CAIXA PRETA

Defesa usa Ricardo Molina na Comissão Processante de Vini

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMC
Vereador sustenta que vídeos usados como base foram editados e manipulados; Relator Otto Alejandro apresenta parecer nesta quinta e comissão decide se denúncia contra Vini Oliveira avança.
Vereador sustenta que vídeos usados como base foram editados e manipulados; Relator Otto Alejandro apresenta parecer nesta quinta e comissão decide se denúncia contra Vini Oliveira avança.

Comissão Processante que apura a conduta do vereador Vini Oliveira (Cidadania) se reúne nesta quinta-feira (2), às 11h30, na sala Thomás Moro, a Sala VIP da Câmara de Campinas, para decidir se a denúncia contra o parlamentar seguirá para a fase de produção de provas ou se será arquivada.

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O encontro foi convocado pelo presidente da CP, Paulo Haddad (PSD), e terá como principal ponto a apresentação do relatório do vereador Otto Alejandro (PL), relator do processo. Caberá a ele indicar se a apuração deve prosseguir ou se a denúncia, apresentada pela vereadora Mariana Conti (PSOL), deve ser arquivada.

A reunião ocorre dois dias depois de Vini Oliveira protocolar sua defesa prévia na Câmara. O documento foi apresentado terça-feira (30) e é assinado pelos advogados Haroldo Cardella e Luciano Stringeti Silva de Almeida.

Na defesa, o vereador sustenta que os vídeos usados como base para a denúncia foram editados e manipulados. A peça inclui um parecer técnico do perito Ricardo Molina, conhecido pela atuação no caso da morte de PC Farias, na década de 1990. Segundo a defesa, Molina concluiu que as gravações não seriam originais nem autênticas.

Os advogados afirmam ainda que o material teria sofrido cortes, efeitos artificiais e aplicação de máscaras de desfoque, o que, na avaliação da defesa, comprometeria a validade das imagens como prova. A defesa também sustenta que os envelopes recebidos por Vini de uma empresa ligada à licitação do transporte coletivo continham apenas documentos e que não há registro de dinheiro nas gravações.


Reprodução

Desde o início da repercussão do caso, Vini nega irregularidades e afirma que os materiais retirados da empresa seriam documentos e mídias digitais relacionados à fiscalização do processo, posteriormente encaminhados ao Ministério Público.

O caso eclodiu após a divulgação de imagens de Vini Oliveira na sede da Smile Transportes, em Paulínia, empresa ligada ao grupo vencedor do lote Norte da licitação do transporte público de Campinas. Nos vídeos, o vereador aparece deixando o local com uma caixa preta, envelopes e outros materiais, em um episódio que se tornou um dos pontos centrais da crise política envolvendo a concorrência do transporte coletivo.

Além da apuração na Câmara, Vini Oliveira também foi alvo de busca e apreensão da Polícia Civil em desdobramento das investigações. A medida ampliou a pressão sobre o parlamentar e deu ao caso uma dimensão que ultrapassa o embate político no Legislativo.

A Comissão Processante é formada por Paulo Haddad, presidente; Otto Alejandro, relator; e Dr. Yanko (PP), membro. O colegiado foi constituído pelo Ato da Presidência nº 45/2026, dentro do Protocolo nº 394/2026 da Câmara Municipal de Campinas.

A decisão desta quinta-feira é uma etapa importante do rito. Se a CP entender pelo prosseguimento da denúncia, será aberta a fase de instrução probatória, com coleta de provas, análise de documentos e eventual oitiva de testemunhas. Nesse caso, não há necessidade de votação em plenário para a continuidade dos trabalhos.

Se a comissão optar pelo arquivamento, a decisão ainda terá de ser submetida ao plenário da Câmara. O arquivamento só será efetivo se for aprovado pelos vereadores.

A CP tem prazo total de 90 dias para concluir os trabalhos, contados a partir de 17 de junho, dia seguinte à notificação do parlamentar. Caso o processo avance, o relatório final poderá recomendar ou não a cassação de Vini Oliveira e deverá ser votado em uma Reunião de Julgamento até 15 de setembro de 2026.

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