A proposta da Prefeitura de Campinas de prorrogar os contratos atuais do transporte público escancarou, mais uma vez, o tamanho da ferida aberta na mobilidade da cidade. O que, do ponto de vista técnico, pode ser considerado um passo previsível dentro de uma transição complexa, virou uma bomba política e emocional. E não é difícil entender o porquê.
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O sentimento do campineiro é simples e direto: quer se ver livre o quanto antes das empresas que comandam o sistema há anos. Não é só o usuário que sofre diariamente com atrasos, superlotação e falhas. Até quem não depende do ônibus olha para o sistema e vê dinheiro público sendo despejado com subsídios em um serviço que não entrega o mínimo.
Por isso, quando surge a informação de que os contratos podem ser estendidos por até três anos, o impacto é imediato. A reação é de incredulidade. Revolta. Cansaço. Ninguém quer ouvir falar em mais três anos de sofrimento. Nem mais três meses.
O problema não é a prorrogação em si. Ela é, na prática, um mecanismo comum para garantir continuidade enquanto a nova concessão não entra em operação. O próprio secretário de Transportes, Fernando de Caires, foi direto ao ponto ao afirmar que o prazo acaba quando a transição terminar. Mas essa explicação veio depois.
Em um tema tão sensível quanto o transporte público de Campinas, cada informação precisa ser explicada até a exaustão. Não dá para tratar o assunto como mais um projeto administrativo. É o principal problema da cidade. É o calcanhar de Aquiles da gestão. E qualquer ruído vira crise.
A meu ver, o correto seria antecipar o debate. Explicar o cronograma. Detalhar cada etapa. Mostrar claramente que o prazo de até três anos é um teto, não uma regra. Usar todos os canais possíveis: rádio, TV, redes sociais, imprensa. Fazer pedagogia pública.
Mas o que acontece é o oposto. A proposta aparece primeiro. A explicação vem depois. E quando chega, já não resolve. Porque o estrago já foi feito.
E o contexto só piora.
Quase ao mesmo tempo, surgem questionamentos ao edital da nova concessão, como trouxe a CBN Campinas, em reportagem exclusiva do competente jornalista Felipe Pereira. O Tribunal de Contas do Estado analisou e decidiu não suspender o processo, o que é positivo, mas o simples fato de haver contestação já reacende o medo de judicialização.
E enquanto isso, o passageiro segue vivendo a realidade.
Um ônibus que desce de ré após falha mecânica. Um idoso que cai e quebra as costelas porque a porta se abre durante o trajeto. Situações que não são exceção. São rotina. São o retrato de um sistema que chegou ao limite da degradação.
É nesse cenário que a discussão sobre prorrogação acontece.
E aí não adianta querer tratar como um detalhe técnico. Para quem está no ponto de ônibus, isso soa como sentença.
A Prefeitura até reage, explica, ajusta o discurso. Mas a mensagem chega atrasada, tal qual o ônibus aos inúmeros pontos na imensidão de Campinas.
E transporte público não permite esse tipo de erro.
Campinas já espera há mais de uma década por uma solução definitiva. A licitação avançou, o leilão aconteceu, há um caminho traçado. Mas a cidade não aguenta mais sustos no meio do percurso.
A essa altura, o recado é claro: não basta fazer certo. É preciso explicar melhor. Antes.
Porque, no atual estágio, qualquer silêncio — ou qualquer vírgula mal colocada — vira crise.
Gratificação para condutores

Divulgação/CMC
Os vereadores de Campinas aprovaram, em segunda discussão, o projeto que cria uma gratificação específica para servidores que atuam como condutores de veículos e máquinas em regime especial de trabalho. A votação ocorreu nesta quarta-feira (25), durante sessão da Câmara Municipal de Campinas.
A proposta, de autoria do Executivo, altera a legislação vigente e estabelece o pagamento do benefício a profissionais que cumprem jornada superior a 36 horas semanais, incluindo trabalho noturno, finais de semana, feriados e disponibilidade fora do expediente.
O texto prevê três faixas de pagamento:
- R$ 3.041,83 (Nível I)
- R$ 4.055,75 (Nível II)
- R$ 8.110,80 (Nível III)
A estimativa é que até 61 servidores sejam contemplados. O impacto financeiro previsto é de cerca de R$ 237 mil por mês e R$ 3,08 milhões por ano, incluindo o décimo terceiro salário.
A proposta também institui um sistema de “pool de serviços”, com equipe de condutores disponível para cobrir afastamentos, férias e demandas emergenciais da administração.
Entre as regras, a concessão da gratificação dependerá de ato formal da autoridade competente, não será incorporada ao salário e não poderá ser acumulada com outras vantagens, como horas extras.
De acordo com o Executivo, a medida busca reconhecer as condições diferenciadas de trabalho, melhorar a organização dos serviços e garantir maior eficiência na gestão pública.
FPX Cast entrevista Adriana Flosi

Divulgação/PodConecta
O FPX Cast, em parceria com o PodConecta, traz uma entrevista com a Adriana Flosi, secretária de Desenvolvimento Econômico e presidente do PSD em Campinas. A conversa começa pela política nacional.
A decisão do governador do Paraná, Ratinho Júnior, de desistir da disputa pela Presidência em 2026 reposiciona o cenário dentro do PSD. Na entrevista, Adriana fala sobre os impactos dessa decisão, os nomes que permanecem na disputa e como o partido se organiza para as eleições deste ano.
A conversa também entra em um dos temas mais sensíveis da cidade: a degradação da região central e os desafios da prefeitura de Campinas para reverter esse cenário.
A entrevista completa vai ao ar hoje, às 19h, no canal do FPX Cast no YouTube.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.