Um vídeo gravado durante a Bienal do Livro de São Paulo viralizou após uma adolescente classificar o “Diário de Anne Frank” como o pior livro que leu neste ano e afirmar que a autora “se vitimiza”.
A jovem foi entrevistada pela criadora de conteúdo "@jovemliaa", do TikTok, e citou “Além do Bem e do Mal”, de Friedrich Nietzsche, como sua melhor leitura. Ao explicar a escolha do diário como pior livro, fez a crítica a Anne Frank. A declaração gerou repercussão entre leitores e historiadores.
O Museu do Holocausto se manifestou sobre a fala e destacou o contexto em que o diário foi escrito. Segundo a instituição, Anne Frank era uma adolescente perseguida pelo regime nazista e seu relato reúne sentimentos como medo, raiva, tédio, conflitos familiares e vontade de viver.
O museu também afirmou que uma vítima não precisa apresentar ao leitor uma narrativa idealizada ou confortável sobre o sofrimento vivido.
O Instituto Brasil-Israel publicou o texto “Anne Frank na Bienal: a distância que uma opinião não percorre” sobre a repercussão do vídeo.
Para o historiador citado pela entidade, o problema não está em alguém não gostar de um livro, mas na justificativa apresentada pela jovem e na interpretação da expressão atribuída a Anne Frank.
A Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) também comentou o caso e destacou a diferença entre a experiência de Anne Frank, que viveu escondida durante a perseguição nazista por ser judia, e a interpretação de “vitimismo” feita décadas depois.
Com informações do SBT News.
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