POLÍTICA

Flávio Paradella: O nebuloso caminho da licitação dos transportes

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 6 min
Reprodução/FPX Cast
“Não sei o que vai acontecer”, diz presidente da EMDEC; Licitação bilionária de ônibus trava após questionamentos do TCE e está sob a mira da Polícia Civil.
“Não sei o que vai acontecer”, diz presidente da EMDEC; Licitação bilionária de ônibus trava após questionamentos do TCE e está sob a mira da Polícia Civil.

O processo bilionário da nova concessão do transporte público de Campinas entrou em uma zona de incerteza. Depois de anos de discussão, o leilão foi realizado na B3 (Bolsa de Valores), com um contrato estimado em mais de R$ 11 bilhões e a promessa de transformar o sistema de ônibus da cidade. No entanto, o que parecia um passo definitivo agora está travado.

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O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo determinou que a Prefeitura não homologue a licitação até que sejam esclarecidas suspeitas sobre a formação dos consórcios, incluindo possíveis ligações entre empresas que deveriam concorrer entre si.

A licitação foi dividida em dois lotes. O Lote Norte, que atende regiões como Norte, Oeste e Noroeste, ficou com o Consórcio Grande Campinas. Já o Lote Sul, que engloba áreas como Leste, Sul e Sudoeste, foi vencido pela Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda.

O Tribunal aponta compartilhamento de estruturas, endereços, contatos e vínculos societários entre empresas. A análise técnica também identificou cadeias de conexões indiretas, com indícios de participação cruzada e administração comum, o que levanta dúvidas sobre a independência das propostas.

Em entrevista ao FPX Cast/PodConecta, o presidente da EMDEC, Vinícius Riverete, afirmou que foi surpreendido pela decisão e descartou falhas no edital. “Nós fomos surpreendidos com essa decisão do Tribunal de Contas do Estado. Eu tenho certeza, plena convicção, que não houve falha alguma do poder público”, disse.

Além disso, o caso tem outra frente de apuração. A Polícia Civil investiga possíveis irregularidades envolvendo uma das empresas vencedoras, com foco na estrutura societária.

Foram realizadas diligências, incluindo análise de capacidade técnica, revisão de planilhas financeiras e verificação de endereços. Também houve apurações conduzidas pela própria B3, com foco na composição do capital social das empresas.

Por causa do sigilo, Riverete evitou detalhar, mas confirmou a investigação. “Nós recebemos uma denúncia, mas está sendo averiguada. Uma denúncia sobre as empresas e sobre alguns fatos, e no momento oportuno isso vai ser, com certeza, divulgado. A gente está sob essa análise. Chegou um documento da Polícia Civil pedindo para a gente fazer as averiguações”, afirmou.

Enquanto isso, a licitação segue na fase de análise documental e trâmites burocráticos. Paralelamente, os contratos atuais do sistema de transporte continuam prorrogados para que não haja a paralisação do atendimento, mas estes são alvo constante de críticas da população.

No momento mais sensível da entrevista, o presidente da EMDEC admitiu incerteza sobre o desfecho. “Eu sinceramente não sei o que vai acontecer. Eu tenho ainda expectativa que as coisas vão dar certo. Nós avançamos muito para chegar até aqui e a população quer é andar em ônibus cumprindo o horário, chegando no seu destino, saindo do seu destino no horário, chegando no seu destino no horário e com conforto. Agora eu sinceramente não sei”, concluiu.

Assista a entrevista:

Alvo de operação, ex-assessor de Jonas deixa cargo


Reprodução/Redes Sociais

Mateus Rosa Tognella foi exonerado do cargo de secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico e Promoção Social de Nova Odessa, conforme publicação no Diário Oficial desta quarta-feira (29). Ele pediu a saída do Executivo em meio à investigação da Polícia Civil sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em prefeituras paulistas.

“Decidi me afastar da vida pública para que sejam devidamente apuradas as denúncias das quais fui alvo na última segunda-feira, 27 de abril, e para que minha inocência seja comprovada. Há 16 anos dedico-me à vida pública, pautando minha conduta e minhas ações pelos princípios da ética e da responsabilidade”, escreveu Tognella, em publicação nas redes sociais.

O nome do agora ex-secretário aparece entre os alvos da Operação Contaminatio, que apura a tentativa de infiltração de um “núcleo político” da facção em estruturas públicas. A investigação também colocou Campinas no radar, com indícios de movimentação política entre 2015 e 2017, durante a gestão do ex-prefeito e Deputado Federal Jonas Donizette (PSB), do qual Tognella foi assessor na prefeitura e no atual mandato no Congresso.

“Aqueles que me conhecem sabem que sou um homem de bem, que preza pelos valores cristãos e pelo zelo à minha família e amigos. Jamais praticaria atos ilícitos que pudessem desonrar minha trajetória ou ferir meus princípios fundamentais”, afirmou Tognella.

Mateus Rosa Tognella teve passagem pela Prefeitura de Campinas entre 2013 e 2021, atuando como assessor técnico no gabinete do prefeito e, depois, como coordenador na Secretaria de Educação.

A apuração aponta ainda que o ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula (PSD) teria atuado em Campinas buscando aproximação com agentes públicos, além de apresentar projetos ligados a uma fintech e articular propostas políticas.

A Operação Contaminatio foi deflagrada na última segunda-feira (27) e resultou na prisão de seis investigados, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em diversas cidades. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos.

De acordo com a investigação, o grupo estruturava mecanismos para acessar recursos públicos, incluindo a criação de uma fintech que poderia operar serviços financeiros de prefeituras, como emissão de boletos e gestão de receitas.

Em Campinas, não há indicação de que a articulação tenha sido efetivada, embora a cidade tenha sido alvo de diligências, incluindo mandado cumprido na região da Vila Brandina.

Em nota, o deputado federal Jonas Donizette afirmou que Tognella não integra mais sua equipe e que a investigação não tem relação com seu mandato.

A defesa de Mateus Rosa Tognella informou que ele foi apenas mencionado na investigação, sem qualquer acusação formal ou indiciamento até o momento, e reforçou a confiança no esclarecimento dos fatos.

A Prefeitura de Campinas reiterou que a operação não tem relação com a atual gestão e informou que o ex-assessor deixou o governo municipal ainda no início de 2021, sem vínculo desde então.

A investigação é desdobramento da Operação Decurio, de 2024, e segue em andamento.

As árvores da Praça do Coco


Reprodução/Instagram Praça do Coco

Moradores de Campinas protestaram na manhã desta quarta-feira contra a retirada de árvores na Praça do Coco, em Barão Geraldo. O ato foi motivado pela extração de espécies realizada pela Prefeitura, considerada pelos manifestantes como irregular. A intervenção começou na semana passada e gerou reação de frequentadores do espaço, que criticam a falta de comunicação prévia sobre os trabalhos.

A vereadora Paolla Miguel, do PT, fez um duro discurso contra os cortes das árvores da praça e cobrou do governo Dário Saadi explicações e um plano de reflorestamento. “Campinas já foi a cidade do interior mais arborizada do Brasil e, nesse momento, a gente vê como essa destruição faz com que a gente tenha dificuldade até mesmo de acessar os espaços públicos. A Praça do Coco era um local tradicionalmente conhecido pela sombra. Por você conseguir vir na feira, socializar, ficar com as crianças. E aí você tem a destruição de uma árvore para que o caminhão consiga entrar para destruir outras árvores”, disse a parlamentar.

Em nota, a Prefeitura informou que a retirada envolveu duas árvores e foi feita com base em laudos técnicos, que apontaram risco devido às condições das copas e das raízes. Segundo o município, também houve poda de galhos secos em outras árvores próximas ao playground e ao palco da praça.

Ainda de acordo com a administração, a medida teve como objetivo garantir a segurança dos frequentadores, já que as árvores estavam localizadas sobre áreas de circulação, incluindo o espaço infantil. Durante a operação, uma floreira foi atingida e será reconstruída. A Prefeitura informou ainda que fará manutenção no playground e o replantio de árvores da espécie jequitibá-rosa no local.

A Secretaria de Serviços Públicos afirmou que já havia recebido solicitações de usuários da praça pedindo providências.

  • Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.

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