A secretária de Desenvolvimento Econômico de Campinas e presidente do PSD na cidade, Adriana Flosi, afirmou que a desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, da disputa presidencial de 2026 não altera a estratégia do partido, que segue estruturado para lançar um nome competitivo.
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Durante entrevista ao FPX Cast / PodConecta, Flosi classificou a decisão como parte de um processo interno. “Olha, dentro do PSD não aconteceu absolutamente nada, além daquilo que a gente já vinha trabalhando”, afirmou.
Segundo ela, o partido mantém nomes viáveis para a disputa, como Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, e busca se posicionar fora da polarização. “O PSD tem candidato. E que o nosso candidato não é a terceira via, é a melhor via. Porque eu acho que o país merece sair dessa polarização”, disse.
Flosi também criticou o ambiente político atual. “Não se discute política pública, não se discute o futuro para o país. Se discute de quem você gosta e de quem você não gosta”, afirmou.
Cenário local
No contexto regional, a secretária destacou que o PSD trabalha para crescer e aposta na reeleição do deputado Carlos Sampaio como uma das principais lideranças. Apesar disso, reconheceu dificuldades recentes. “Foi lamentável que a gente não conseguiu ampliar. Ficamos do mesmo tamanho”, declarou.
Ela ressaltou que a política exige continuidade. “O trabalho é sempre esse, porque, no fim, política a gente faz com número de votos”.
Gestão e economia
Ao falar da atuação na Prefeitura, Flosi destacou a rotina intensa e a articulação com diferentes setores. “O dia a dia na prefeitura é bastante desgastante, no sentido de que você tem muitas pautas”, disse.
A secretária reforçou o peso econômico da cidade. “Campinas é o 14º PIB do país. A gente está à frente de muitas capitais e tem um ecossistema de ciência e tecnologia que é muito pujante”, afirmou.
Segundo ela, o trabalho da pasta envolve atração de investimentos e fortalecimento do ambiente de negócios. “Você teve um crescimento efetivo de empresas sendo abertas”, destacou.
Centro de Campinas
Um dos pontos mais críticos foi a análise sobre a região central. Flosi reconheceu a dificuldade de recuperação do espaço. “É verdadeiramente assim. Voltar a ser o que era não existe”, afirmou.
Ela apontou mudanças no comportamento de consumo, crescimento de novas centralidades e avanço do comércio digital. “Hoje ela resolve ir lá do lado da casa dela, a grande maioria das coisas”. E completou: “Cada vez mais, as pessoas têm esse acesso com facilidade e compram muito online”.
Outro desafio citado é a população em situação de rua. “É um problema sério que a gente tem e que é necessário, de fato, buscar formas de resolver essa situação”, disse. “Não basta o Estado querer ajudar, a pessoa precisa permitir”, acrescentou.
Apesar das dificuldades, Flosi afirmou que há ações em curso. “O prefeito não descansa sobre esse assunto”, declarou, citando incentivos fiscais, projetos de retrofit e estímulo à moradia no Centro.
Inovação e futuro
Na área de inovação, a secretária avaliou que Campinas já é consolidada, mas ainda precisa ampliar visibilidade. “A gente só mostrou tudo aquilo que a gente já era”, afirmou, ao comentar eventos como a Innovation Week.
Ela destacou a concentração de centros de pesquisa. “Dos dez principais institutos de ciência e tecnologia do país, cinco estão em Campinas”, disse.
Ao projetar o futuro, demonstrou otimismo. Para ela, a combinação entre ciência, tecnologia e ambiente de negócios deve consolidar ainda mais Campinas como referência nacional.
Otto de volta

Reprodução/Redes Sociais
O vereador Otto Alejandro (PL) encerrou o período de suspensão de 45 dias e deve retomar a participação no plenário da Câmara Municipal de Campinas nesta segunda-feira. O afastamento terminou oficialmente na quinta-feira, dia 26, e o retorno já ganhou contornos políticos e simbólicos antes mesmo da sessão.
Isso porque o parlamentar publicou um vídeo nas redes sociais dirigindo um fusca amarelo em direção ao prédio do Legislativo, em uma espécie de “reentrada” encenada. A frase escolhida para marcar o momento chamou atenção: “tentaram me enterrar, mas não sabiam que eu era semente”.
A postagem, no entanto, acabou sendo vista por muitos como constrangedora e deslocada diante do sério contexto que levou à suspensão, aplicada justamente por condutas consideradas incompatíveis com o decoro parlamentar.
A punição foi aprovada por ampla maioria da Câmara, por 31 votos a 1, após relatório da Corregedoria apontar infração ética de elevada gravidade, com violação de princípios como urbanidade, boa-fé e preservação da imagem institucional da Casa. Ao mesmo tempo, os vereadores optaram por arquivar a Comissão Processante que poderia levar à cassação, com base no entendimento de que não havia elementos suficientes para a penalidade máxima.
Ou seja, Otto sobreviveu politicamente — mas não saiu ileso.
E o retorno demonstra justamente esse cenário: o vereador volta ao mandato, mas ainda carregando o desgaste público e político do episódio.
Outro ponto que chama atenção — e que amplia a discussão — é o comportamento do gabinete durante o período de afastamento. Mesmo suspenso e sem vencimentos, Otto aumento sua estrutura, com a contratação de mais três assessores, segundo dados do Portal da Transparência do Legislativo referentes a fevereiro.
O uso do verbo “empregar”, aliás, ganha um peso curioso nesse contexto. Enquanto estava fora do plenário por decisão disciplinar, o gabinete seguia em expansão, em meio à polêmica sobre o aumento de cargos comissionados aprovado pela própria Câmara.
Na prática, o retorno de Otto Alejandro marca o fim de um capítulo formal — o da suspensão —, mas não encerra o debate político sobre sua atuação.
O vereador volta ao plenário, retoma a palavra e o espaço institucional, mas também retorna sob vigilância ampliada, com a imagem extremamente arranhada e sob o olhar atento de colegas, oposição e opinião pública.
Câmara vota Camprev e Centro

Divulgação/CMC
A Câmara Municipal de Campinas vota nesta segunda-feira (30), em definitivo, dois projetos enviados pelo Executivo que tratam de gestão de servidores e política urbana para o Centro. A análise ocorre durante a 16ª Reunião Ordinária de 2026, a partir das 18h, no plenário da Casa.
Entre os itens da pauta está o Projeto de Lei Complementar nº 1/2026, que cria o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos do Camprev. Segundo a proposta, a medida busca corrigir distorções históricas e estruturar a gestão de pessoas da autarquia previdenciária.
O texto aponta que, desde a criação do Camprev, em 2004, não havia um plano próprio de carreira, o que teria gerado desigualdades salariais, dificuldade de retenção de profissionais e insatisfação interna.
A proposta prevê ainda mecanismos de progressão baseados em desempenho e metas institucionais, vinculados à governança da atividade previdenciária.
Outro projeto em pauta é o PLC nº 122/2025, que amplia até 2028 o prazo para que proprietários e incorporadores solicitem a reabilitação de imóveis no Centro de Campinas.
A iniciativa prorroga um benefício criado em 2022 e tem como objetivo incentivar a recuperação de prédios antigos, estimular o adensamento urbano e ampliar a oferta de moradia, especialmente em áreas já estruturadas.
De acordo com a justificativa do prefeito Dário Saadi, a medida leva em conta entraves enfrentados nos últimos anos, como o aumento dos custos da construção civil, restrições de crédito e instabilidade econômica.
O Executivo também argumenta que os projetos têm levado mais tempo para aprovação devido à necessidade de atender normas de acessibilidade, segurança e preservação do patrimônio histórico, o que impacta o andamento das iniciativas.
A reabilitação de imóveis é tratada como estratégia para revitalizar o Centro, fortalecer a atividade econômica e incentivar a ocupação de áreas com infraestrutura já disponível.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.