A aprovação da moção que pede ao Governo do Estado a implantação de uma Etec no prédio da antiga Fundação CASA Jequitibá, no Jardim São Vicente, é mais do que um gesto político. É uma tentativa de mudar o significado de um espaço que hoje carrega abandono, estigma e insegurança. Um prédio que por anos esteve associado a uma imagem pejorativa pode, se houver sensibilidade do Estado, passar a representar formação, oportunidade e futuro.
- Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.
A proposta do vereador Ailton da Farmácia (PSB) toca em um ponto importante da cidade: o destino de equipamentos públicos abandonados em regiões que já convivem com carências históricas. Não se trata apenas de ocupar um imóvel. Trata-se de quebrar um ciclo. Onde antes havia marca de internação, tensão e exclusão, pode nascer uma instituição de ensino técnico capaz de abrir portas para jovens da região sul de Campinas.
A macrorregião reúne cerca de 260 mil habitantes, segundo a justificativa do parlamentar, e atende bairros como Jardim São Vicente, Jardim São Gabriel, Vila Georgina, Jardim Amazonas, Jardim Von Zuben, Jardim São Pedro, Jardim Samambaia, Jardim Esmeraldina, Jardim Carlos Lourenço, Jardim dos Oliveiras, Jardim Centenário, Jardim Tamoio e Vila Lemos. É uma área populosa, extensa e que precisa de equipamentos públicos capazes de dialogar com juventude, emprego e qualificação profissional.
Por isso, a ideia de uma Etec faz sentido simbólico e prático. Educação técnica é uma das formas mais diretas de aproximar jovens do mercado de trabalho, especialmente em regiões onde a ausência de oportunidades empurra muitos talentos para a informalidade, para deslocamentos longos ou para a simples desistência. Uma unidade desse porte poderia atender não apenas estudantes, mas também famílias inteiras que enxergam na formação profissional uma chance concreta de mobilidade social.
O prédio, hoje abandonado, também se tornou problema urbano. Moradores relatam acúmulo de lixo, falta de conservação e sensação de insegurança no entorno. Ações pontuais de limpeza ajudam, mas não resolvem a questão central: sem uma destinação definitiva, o imóvel continuará sendo um vazio no meio da comunidade. E vazios públicos, quando ignorados, costumam degradar não apenas a paisagem, mas a relação da população com o próprio território.
A moção agora segue para o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vahan Agopyan, com pedido para que o tema seja avaliado em conjunto com a Prefeitura de Campinas. Também há solicitação de reunião com representantes dos moradores, o município e o Governo do Estado. Esse diálogo será essencial para medir viabilidade técnica, custos e adaptações necessárias.
Mas a mensagem política já está dada. A região sul não quer apenas que o prédio deixe de incomodar. Quer que ele passe a servir.
Transformar a antiga Fundação CASA em uma escola técnica seria uma resposta concreta a uma demanda antiga e uma forma poderosa de ressignificar o espaço. Campinas tem muitos prédios que contam histórias difíceis. Alguns seguem abandonados. Outros esperam uma nova função. Neste caso, a escolha parece evidente: onde houve estigma, pode haver esperança.
De Campinas a Minas

Arquivo Pessoal
O campineiro Pedro Santos vai assumir uma das missões mais relevantes de sua trajetória profissional: comandar a comunicação da campanha de Alexandre Kalil (PDT) ao governo de Minas Gerais. O contrato foi fechado nesta semana e coloca o marqueteiro em uma disputa de grande peso nacional, em um dos estados mais estratégicos do país e em uma eleição que deve ter forte impacto no tabuleiro político de 2026.
Pedro Santos não chega a esse posto por acaso. Ele faz parte de uma nova geração de profissionais da comunicação política, com passagem por campanhas no Brasil e no exterior. Em 2024, comandou a comunicação da campanha de Pedro Tourinho (PT) à Prefeitura de Campinas, experiência que consolidou ainda mais sua atuação no cenário político regional. Antes disso, integrou equipes em disputas nacionais e internacionais, incluindo campanhas no Peru, na Argentina e na Bolívia, além da corrida de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.
Para quem acompanhou sua trajetória desde cedo, a notícia tem um sabor especial. Conheci Pedro ainda garoto, quando ele dava seus primeiros passos como repórter de campo na Rádio Brasil, em Campinas. Depois, trabalhamos juntos na CBN Campinas. Ver, agora de longe, essa evolução profissional é também acompanhar a história de alguém que saiu da reportagem local para ocupar espaços importantes na engrenagem da comunicação política latino-americana.
A escolha de Pedro por Kalil também indica o tipo de campanha que o ex-prefeito de Belo Horizonte pretende construir: visualmente forte, direta e com linguagem popular. Segundo aliados, a indicação passou por Chico Mendes, marqueteiro que atuou na pré-campanha de Kalil em 2022.
O desafio, claro, será grande. Minas Gerais é um território complexo, diverso e politicamente decisivo. Fazer comunicação para Kalil exige traduzir personalidade, força popular, confronto político e capacidade administrativa em uma narrativa eficiente. É campanha para gente grande. Boa sorte, garoto.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.