COLUNISTA

Solenidade de São Pedro e São Paulo: testemunhas da fé

Por Dom Caetano Ferrari |
| Tempo de leitura: 3 min
Bispo Emérito de Bauru

Neste domingo, a Igreja celebra a Solenidade de São Pedro e São Paulo, os dois grandes pilares da fé cristã. Embora diferentes em personalidade, história e missão, ambos deram a vida por Jesus Cristo e testemunharam com coragem o Evangelho até o martírio.

Pedro nasceu em Betsaida, na Galileia (cf. Jo 1,44). Era pescador e foi chamado por Jesus para ser pescador de homens (cf. Mt 4,18-19). Depois da ressurreição, tornou-se a principal referência da comunidade cristã nascente. Segundo a antiga tradição da Igreja, morreu mártir em Roma, durante a perseguição do imperador Nero, por volta do ano 64. Sentindo-se indigno de morrer como seu Mestre, teria sido crucificado de cabeça para baixo.

A primeira leitura (At 12,1-11) apresenta Pedro preso por ordem do rei Herodes. Depois de mandar matar Tiago, irmão de João, Herodes também encarcerou Pedro, mantendo-o sob forte vigilância (At 12,1-4). Enquanto o Apóstolo estava na prisão, "a Igreja rezava continuamente a Deus por ele". (At 12,5). Na noite anterior ao julgamento, o Senhor enviou um anjo para libertá-lo milagrosamente: as correntes caíram de suas mãos e as portas da prisão se abriram (At 12,7-10). Ao final, Pedro reconhece a ação de Deus: "Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar". (At 12,11). Essa passagem recorda que a Igreja nasce e cresce sustentada pela oração. Quando os discípulos rezam unidos, Deus fortalece seus servos e os conduz mesmo em meio às perseguições.

No Evangelho (Mt 16,13-19), encontramos um dos momentos mais importantes da vida de Pedro. Em Cesareia de Filipe, Jesus pergunta aos discípulos: "E vós, quem dizeis que eu sou?". (Mt 16,15). Em nome de todos, Simão responde: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo". (Mt 16,16). Então Jesus lhe confia uma missão única: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja". (Mt 16,18). E acrescenta: "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus". (Mt 16,19).

Paulo nasceu em Tarso, na Cilícia, importante cidade do mundo romano. (cf. At 22,3). Inicialmente perseguidor dos cristãos, converteu-se após o encontro com Cristo no caminho de Damasco. (cf. At 9,1-19). Tornou-se o grande missionário dos povos e levou a Boa-Nova a inúmeras regiões do Império Romano. Também morreu mártir em Roma, provavelmente entre os anos 64 e 67. Por ser cidadão romano, não foi crucificado, mas decapitado.

A segunda leitura (2Tm 4,6-8.17-18) nos apresenta o testemunho emocionante de São Paulo. Preso e próximo da morte, ele escreve: "Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé". (2Tm 4,7). Sua vida foi inteiramente consumida pelo anúncio do Evangelho. Mesmo diante das dificuldades, reconhece: "O Senhor esteve a meu lado e me deu forças". (2Tm 4,17). E proclama sua confiança: "O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste". (2Tm 4,18).

Pedro e Paulo nos ensinam que a santidade não depende da perfeição humana. Pedro experimentou a fraqueza da negação; Paulo conheceu o erro da perseguição. Ambos, porém, deixaram-se transformar pela graça de Deus e se tornaram instrumentos extraordinários da evangelização.

Nesta solenidade, lembramos também do Óbolo de São Pedro, uma coleta destinada a apoiar a missão do Santo Padre e suas obras de caridade em favor dos mais necessitados ao redor do mundo. Trata-se de um gesto concreto de comunhão com o sucessor de Pedro e de participação na missão universal da Igreja.

Que São Pedro nos alcance uma fé firme na divindade de Cristo e que São Paulo nos inspire a perseverar até o fim, para que também possamos dizer um dia: "Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé". (2Tm 4,7).

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