursos não eram efetivamente aplicados nos investimentos anunciados. Em vez disso, eram apropriados pelo grupo, causando prejuízos às vítimas.

Para sustentar a fraude e retardar sua descoberta, a organização utilizava diversas pessoas jurídicas com denominações e apresentação semelhantes às de instituições do mercado financeiro. Essas empresas administravam as contas bancárias que recebiam os valores entregues pelas vítimas.

O grupo também controlava aplicativos que simulavam plataformas de instituições financeiras, nos quais os investidores visualizavam os valores supostamente aplicados e os rendimentos que acreditavam estar obtendo. Durante determinado período, chegava a pagar às vítimas quantias correspondentes aos rendimentos prometidos, reforçando a aparência de legitimidade das operações e dificultando a descoberta do esquema.

Segundo o Gaeco, todo esse aparato integrava uma estratégia para induzir e manter as vítimas em erro, fazendo-as acreditar que participavam de investimentos lícitos e seguros nos setores imobiliário e do agronegócio.

A investigação identificou ainda elementos que apontam para uma segunda finalidade da estrutura empresarial: a lavagem de recursos provenientes de outros crimes.

Há indícios de que empresas controladas pelo grupo eram usadas para movimentar e ocultar dinheiro supostamente oriundo de atividades criminosas, inclusive do tráfico de drogas praticado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Nesse contexto, os valores captados junto às vítimas das fraudes eram misturados a recursos de outras origens que transitavam pelas contas das empresas investigadas, dificultando a identificação e o rastreamento de valores provenientes de atividades ilícitas de outras organizações criminosas.

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