A abertura do período de convenções partidárias marca oficialmente o início da reta que antecede as eleições de 2026. Mas, em Campinas, os reflexos desse calendário já começam a aparecer muito antes da campanha nas ruas. Eles devem ser sentidos, principalmente, dentro da Câmara Municipal.
- Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.
Dos 33 vereadores em exercício, cerca de 40% trabalham, em maior ou menor grau, com a expectativa de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados. É verdade que a lista definitiva ainda depende das convenções partidárias, que seguem até 5 de agosto, e das estratégias de cada legenda. Alguns nomes podem desistir, outros podem surgir de última hora. Mas o cenário já permite uma conclusão: o Legislativo campineiro se transformará, nos próximos meses, em uma grande vitrine eleitoral.
Isso muda completamente a dinâmica da Casa.
A Câmara é para ser palco de disputas locais. Buracos nas ruas, saúde, transporte, segurança, obras e problemas dos bairros deveriam dominar a pauta. Agora, esses temas dividirão ainda mais espaço com debates nacionais. Não por acaso, a polarização que domina Brasília tende a ocupar também a maior parte da tribuna campineira.
É um movimento quase inevitável. Quem pretende pedir votos para deputado precisa dialogar com um eleitor muito maior do que o de Campinas. Não basta mais falar apenas sobre uma praça, um posto de saúde ou uma avenida. É preciso marcar posição sobre temas que mobilizam o debate nacional, agradam as bases ideológicas e repercutem nas redes sociais. O discurso deixa de ser exclusivamente municipal e passa a conversar com o eleitor paulista — ou até com o eleitor que acompanha a política nacional diariamente.
A volta do recesso legislativo, portanto, promete uma Câmara mais polarizada. Discursos sobre governo Lula, Tarcísio de Freitas, Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional e disputas ideológicas devem ganhar cada vez mais espaço. Não porque esses assuntos tenham relação direta com a rotina administrativa de Campinas, mas porque fazem parte da construção política de quem pretende ampliar seu alcance eleitoral.
Há, evidentemente, um lado positivo nisso. A cidade passa a projetar lideranças para voos maiores, fortalecendo sua representação política no Estado e em Brasília. Campinas, pelo tamanho econômico e populacional que possui, naturalmente produz nomes interessados em ultrapassar as fronteiras da política municipal.
Mas existe também um efeito colateral. Quanto mais a tribuna se transforma em palanque, maior o risco de os problemas cotidianos da cidade perderem protagonismo. O eleitor que acompanha uma sessão da Câmara espera ouvir discussões sobre transporte, saúde, educação, zeladoria e fiscalização do Executivo. Em ano eleitoral, porém, essas pautas frequentemente cedem espaço para embates pensados muito mais para viralizar nas redes sociais do que para produzir resultados concretos.
Agora é esperar pelas convenções que dirão quem realmente estará na urna em outubro. Mas uma coisa já parece certa: a campanha eleitoral de 2026 começa muito antes da propaganda oficial. E, em Campinas, ela deve passar inevitavelmente pelo plenário da Câmara. Afinal, para quem sonha em trocar um mandato municipal por uma cadeira na Alesp ou na Câmara dos Deputados, dificilmente existe vitrine melhor do que a tribuna do Legislativo campineiro.
Campinas perde 8 mil eleitores

Agência Brasil
Campinas chegará às eleições de outubro com 8.043 eleitores a menos do que tinha no último pleito presidencial. O cadastro fechado pela Justiça Eleitoral mostra que 870.672 pessoas estão aptas a votar no município em 2026, contra 878.715 registradas quatro anos antes.
A redução de 0,92% muda uma trajetória que vinha sendo mantida desde 2010. Nas três eleições gerais anteriores, o município havia ampliado sucessivamente o número de cidadãos habilitados a comparecer às urnas.
O contraste é ainda maior quando os dois últimos intervalos são comparados. Entre 2018 e 2022, Campinas ganhou 29.588 eleitores, passando de 849.127 para 878.715 — avanço de aproximadamente 3,5%. Agora, parte desse crescimento foi revertida.
Entre os campineiros com título regular, 131.040 têm voto facultativo. Esse grupo representa cerca de 15% do eleitorado municipal e reúne jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e eleitores analfabetos. Para quem tem entre 18 e 70 anos e é alfabetizado, o comparecimento continua obrigatório.
A biometria alcança 80,99% dos eleitores da cidade. A ausência de digitais cadastradas ou atualizadas, no entanto, não impede a votação. Quem estiver em situação regular poderá comparecer normalmente à seção eleitoral e apresentar um documento oficial com foto. O TSE mantém painéis próprios para a consulta das estatísticas municipais e do perfil do eleitorado.
O movimento registrado em Campinas ocorre na direção contrária à tendência nacional. O Brasil terá 158.745.463 pessoas aptas a votar em 2026, acréscimo de 2.291.452 eleitores sobre o total contabilizado nas eleições de 2022.
A alta nacional foi de 1,46%. O cadastro eleitoral brasileiro também chegou ao pleito com aproximadamente 88% dos eleitores identificados biometricamente.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br