POLÍTICA

Flávio Paradella: Dário tira duas antigas cobranças do papel

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 5 min
Divulgação/PMC
Reforma da 13 de Maio e climatização das escolas atacam problemas antigos que ganharam força após cobranças da população e da oposição.
Reforma da 13 de Maio e climatização das escolas atacam problemas antigos que ganharam força após cobranças da população e da oposição.

Duas ações importantes começaram efetivamente a sair do papel nesta semana em Campinas. Na segunda-feira (10), a Prefeitura iniciou a substituição do piso da Rua 13 de Maio. Um dia depois, começaram a ser instalados os primeiros dos 1,5 mil aparelhos de ar-condicionado previstos para as escolas municipais de ensino fundamental. São medidas necessárias e que atacam problemas reais da cidade. Mas é difícil classificá-las propriamente como iniciativas de antecipação do governo Dário Saadi (Republicanos). Nos dois casos, a administração está reagindo a cobranças que se acumularam durante muito tempo.

  • Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.

A situação da Rua 13 de Maio talvez seja o exemplo mais evidente. Principal corredor comercial do Centro, o calçadão chegou ao fim do ano passado em condições que contrastavam frontalmente com o discurso do quarto andar de revitalização da região central. Piso deteriorado, remendos e problemas de conservação já haviam praticamente se incorporado à paisagem. De tão antigo, o abandono começava perigosamente a ser tratado como normal por quem passava diariamente pelo local. Reportagens expuseram o cenário e aumentaram uma cobrança que comerciantes e frequentadores já conheciam havia anos.

Agora, finalmente, a intervenção começou. A Prefeitura vai investir R$ 1 milhão para trocar as placas de cimento por piso intertravado em aproximadamente 800 metros. A primeira etapa contempla cerca de 550 metros entre a Estação Cultura e a Rua Ernesto Kuhlmann e deve seguir até novembro. Depois haverá uma pausa para preservar o comércio durante Black Friday e Natal, com retomada prevista para 2027 no trecho restante até a Avenida Francisco Glicério. É uma obra bem-vinda, especialmente porque não fazia sentido defender a recuperação do Centro enquanto sua principal rua comercial continuava apresentando sinais tão evidentes de degradação.


Divulgação/PMC

A segunda iniciativa responde a uma pressão diferente, mas igualmente antiga. As sucessivas ondas de calor transformaram a climatização das escolas em uma necessidade cada vez mais difícil de ignorar. Alunos, professores e funcionários passaram a conviver com temperaturas extremamente elevadas dentro das unidades, e o tema ganhou também dimensão política. Em 2025, a oposição aumentou as cobranças sobre o governo e passou a apontar demora e suposta inércia da administração diante de um problema que interferia diretamente nas condições de aprendizado e trabalho.

Nesta terça-feira (11), começaram a ser instalados os aparelhos. São 1,5 mil equipamentos destinados às 42 escolas municipais de ensino fundamental, em um investimento previsto de R$ 4,8 milhões. A estimativa é beneficiar aproximadamente 21,7 mil alunos e profissionais, com climatização de salas de aula, laboratórios, bibliotecas e áreas administrativas. A primeira unidade contemplada foi a Emef/EJA Professora Maria de Fátima Faria Área, no Jardim das Bandeiras.

Também está prevista a substituição dos telhados de outras 50 escolas por estruturas com maior isolamento térmico e acústico. Segundo a administração, as novas coberturas poderão reduzir em até 6°C a sensação térmica nos ambientes. É uma adaptação que deixou de ser luxo há muito tempo. Com eventos extremos cada vez mais frequentes, preparar escolas para temperaturas elevadas passou a ser questão básica de infraestrutura.

Nos dois casos, portanto, cabe reconhecer o mérito da execução sem apagar a cronologia dos fatos. A Prefeitura está enfrentando dois problemas importantes, mas começou a agir de maneira mais contundente depois que eles já haviam se transformado em fontes de desgaste público e político. Isso não diminui a importância das soluções. Apenas mostra que, desta vez, a pressão ajudou a mover a máquina.

Governos também são avaliados pela capacidade de responder às demandas. E, nesse aspecto, é melhor uma resposta tardia do que a perpetuação dos problemas. O desafio para o quarto andar é fazer com que situações tão previsíveis não precisem atingir o estágio da indignação para finalmente ganhar prioridade. Revitalizar o Centro exige cuidar da 13 de Maio antes que seu piso vire símbolo de abandono. Adaptar escolas às mudanças climáticas exige planejamento antes que alunos e professores precisem suportar salas transformadas em verdadeiras estufas.

As duas obras começaram. É uma boa notícia. Mas também carregam uma lembrança incômoda para o governo Dário: em administração pública, antecipar problemas costuma ser muito mais eficiente — e muito menos desgastante — do que correr atrás deles depois que a cobrança já bateu à porta.

Rotatórias verdes


Divulgação/CMC

A Câmara de Campinas começou a analisar um projeto que cria diretrizes para a implantação de rotatórias verdes no município. A proposta é do vereador Permínio Monteiro (PSB).

O modelo combina a função viária das rotatórias com áreas ajardinadas e permeáveis, permitindo a infiltração da água da chuva e contribuindo para reduzir ilhas de calor e melhorar o paisagismo urbano.

Pelo texto, nenhuma rotatória poderá ser implantada sem estudo técnico prévio do órgão municipal responsável pelo trânsito.

A proposta também determina que os projetos respeitem o Código de Trânsito Brasileiro, as normas do Conselho Nacional de Trânsito e os atos da Secretaria Nacional de Trânsito relacionados à engenharia de tráfego, sinalização e controle de circulação.

Segundo Permínio, a intenção não é espalhar rotatórias indiscriminadamente pela cidade, mas permitir que esse tipo de solução seja adotado apenas em locais onde houver viabilidade técnica e ganho para a segurança viária.

O vereador argumenta que as rotatórias podem reduzir pontos de conflito entre veículos, diminuir a velocidade de circulação e melhorar a organização do tráfego, além de beneficiar pedestres e ciclistas.

Na parte ambiental, o projeto prevê que os espaços centrais possam receber vegetação e superfícies permeáveis, ajudando no escoamento da água da chuva, na redução do calor e na qualificação do espaço urbano.

A proposta ainda precisa passar pelas comissões permanentes da Câmara antes de chegar à votação em plenário.

  • Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br

Comentários

Comentários