Um projeto de lei apresentado por seis deputados chilenos propõe que médicos ofereçam às mulheres a oportunidade de ouvir os batimentos cardíacos do embrião ou do feto antes da interrupção da gravidez nos casos permitidos pela legislação do país.
A proposta, denominada "Escuta eu coração", foi protocolada em 25 de junho e está em análise inicial no Congresso. O texto é assinado por parlamentares do Partido Nacional Libertário, do Partido Republicano, legenda do presidente José Antonio Kast, e por uma deputada da Renovação Nacional.
Desde 2017, o aborto é permitido no Chile em três situações: risco de vida para a gestante, inviabilidade fetal e gravidez resultante de estupro. O projeto prevê que, antes do procedimento, o médico informe se há atividade cardíaca detectável, conforme a idade gestacional, e ofereça verbalmente à paciente a possibilidade de ouvir os batimentos com os recursos técnicos disponíveis. A mulher poderá recusar a oferta, e a decisão deverá ser registrada no prontuário.
A iniciativa segue medidas semelhantes adotadas em outros países. Na Hungria, uma norma em vigor desde 2022 exige que gestantes recebam informações sobre os sinais vitais do feto antes do aborto. Propostas semelhantes também surgiram na Espanha e no Brasil.
O projeto recebeu críticas de opositores. A ex-ministra da Mulher e Equidade de Gênero Antonia Orellana classificou a proposta como uma "crueldade legislativa" e afirmou que a medida impõe sofrimento adicional a mulheres que enfrentam gravidez por estupro, inviabilidade fetal ou risco à própria vida.
Já o deputado Cristóbal Urruticoechea, um dos autores da proposta, criticou a legislação que autorizou o aborto nas três hipóteses e defendeu novas iniciativas para restringir a prática.
Com informações do El País.