A cassação de Vini Oliveira (Cidadania) por 23 votos a 5 abriu uma nova frente de confronto político na Câmara de Campinas. Depois de perder o mandato, Vini afirmou ter sido vítima de perseguição e disparou acusações contra adversários. A vereadora Mariana Conti (PSOL), autora da denúncia que deu origem à Comissão Processante, disse que “a hora chegou”, enquanto o relator Otto Alejandro (PL) classificou a reação do ex-vereador como “um ato de desespero”.
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Vini iniciou a entrevista após o julgamento afirmando que o resultado já era esperado. “Eu fui cassado, é algo que já se imaginava há muito tempo. Aliás, é uma perseguição política”, disse. Em seguida, repetiu a acusação de que Otto teria pedido R$ 1 milhão para produzir um relatório favorável à manutenção de seu mandato. “O meu relator pediu um milhão de reais para dar um relatório ao meu favor”, afirmou. Apesar de dizer que possui conversas, áudios e outros elementos, ele não apresentou publicamente essas provas naquele momento.
O ex-vereador ampliou os ataques e afirmou que a votação teria sido motivada por interesses políticos. “Essa votação foi uma votação política”, declarou. Também alegou que teria recebido sinais de que não seria cassado caso abandonasse sua candidatura eleitoral: “Abandona sua candidatura e você não é cassado”. Nenhuma comprovação dessa suposta negociação foi apresentada durante a entrevista.
“Tenho coisa de todo mundo”

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Em uma fala de tom ainda mais duro, Vini também acusou outros vereadores e afirmou possuir informações comprometedoras sobre integrantes da Câmara. “Eu tenho coisa de todo mundo aqui dentro. Eu tenho coisa de todo mundo”, disse. Questionado por que não havia formalizado essas denúncias antes, respondeu: “Eu não denunciei porque eu seria justamente cassado. Eu perderia meu mandato”.
Vini voltou a sustentar que teria sido retirado da Câmara por adversários que não aceitavam sua atuação política. “Eu fui cassado por políticos que infelizmente não me querem na política. Porque eles querem perpetuar no poder”, afirmou. Ao falar especificamente de Otto, repetiu que teria provas da acusação: “Eu tenho prova, eu tenho conversa, eu tenho áudio, eu tenho tudo”.
Quando questionado sobre a conduta que efetivamente levou à cassação — a atuação junto a uma empresa interessada na licitação do transporte coletivo — Vini não demonstrou arrependimento. “Tudo o que tiver de denúncia em relação ao transporte público da empresa atual, eu pegaria todas essas denúncias e protocolaria novamente”, afirmou.
Mariana: “A hora chegou”

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Do outro lado, Mariana Conti afirmou que a denúncia surgiu a partir dos vídeos que mostravam Vini dentro de uma empresa diretamente interessada na licitação. “Eu fui a denunciante. Eu fiz a denúncia com base na gravação dos vídeos que mostra o vereador Vini Oliveira dentro da empresa, que era diretamente interessada no processo de licitação do transporte público”, declarou.
Mariana sustentou que o uso da prerrogativa fiscalizatória naquela situação ultrapassava os limites do mandato. “O vereador não pode usar da sua prerrogativa fiscalizatória para atuar em conluio para favorecer a empresa do transporte”, disse. Em seguida, relacionou o episódio ao contexto de insatisfação com o transporte público e afirmou: “Por isso fiz a denúncia, que resultou hoje na cassação do vereador Vini Oliveira”.
A vereadora também adotou um tom duro ao avaliar o desfecho. “Pois bem, a hora chegou, o vereador foi cassado”, afirmou. Para Mariana, a decisão também foi resultado da repercussão pública dos vídeos e do debate travado durante a tramitação da CP. Ela destacou que decidiu divulgar o material integralmente depois que a defesa questionou sua validade.
Otto: “Ato de desespero”

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Relator da Comissão Processante, Otto Alejandro rebateu diretamente as acusações feitas por Vini após o julgamento. “Eu vejo como um ato de desespero dele”, afirmou. “É natural, ele teve mais de 11 mil votos, ele se perdeu no meio do caminho, é natural que ele tenha se desesperado.”
Otto também deixou claro que não pretende ignorar as acusações. “Eu ouvi tudo o que ele falou e o dever de quem acusa é provar”, disse. Na sequência, afirmou que pretende levar o caso à Justiça: “Ele vai responder judicialmente tudo o que ele falou”.
Questionado se havia conversado com Vini durante a tramitação da CP, Otto negou. “Nenhuma vez eu cheguei a falar com ele”, afirmou. Segundo o relator, houve tentativas de contato por intermédio de assessores, mas ele decidiu não estabelecer diálogo enquanto conduzia o processo. Também negou ter produzido duas versões do relatório: “Foi apenas um relatório onde a gente se baseou justamente na quebra de decoro”.
O fundamento da cassação
Ao resumir a conduta que, na visão da comissão, configurou quebra de decoro, Otto afirmou: “Ele não poderia ter ido num processo licitatório, ter pegado provas de um concorrente e ter denunciado o outro. Ele quebrou o decoro nessa hora”.
A interpretação foi a linha adotada no relatório aprovado pela Comissão Processante e depois submetido ao plenário. Vini, por sua vez, continuou sustentando que sua atuação estava dentro das prerrogativas de fiscalização e que voltaria a encaminhar as denúncias que recebeu.