O prefeito de Campinas, Dário Saadi, utilizou as redes sociais para defender a prorrogação dos contratos do transporte público coletivo, aprovada pela Câmara Municipal em segunda e definitiva votação na última quarta-feira.
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Em vídeo publicado, o chefe do Executivo afirmou que a medida é necessária para evitar a interrupção do serviço enquanto as novas empresas, vencedoras da licitação realizada em março, se preparam para assumir o sistema. Segundo ele, o prazo adicional garante uma transição segura e evita que a população fique sem ônibus.
“Sem essa prorrogação nós não teríamos tempo de fazer essa transição. Corremos o risco de interromper o sistema de transporte em Campinas e prejudicar milhares de pessoas”, indicou o prefeito ao justificar a decisão.
Na mesma publicação, Dário também adotou um tom mais duro ao comentar a repercussão do tema. Sem citar nomes, ele afirmou que há pessoas espalhando “mentiras” sobre o processo, em referência às críticas feitas à prorrogação dos contratos.
“Essa prorrogação temporária é o tempo que os vencedores da licitação precisam para começar a operar o sistema de transporte. É claro que muita gente aproveita momentos de transição como esse para espalhar mentiras, mas eu estou aqui para fazer o contrário”, afirmou.
A declaração ocorre em meio a um cenário de forte debate político e insatisfação com o sistema, frequentemente alvo de reclamações por parte dos usuários.
A proposta foi aprovada por 23 vereadores entre os 32 presentes em plenário, autorizando a extensão dos contratos atuais por até dois anos — prazo menor que o inicialmente previsto, que era de até três anos.
O texto mantém as condições vigentes da operação, incluindo exigências de frota, itinerários e padrões de serviço. Também estabelece uma cláusula de encerramento automático, que determina o fim da prorrogação assim que as novas empresas assumirem o sistema.
A prorrogação está diretamente ligada à implantação do novo modelo de transporte, que deve substituir o atual sistema. De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas, o processo de transição pode levar entre 11 e 14 meses, envolvendo etapas técnicas, jurídicas e operacionais.
O novo sistema será dividido em dois lotes: o Consórcio Grande Campinas ficará responsável pelas regiões Norte e Noroeste, enquanto a Sancetur assumirá áreas como Sul e Leste.
Apesar da aprovação definitiva, o tema segue gerando discussão. Durante a tramitação, vereadores chegaram a propor prazos menores de prorrogação, como um ano ou até seis meses, mas as alternativas não avançaram.
A decisão ocorre em meio à pressão para evitar qualquer risco de paralisação em um serviço considerado essencial e que atende milhares de passageiros diariamente, em um sistema frequentemente criticado pela população.
Vini expõe embates, critica transporte e cobra prefeito

Reprodução/FPX Cast
O vereador Vini Oliveira (Cidadania) utilizou o espaço do FPX Cast / PodConecta para fazer um dos relatos mais completos desde o início do mandato. Em uma conversa marcada por críticas diretas, justificativas políticas e exposição de bastidores, o parlamentar abordou o histórico de três pedidos de Comissão Processante, a relação praticamente inexistente com o prefeito Dário Saadi e a ofensiva recente contra o sistema de transporte público de Campinas, tema que tem dominado sua atuação nas últimas semanas.
A entrevista ganha relevância em um momento em que o vereador volta ao centro do debate político após o arquivamento mais recente de um pedido de investigação na Câmara. Para Vini, o episódio reforça a leitura de que há incompreensão — ou resistência — ao seu estilo de atuação. “Graças a Deus, a Câmara entende o exercício da fiscalização, os vereadores entenderam o exercício, o meu jeito de fiscalizar”, afirmou, ao comentar a decisão do plenário. Na sequência, ele deixa claro que não pretende mudar a forma de agir. “Cada um tem seu jeito de fazer as coisas... eu tenho o meu, então eu continuo fazendo as coisas do meu jeito”, disse, ao contextualizar que sua atuação segue uma linha mais incisiva e de exposição pública.
Ao tratar das três comissões processantes que já enfrentou desde o início do mandato, o vereador reforça a tese de que sua atuação está dentro das prerrogativas legais da função. Para ele, eventuais questionamentos sobre limites devem ser analisados fora do ambiente político. “Se existe, em algum momento, na visão de alguém a extrapolação de algum limite, que seja na Justiça e não dentro da Câmara, onde eu tenho a imunidade parlamentar”, declarou, em referência ao direito de manifestação no exercício do cargo. A fala sinaliza não apenas uma defesa jurídica, mas também uma postura política de enfrentamento, que tem marcado sua trajetória recente no Legislativo.
Esse posicionamento, segundo o próprio vereador, acaba refletindo diretamente na relação com o Executivo — ou na ausência dela. Durante a entrevista, Vini expôs o próprio cenário na dinâmica política local: a falta de diálogo com o chefe do governo municipal. “Eu nunca tive uma conversa com o prefeito, não sei como é o quarto andar”, afirmou, ao descrever a distância institucional. Ele relata que a ausência de interlocução compromete sua capacidade de resposta à população. “Eu preciso que o prefeito atenda. Se o prefeito não me recebe, se o prefeito não atende, eu não consigo entregar pra população”, disse, associando a crítica à dificuldade de avançar com demandas apresentadas por meio de requerimentos e indicações.
O vereador ainda detalha que os poucos contatos ocorreram de maneira superficial, sem desdobramentos práticos. “Eu nunca fui recebido pelo prefeito no quarto andar, não sei nem como é a sala dele”, reforçou, ao defender que a relação entre Executivo e Legislativo deveria ser mais aberta, inclusive para o debate de críticas e sugestões.
Se a relação institucional aparece como um dos pontos de tensão, é no tema do transporte público que o tom da entrevista se torna mais contundente. Vini tem adotado uma postura de enfrentamento direto ao modelo atual e votou contra a prorrogação dos contratos, decisão que ele justifica a partir do cenário observado nas ruas. “Você sai nas ruas e você vê o transporte... ônibus sucateados, pontos que não estão em boas condições. Pra onde está indo essa arrecadação?”, questionou, ao levantar dúvidas sobre a qualidade do serviço prestado.
Ao longo da fala, o vereador amplia o argumento ao descrever o impacto cotidiano enfrentado pelos usuários. “As pessoas entram nos ônibus e não sabem se vão sair vivas dali... o ônibus quebra, chega atrasado, é um completo absurdo o transporte público de Campinas hoje, dói no povo”, afirmou, em um dos trechos mais enfáticos da entrevista. A narrativa construída por ele busca conectar o debate técnico à realidade de quem depende do sistema, especialmente nas regiões mais afastadas da cidade.
Essa linha de argumentação sustenta, segundo Vini, sua posição contrária à extensão dos contratos. Para o parlamentar, a decisão política precisa refletir a situação vivida pela população. “Eu devo trabalhar em prol da população e devo enxergar a dor do povo e ser contra essa prorrogação”, declarou, ao justificar o voto.
A entrevista também revela um momento de transição no próprio discurso do vereador. Ao mesmo tempo em que reconhece o histórico de polêmicas e embates, ele sinaliza um processo de amadurecimento político, sem abrir mão da postura polêmica e bélica que o levou ao cargo. Nesse cenário, Vini se mantém como uma das vozes mais dissonantes dentro da Câmara de Campinas, acumulando desgaste político, visibilidade e protagonismo em pautas sensíveis.
Com três pedidos de Comissão Processante já protocolados — e nenhum resultando em punição até o momento —, o vereador segue navegando em um ambiente de tensão constante e projeta sua atuação para os próximos movimentos políticos, ainda indefinidos, já com o olhar voltado para 2026.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.