A rejeição do projeto que tentava liberar rodeios em Campinas ganhou forte repercussão entre entidades de proteção animal e, na prática, encerrou o debate no Legislativo pelos próximos anos. O presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal, Flávio Lamas, acompanhou a votação e classificou o desfecho como um marco para a cidade.
- Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.
A proposta foi arquivada nesta quarta-feira (22) pela Câmara Municipal de Campinas após rejeição unânime na Comissão de Constituição e Legalidade (Constileg). Com o parecer negativo, o projeto foi enterrado sem sequer ser analisado pelo plenário, encerrando sua tramitação.
Nas redes sociais, Lamas destacou o peso da decisão. “Uma decisão firme que representa respeito aos animais e compromisso com políticas públicas mais conscientes”, afirmou. Na mesma postagem, resumiu o sentimento das entidades ao classificar o resultado como “vitória da causa animal”.
O presidente do conselho também fez questão de reconhecer nominalmente os vereadores que votaram pelo arquivamento: Nelson Hossri (PSD), Mariana Conti (PSOL), Felipe Marchesi (PSB), Otto Alejandro (PL), Wagner Romão (PT), Roberto Alves (Republicanos) e Hebert Ganem (Podemos).
O projeto, apresentado em 2024 pelo vereador Arnaldo Salvetti (MDB), previa a liberação de rodeios, leilões, feiras agropecuárias e provas equestres, com a revogação da legislação municipal que proíbe esse tipo de evento desde 2003 — posteriormente reforçada pelo Estatuto de Proteção Animal de 2017.
A proposta chegou à comissão já com parecer contrário e acabou barrada diante de questionamentos jurídicos, decisões recentes do Judiciário e a atuação do Ministério Público, que abriu inquérito civil para analisar a legalidade da medida. O cenário jurídico desfavorável foi determinante para consolidar o entendimento unânime entre os parlamentares.
Além do impacto imediato, a decisão tem um efeito político relevante: com o arquivamento na Constileg, uma proposta com o mesmo teor não poderá ser reapresentada nesta legislatura. Na prática, o tema só poderá voltar oficialmente à pauta da Câmara a partir de 2029, com a formação de um novo Legislativo após as eleições municipais de 2028.
O desfecho reforça um histórico de resistência à retomada dos rodeios em Campinas. Ao longo das últimas duas décadas, diferentes iniciativas tentaram flexibilizar a proibição, mas esbarraram em barreiras legais e na mobilização de entidades de defesa animal.
Com a decisão desta semana, permanece em vigor a proibição de eventos com uso de animais no município, consolidando o entendimento de que a legislação local segue alinhada a políticas de proteção e bem-estar animal.
Para o Conselho de Defesa Animal, o resultado não apenas mantém a lei, mas também sinaliza um posicionamento institucional claro da cidade sobre o tema, ao menos até o próximo ciclo político.
Principal defensor e entusiasta, o vereador Arnaldo Salvetti ainda não veio a público, ao menos até agora nas redes sociais, para comentar o revés do projeto que era a sua principal bandeira política.
Sumiço de cisne vira meme

Reprodução/Redes Sociais
O desaparecimento do cisne da Lagoa do Taquaral colocou Campinas diante de um daqueles episódios que misturam incredulidade, dúvida e, claro, uma boa dose de ironia. A Prefeitura registrou boletim de ocorrência por possível furto, mas a própria administração também trabalha com a hipótese de fuga. E é justamente esse “duplo caminho” que torna a história ainda mais estranha.
Porque, convenhamos, não é exatamente simples furtar um cisne. Trata-se de um animal de porte considerável, em um dos parques mais movimentados da cidade, com circulação constante de pessoas, funcionários e vigilância. O caso pode ter ocorrido durante a noite, mas, de qualquer maneira, a pergunta é inevitável: como alguém conseguiria capturar a ave e sair do local sem chamar atenção?
Mas a alternativa também não ajuda muito a esclarecer. A hipótese de fuga parece igualmente improvável. O Taquaral é um enorme espaço delimitado, cercado por uma região altamente urbanizada, com ruas movimentadas, comércio e residências. O cenário de um cisne simplesmente “batendo asas e indo embora” soa tão improvável quanto o de um furto silencioso.
Diante disso, a situação rapidamente escapou do campo da apuração e ganhou as redes sociais. E aí, como sempre, a internet fez o que sabe fazer. Nasceram os memes do “Cisne Vida Loka”, com a ave supostamente circulando pela cidade, pegando ônibus, passeando em shopping e até fazendo compras no Mercadão. É o humor tentando dar conta de um episódio que, na prática, segue sem explicação.

Reprodução/Redes Sociais
Mas, para quem acompanha a cidade há mais tempo, o caso traz um déjà vu curioso. Este colunista não conseguiu evitar a lembrança de um episódio ocorrido no início dos anos 2010, no Bosque dos Jequitibás. Na época, após uma forte chuva, um galho caiu no recinto de uma loba-guará, que acabou fugindo. O parque foi fechado por dias para buscas intensas, com direito a uma verdadeira “operação de caça” acompanhada de perto pela imprensa. O desfecho? A loba nunca mais foi encontrada.
Agora, anos depois, Campinas revive um mistério parecido — desta vez com um cisne que vivia no Taquaral desde 2016 e era o único da espécie nos parques da cidade. O valor estimado do animal, que pode chegar a R$ 15 mil, adiciona mais um elemento à investigação, reforçando a possibilidade de crime.
Mesmo com buscas realizadas por equipes da Prefeitura, o paradeiro do animal segue desconhecido. E enquanto a Polícia Civil tenta entender o que aconteceu, a cidade acompanha entre o espanto e o deboche.
Porque, no fim das contas, a dúvida permanece: foi furto ou fuga?
E, seja qual for a resposta, uma coisa já é certa: Campinas ganhou mais um daqueles casos que parecem roteiro de ficção — mas são bem reais.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.