POLÍTICA

Flávio Paradella: Prorrogação vira bomba no caos do transporte

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 5 min
Divulgação/PMC
Prefeitura tenta garantir transição, mas falta de comunicação amplia revolta de usuários já exaustos com sistema degradado.
Prefeitura tenta garantir transição, mas falta de comunicação amplia revolta de usuários já exaustos com sistema degradado.

A proposta da Prefeitura de Campinas de prorrogar os contratos atuais do transporte público escancarou, mais uma vez, o tamanho da ferida aberta na mobilidade da cidade. O que, do ponto de vista técnico, pode ser considerado um passo previsível dentro de uma transição complexa, virou uma bomba política e emocional. E não é difícil entender o porquê.

  • Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.

O sentimento do campineiro é simples e direto: quer se ver livre o quanto antes das empresas que comandam o sistema há anos. Não é só o usuário que sofre diariamente com atrasos, superlotação e falhas. Até quem não depende do ônibus olha para o sistema e vê dinheiro público sendo despejado com subsídios em um serviço que não entrega o mínimo.

Por isso, quando surge a informação de que os contratos podem ser estendidos por até três anos, o impacto é imediato. A reação é de incredulidade. Revolta. Cansaço. Ninguém quer ouvir falar em mais três anos de sofrimento. Nem mais três meses.

O problema não é a prorrogação em si. Ela é, na prática, um mecanismo comum para garantir continuidade enquanto a nova concessão não entra em operação. O próprio secretário de Transportes, Fernando de Caires, foi direto ao ponto ao afirmar que o prazo acaba quando a transição terminar. Mas essa explicação veio depois.

Em um tema tão sensível quanto o transporte público de Campinas, cada informação precisa ser explicada até a exaustão. Não dá para tratar o assunto como mais um projeto administrativo. É o principal problema da cidade. É o calcanhar de Aquiles da gestão. E qualquer ruído vira crise.

A meu ver, o correto seria antecipar o debate. Explicar o cronograma. Detalhar cada etapa. Mostrar claramente que o prazo de até três anos é um teto, não uma regra. Usar todos os canais possíveis: rádio, TV, redes sociais, imprensa. Fazer pedagogia pública.

Mas o que acontece é o oposto. A proposta aparece primeiro. A explicação vem depois. E quando chega, já não resolve. Porque o estrago já foi feito.

E o contexto só piora.

Quase ao mesmo tempo, surgem questionamentos ao edital da nova concessão, como trouxe a CBN Campinas, em reportagem exclusiva do competente jornalista Felipe Pereira. O Tribunal de Contas do Estado analisou e decidiu não suspender o processo, o que é positivo, mas o simples fato de haver contestação já reacende o medo de judicialização.

E enquanto isso, o passageiro segue vivendo a realidade.

Um ônibus que desce de ré após falha mecânica. Um idoso que cai e quebra as costelas porque a porta se abre durante o trajeto. Situações que não são exceção. São rotina. São o retrato de um sistema que chegou ao limite da degradação.

É nesse cenário que a discussão sobre prorrogação acontece.

E aí não adianta querer tratar como um detalhe técnico. Para quem está no ponto de ônibus, isso soa como sentença.

A Prefeitura até reage, explica, ajusta o discurso. Mas a mensagem chega atrasada, tal qual o ônibus aos inúmeros pontos na imensidão de Campinas.

E transporte público não permite esse tipo de erro.

Campinas já espera há mais de uma década por uma solução definitiva. A licitação avançou, o leilão aconteceu, há um caminho traçado. Mas a cidade não aguenta mais sustos no meio do percurso.

A essa altura, o recado é claro: não basta fazer certo. É preciso explicar melhor. Antes.

Porque, no atual estágio, qualquer silêncio — ou qualquer vírgula mal colocada — vira crise.

Gratificação para condutores


Divulgação/CMC

Os vereadores de Campinas aprovaram, em segunda discussão, o projeto que cria uma gratificação específica para servidores que atuam como condutores de veículos e máquinas em regime especial de trabalho. A votação ocorreu nesta quarta-feira (25), durante sessão da Câmara Municipal de Campinas.

A proposta, de autoria do Executivo, altera a legislação vigente e estabelece o pagamento do benefício a profissionais que cumprem jornada superior a 36 horas semanais, incluindo trabalho noturno, finais de semana, feriados e disponibilidade fora do expediente.

O texto prevê três faixas de pagamento:

  • R$ 3.041,83 (Nível I)
  • R$ 4.055,75 (Nível II)
  • R$ 8.110,80 (Nível III)

A estimativa é que até 61 servidores sejam contemplados. O impacto financeiro previsto é de cerca de R$ 237 mil por mês e R$ 3,08 milhões por ano, incluindo o décimo terceiro salário.

A proposta também institui um sistema de “pool de serviços”, com equipe de condutores disponível para cobrir afastamentos, férias e demandas emergenciais da administração.

Entre as regras, a concessão da gratificação dependerá de ato formal da autoridade competente, não será incorporada ao salário e não poderá ser acumulada com outras vantagens, como horas extras.

De acordo com o Executivo, a medida busca reconhecer as condições diferenciadas de trabalho, melhorar a organização dos serviços e garantir maior eficiência na gestão pública.

FPX Cast entrevista Adriana Flosi


Divulgação/PodConecta

O FPX Cast, em parceria com o PodConecta, traz uma entrevista com a Adriana Flosi, secretária de Desenvolvimento Econômico e presidente do PSD em Campinas. A conversa começa pela política nacional.

A decisão do governador do Paraná, Ratinho Júnior, de desistir da disputa pela Presidência em 2026 reposiciona o cenário dentro do PSD. Na entrevista, Adriana fala sobre os impactos dessa decisão, os nomes que permanecem na disputa e como o partido se organiza para as eleições deste ano.

A conversa também entra em um dos temas mais sensíveis da cidade: a degradação da região central e os desafios da prefeitura de Campinas para reverter esse cenário.

A entrevista completa vai ao ar hoje, às 19h, no canal do FPX Cast no YouTube.

  • Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.

Comentários

Comentários