POLÍTICA

Flávio Paradella: Sucessão de Dário começa a ganhar vitrine

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Entrevistas de Guilherme Campos e Carlos Sampaio mostram que, mesmo ainda distante, a sucessão de Dário Saadi já co.meça a movimentar o cenário político.
Entrevistas de Guilherme Campos e Carlos Sampaio mostram que, mesmo ainda distante, a sucessão de Dário Saadi já co.meça a movimentar o cenário político.

Ainda faltam mais de dois anos para a eleição municipal de 2028, mas a sucessão do prefeito Dário Saadi (Republicanos) já começa a deixar o campo das conversas reservadas para ocupar espaço nas entrevistas e nos bastidores. Nesta semana, dois nomes conhecidos da política campineira, ambos atualmente no PSD, admitiram que enxergam a Prefeitura de Campinas como um projeto possível.

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O primeiro a se colocar nessa vitrine foi o ex-vice-prefeito e ex-deputado federal Guilherme Campos, atual secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária. Fora das urnas neste ano, ele afirmou, em entrevista ao jornal Correio Popular, que considera disputar a Prefeitura em 2028 e defendeu a existência de espaço para uma candidatura que rompa com a trajetória do grupo que administra Campinas há quatro mandatos consecutivos.

Na sequência, o deputado federal Carlos Sampaio também admitiu a possibilidade de voltar a concorrer ao Executivo campineiro, desde que haja um entendimento com Dário Saadi. A declaração ao portal G1 Campinas marca uma mudança importante de discurso. Durante anos, Sampaio repetiu que tinha vocação para o Legislativo e afastava qualquer possibilidade de disputar novamente a Prefeitura. Agora, pela primeira vez em muito tempo, deixou essa porta aberta.

Sampaio já tentou chegar ao Palácio dos Jequitibás em três oportunidades. Foi derrotado em 2000 por Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, e perdeu as eleições de 2004 e 2008 para Hélio de Oliveira Santos. Desde então, nunca mais concorreu ao principal cargo político da cidade. Guilherme Campos, por sua vez, foi vice-prefeito na primeira gestão de Hélio, deixou o posto após ser eleito deputado federal em 2006 e conquistou a reeleição em 2010, mas não voltou a ter sucesso nas urnas depois da derrota de 2014.

As duas entrevistas têm um significado que vai além das pretensões individuais. Elas mostram que as peças começam a se apresentar, como políticos expostos em uma vitrine à espera das condições adequadas para entrar no jogo. Ainda não há campanha, alianças consolidadas ou candidaturas definidas, mas os interessados já procuram ocupar espaço antes que outros o façam.

Existe uma razão objetiva para essa movimentação antecipada: Dário Saadi ainda não possui um sucessor claramente identificado como seu candidato natural. O vice-prefeito Wandão, apesar dos cinco anos e meio ao lado de Saadi, é um personagem política e historicamente muito mais ligado ao ex-prefeito e atual deputado federal Jonas Donizette. Além disso, Wandão pertence ao PSB, assume posições de esquerda e não esconde essa identidade política.

Dário, por outro lado, coloca-se no campo da centro-direita, tem PT e PSOL como seus principais adversários locais e já protagonizou embates públicos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Portanto, o espaço político deixado pela impossibilidade de sua reeleição está principalmente no espectro da direita e da centro-direita. É exatamente nesse território que Guilherme Campos e, sobretudo, Carlos Sampaio começam a se posicionar.

Sampaio carrega uma trajetória histórica no antigo PSDB e construiu sua imagem nacional como um dos principais opositores do PT no Congresso. Guilherme apresenta um perfil distinto: é um político de centro, pragmático e alinhado ao comportamento do PSD presidido por Gilberto Kassab, partido capaz de participar de governos de diferentes orientações ideológicas. Não por acaso, Campos ocupa atualmente um cargo no governo Lula.

Entre os dois, Carlos Sampaio parece hoje alguns passos à frente nesse campo político, mas ainda terá de passar por um teste decisivo nas urnas em outubro. Uma nova eleição para a Câmara dos Deputados, desta vez pelo PSD, poderia parecer apenas a repetição de uma trajetória já conhecida, mas consolidaria seu capital eleitoral e sua condição de possível candidato em 2028. Uma derrota, no entanto, teria o efeito oposto: espalharia as peças sobre o tabuleiro e obrigaria o partido a recalcular completamente seus caminhos.

Ainda é cedo, evidentemente. Até 2028 haverá uma eleição geral, mudanças de alianças, desgastes administrativos e o surgimento de outros interessados. Mas as entrevistas desta semana revelam que a sucessão de Dário já começou, mesmo que de maneira discreta. Guilherme Campos abriu a vitrine. Carlos Sampaio entrou logo depois. Agora, resta saber quais outros nomes também decidirão se expor.

  • Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br

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