MAIO AMARELO

Uma morte no trânsito a cada três dias em Campinas

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMC
Boletim da Emdec mostra queda nas mortes em 2025, mas motociclistas, pedestres e jovens seguem entre as principais vítimas.
Boletim da Emdec mostra queda nas mortes em 2025, mas motociclistas, pedestres e jovens seguem entre as principais vítimas.

Campinas registrou 142 mortes no trânsito em 2025, segundo dados apresentados pela Emdec durante o lançamento virtual do Maio Amarelo 2026, nesta terça-feira, 5 de maio. O número representa queda de 5,3% em relação a 2024, quando foram contabilizados 150 óbitos em vias urbanas e rodovias do município.

  • Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.

Do total registrado no ano passado, 74 mortes ocorreram em vias urbanas e 68 em rodovias. Na prática, os dados indicam que Campinas teve uma morte no trânsito a cada três dias em 2025.

O levantamento também mostra que motociclistas e pedestres continuam concentrando a maior parte das vítimas. Foram 72 mortes de motociclistas ou garupas, o equivalente a 50,7% do total. Já os pedestres somaram 45 óbitos, ou 31,7% dos casos.

Outra leitura dos números ajuda a dimensionar o problema: em 2025, Campinas registrou um motociclista ou garupa morto a cada cinco dias e um pedestre morto a cada oito dias.

Entre os ocupantes de outros veículos, houve 20 mortes, queda de 35% em relação ao ano anterior. Também foi registrada redução entre ciclistas, com cinco óbitos, número 37% menor do que o verificado em 2024.

O perfil das vítimas revela uma forte predominância masculina. Dos 142 mortos no trânsito, 120 eram homens, o que representa 85% do total. As mulheres foram 22 vítimas, ou 15%.

Entre os motociclistas mortos, a presença masculina foi ainda mais alta: 90% das vítimas eram homens. No caso dos pedestres, eles também foram maioria, com 76% dos óbitos.

Os jovens aparecem como outro ponto de atenção. A faixa etária de 18 a 29 anos liderou os registros, com 41 mortes, o equivalente a 29% do total. Dentro desse grupo, 32 vítimas eram motociclistas ou garupas, ou seja, 78% dos jovens mortos estavam em motos.

A taxa de mortes no trânsito em Campinas também caiu. Em 2025, o índice foi de 11,95 óbitos a cada 100 mil habitantes, contra 12,65 em 2024. A redução ocorreu mesmo com o aumento da frota, que passou de 992,5 mil veículos licenciados em 2024 para mais de 1 milhão em 2025.

A Avenida John Boyd Dunlop, historicamente marcada por acidentes graves, teve redução nos registros. Foram quatro mortes em 2025, contra sete em 2024, uma queda de 43%. No recorte entre 2021 e 2025, a diminuição acumulada chegou a 69%.

Entre os fatores de risco, a velocidade aparece como o principal problema. O excesso ou a velocidade inadequada esteve relacionado a 50 mortes em 2025. A direção sob efeito de álcool aparece logo depois, associada a 45 óbitos. Em 18 casos fatais, os dois fatores foram identificados juntos.

Os dados preliminares de 2026 indicam nova queda no primeiro trimestre. Entre janeiro e março, Campinas registrou 15 mortes em vias urbanas e rodovias, contra 25 no mesmo período de 2025, redução de 40%. Nas vias urbanas, a queda foi de 63%, passando de 16 para seis mortes.

Os números fazem parte do Boletim de Vítimas Fatais no Trânsito 2025, elaborado pela Emdec em parceria com a Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global. A metodologia considera mortes ocorridas em até 30 dias após o acidente.

O Maio Amarelo 2026 tem como tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas” e busca chamar atenção para a segurança viária, a redução de mortes e a convivência entre motoristas, motociclistas, pedestres e ciclistas.

Comentários

Comentários