OPERAÇÃO POLICIAL

Polícia desarticula 'núcleo político' do PCC em prefeituras

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação/Governo de SP
Ação mira grupo que atuava em prefeituras da Grande São Paulo e Litoral paulista; Polícia Civil fez diligências em endereço de Campinas.
Ação mira grupo que atuava em prefeituras da Grande São Paulo e Litoral paulista; Polícia Civil fez diligências em endereço de Campinas.

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo mobilizou agentes em diversas cidades do país nesta segunda-feira (27) para desarticular uma organização ligada a facção criminosa Primeiro Comando da Capital suspeita de lavar dinheiro do tráfico e tentar se infiltrar em prefeituras da Grande São Paulo e Litoral paulista.

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Batizada de Operação Contaminatio, a ação resultou na prisão de seis integrantes do grupo, além do cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão e do bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos ligados aos investigados.

Entre os alvos da operação está Campinas, onde foram realizadas diligências, As investigações são conduzidas pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes e tiveram origem a partir de desdobramentos da Operação Decurio, realizada em 2024. A análise de dispositivos eletrônicos e dados financeiros revelou um sistema estruturado de movimentação de recursos ilícitos, com ramificações além do tráfico de drogas.

Segundo a polícia, o grupo teria criado um “núcleo político” para acessar recursos públicos e ampliar suas atividades. Entre as estratégias identificadas estão tentativas de influenciar eleições e o financiamento de candidaturas alinhadas aos interesses da organização.

Outro ponto investigado é a criação de uma fintech por integrantes do esquema, que poderia ser usada para operar serviços financeiros de prefeituras, como emissão de boletos e gestão de receitas — mecanismo que permitiria dar aparência legal ao dinheiro de origem criminosa.

A apuração também aponta o envolvimento de pessoas ligadas a administrações municipais, incluindo uma servidora comissionada com conexão direta com membros da organização. Ao todo, ao menos seis pessoas foram identificadas, algumas com atuação em regiões como Baixada Santista, ABC Paulista, Campinas e Ribeirão Preto.

Apesar disso, segundo a Polícia Civil, nenhum dos investigados possui mandato eletivo ou foro privilegiado.

De acordo com o delegado responsável pela investigação, o esquema era sofisticado. “O que se apurou foi uma estrutura que buscava não apenas lucrar com atividades ilícitas, mas também se infiltrar no poder público para potencializar esses ganhos”, afirmou.

A operação segue em andamento e novas diligências não estão descartadas.

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