O mercado imobiliário de Bauru vive um momento de transformação impulsionado pela crescente procura por casas de perfil econômico, uma tendência no Interior do Estado. Dados da Pesquisa do Mercado Imobiliário de Bauru, elaborada pelo Secovi-SP em parceria com a Brain Inteligência Estratégica e apresentados na última semana pela diretoria regional da entidade, mostram que o segmento horizontal passou a desempenhar papel de destaque no setor e deve consolidar sua expansão nos próximos anos.
Diante da relevância deste movimento, que ganhou tração no contexto de pós-pandemia, o estudo passou a monitorar o mercado horizontal formado por casas construídas dentro de empreendimentos residenciais lançados por construtoras. Os números revelam uma mudança importante no comportamento do mercado: em 2025, foram lançadas 1.097 unidades horizontais, volume superior ao registrado pelo segmento vertical, que contabilizou 1.010 apartamentos lançados no mesmo período.
O desempenho das vendas acompanhou essa tendência. Ao longo do ano, foram comercializadas 1.045 casas e 1.096 apartamentos, movimentando, juntos, R$ 789 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV).
Segundo a pesquisa, a principal força motriz desse fenômeno está no segmento econômico, enquadrado no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Em Bauru, uma casa desse perfil possui preço médio de R$ 230 mil, área construída de aproximadamente 44 metros quadrados e valor médio de R$ 5,2 mil por metro quadrado. Já os apartamentos econômicos apresentam metragem semelhante, em torno de 43 metros quadrados, mas custam, em média, R$ 240 mil, com valor de R$ 5,6 mil por metro quadrado.
Embora a diferença pareça pequena, ela é significativa para o público atendido por essa faixa de mercado. Além da vantagem financeira, o modelo horizontal oferece características valorizadas pelos compradores, como quintal privativo, possibilidade de ampliação futura do imóvel, maior liberdade para personalização e ausência de taxa condominial.
"O interiorano tem vontade de morar em casa. Durante muitos anos, a demanda foi atendida principalmente pelo mercado vertical. Quando esse interesse crescente passou a ser identificado, os empreendedores começaram a desenvolver produtos adequados a essa realidade", destaca Bruno Pegorin Netto, diretor regional do Secovi-SP em Bauru.
Ele explica que, embora geralmente sejam instalados em regiões mais afastadas do Centro, devido à necessidade de grandes áreas e à viabilidade econômica dos projetos, esses bairros costumam registrar rápida consolidação de comércio e serviços em seu entorno. "São empreendimentos implantados em grande escala, com centenas de unidades de uma só vez. Isso acelera a ocupação e estimula o desenvolvimento da infraestrutura local", observa.
A expansão desse segmento, contudo, não significa o enfraquecimento do mercado de apartamentos, mas sim uma diversificação da oferta imobiliária. O mercado vertical seguiu aquecido no primeiro trimestre de 2026, especialmente pelo consumo de estoque. No período, foram vendidas 327 unidades verticais, mais que o dobro das 152 comercializadas de janeiro a março de 2025. Do total, 209 unidades pertencem aos segmentos médio e alto padrão e 118 ao MCMV.
No trimestre, foram negociadas 395 unidades entre apartamentos e casas, gerando R$ 155 milhões em vendas. O resultado foi impulsionado principalmente pelo escoamento de empreendimentos já disponíveis no mercado, uma vez que houve mais unidades verticais vendidas do que lançadas. Vale destacar que todos os imóveis novos disponibilizados no mercado no período — 133 unidades — estavam enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida.