POLÍTICA

Flávio Paradella: 'Acabo com Flávio e Lula', diz candidato do MBL

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 9 min
Reprodução/FPX Cast
m entrevista ao FPX Cast/PodConecta, pré-candidato Renan Santos (Missão) atacou Lula, Flávio Bolsonaro, defendeu pena de morte e disse que o caso Daniel Vorcaro pode varrer o sistema político.
m entrevista ao FPX Cast/PodConecta, pré-candidato Renan Santos (Missão) atacou Lula, Flávio Bolsonaro, defendeu pena de morte e disse que o caso Daniel Vorcaro pode varrer o sistema político.

O fundador do MBL, presidente do partido Missão e pré-candidato à Presidência da República em 2026, Renan Santos, afirmou em entrevista ao FPX Cast/PodConecta que o caso Banco Master envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro tem potencial para provocar uma crise de grandes proporções nos bastidores do poder em Brasília. Para ele, o avanço das investigações pode atingir não apenas agentes políticos, mas derrubar ministros do Supremo Tribunal Federal, com relações íntimas e supostamente promíscuas, e setores da elite econômica.

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Ao comentar a nova prisão de Vorcaro e a troca de relatoria no STF, Renan avaliou que o ministro André Mendonça teria disposição real de tocar o caso, mas ponderou que isso dependerá de um ambiente mais amplo dentro da Corte, principalmente pelo relacionamento de Dias Tofolli e Alexandre de Moraes com o banqueiro. “O André Mendonça tem uma intenção que eu considero verdadeira em andar com o caso”, disse. Na sequência, acrescentou que o desfecho pode ser explosivo com uma possível delação: “Se ele delata o Ciro Nogueira, vou dar um nome bem claro. Delatou o Ciro Nogueira, se o Ciro Nogueira abre a boca, cai a república. O Ciro Nogueira tinha negócio com todo mundo, inclusive com o ministro do STF”.

Na avaliação do dirigente do Missão, há hoje um movimento de contenção institucional para evitar que a investigação produza efeitos em cadeia. Mesmo assim, ele sustenta que a crise já escapou do controle. “Todo mundo quer trabalhar para ter uma espécie de equilíbrio instável”, afirmou. E completou: “Eu tendo a achar que é muito difícil segurar essa instabilidade”.

Renan também afirmou que o escândalo ganhou novo patamar porque passou a atingir interesses de grandes grupos de comunicação, do sistema financeiro e de setores da elite nacional. “A elite brasileira, ela tá dividida. Isso é uma notícia boa, porque a gente tem que se aproveitar dessa briga, botar eles pra brigar e quebrar quem tá, vamos dizer, gerando o maior dano hoje pra gente”, declarou.

Ao longo da entrevista, o pré-candidato também tentou se apresentar como alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo encarnado por Flávio Bolsonaro, diante da prisão e inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Para Renan, o petismo continua ocupando um dos polos fixos da disputa presidencial, mas o outro lado estaria em aberto.

Todas as eleições brasileiras são o PT versus alguém. É o PT versus alguém. É o PT versus o antipetista”, afirmou. Na leitura dele, Flávio Bolsonaro aparece por herança de sobrenome, mas carrega alta rejeição e fragilidade política. “O Flávio é um cara corrupto, então vai ser muito difícil pro Flávio ir pra eleição com um discurso ético”, disse. Em outro trecho, subiu ainda mais o tom: “Se eu ficar conhecido, eu chegar até 10% até o final de julho, eu garanto, eu acabo com o Flávio e depois eu acabo com o Lula”.

Sobre o presidente Lula, Renan avaliou que o governo entrou em desgaste profundo e que o lulismo perdeu parte de sua capacidade de renovação eleitoral, inclusive no Nordeste. Segundo ele, o atual presidente já não consegue responder às duas maiores angústias do eleitorado: segurança pública e corrupção.

As duas maiores preocupações do brasileiro é, em primeiro lugar, segurança, e a segunda, corrupção. Duas coisas que o Lula definitivamente não consegue controlar”, afirmou. Ainda segundo ele, o desgaste já aparece até em redutos historicamente ligados ao PT. “No Nordeste, eu senti isso, eu vi isso. Os mais jovens estão largando mão”, disse.

Ao falar da própria candidatura, Renan tentou diferenciar sua postura da experiência de Jair Bolsonaro em 2018. Disse que pretende unir discurso antissistema, contundência verbal e formulação programática. “O Bolsonaro só teve o convencimento emotivo e ele entrou no governo com isso. Mas quando entra no governo, não é só emotivo, aí tem um racional que você tem que entregar. E aí não teve nada, foi um governo vazio”, afirmou.

Na área de segurança pública, o pré-candidato expôs o ponto mais polêmico de sua plataforma. Renan defendeu o endurecimento radical das penas e disse ser favorável à pena de morte para crimes graves. “Eu defendo pena de morte. Eu acho que não há o que fazer com um faccionado”, afirmou. Antes, já havia resumido a lógica de sua proposta: “Precisa matar bandido? Precisa”.

Segundo ele, o Brasil precisa elevar o nível de repressão para restabelecer o sentido do pacto social e devolver ao cidadão a sensação de que a lei funciona. “Um dos botões centrais é a ideia de que o sujeito roubou o meu celular, ele vai ficar no mínimo 30, 40 anos na cadeia. Ele vai pagar muito. E se ele for um faccionado que está escravizando as pessoas na favela, cara, e ele estiver segurando o fuzil, nós vamos matar”, declarou.

Renan também afirmou que a política de segurança atual parte de premissas erradas ao priorizar a reabilitação do criminoso em vez da reparação simbólica à vítima. “O protagonista no direito penal, o protagonista na pena é a vítima, a vítima tem que ser a protagonista”, disse.

Já na reta final da entrevista, o dirigente do MBL foi confrontado sobre a imagem de movimento juvenil, afeito a provocações performáticas e ações pensadas para gerar repercussão nas redes sociais. A pergunta partiu da crítica recorrente de que o grupo ainda não conseguiu romper com a aparência de agitação permanente, especialmente em ações em universidades e em embates públicos com adversários.

Um exemplo? A confusão registrada na recepção de novos estudantes da (Unicamp, no campus de Barão Geraldo, com um episódio de violência na no último dia 23. O evento, promovido por alunos do Instituto de Artes (IA) e do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), foi interrompido por um confronto após a chegada de pessoas ligadas ao MBL.

Renan reconheceu que essa percepção existe e admitiu que ela precisa ser enfrentada. “Existe uma impressão geral que o MBL é um grupo de pessoas jovens e arruaceiras. As pessoas até concordam com a causa, mas falam assim: eu não entregaria um ministério para alguém que faz isso, e isso é uma imagem que precisa mudar. Eu concordo”, afirmou.

Ao mesmo tempo, sustentou que o MBL é mais do que provocação e que sofre com um ambiente político em que desempenho técnico tem menos peso do que capacidade de mobilização e entretenimento. “O eleitor não dá bola para trabalho, o eleitor não dá bola se você for maduro, o eleitor não dá bola se você for sério, o eleitor é muito injusto”, declarou. E resumiu o dilema de forma direta: “Você vai ter que conjugar as duas coisas, só que você tem que ser entendido como alguém completo e não só um lado, então esse é um desafio que nós temos”.

Um leilão intenso e disputado


Divulgação/PMC

O dia finalmente chegou — e, desta vez, chegou com decisão. Depois de anos de tentativas frustradas, editais corrigidos, licitações desertas e uma sensação permanente de impasse, Campinas conheceu os vencedores da nova concessão do transporte coletivo. O leilão realizado na B3, em São Paulo, foi disputado, tenso e cheio de movimentos estratégicos, com dois momentos marcantes: a ofensiva agressiva da Sancetur no Lote Sul e a longa batalha pelo Lote Norte que terminou com a derrota do grupo Belarmino.

A disputa começou com o Lote Sul e surpreendeu quem acompanhava o processo. A Sancetur partiu para cima logo de início, reduzindo rapidamente a tarifa de remuneração e praticamente inviabilizando qualquer reação mais contundente dos concorrentes. A empresa venceu com proposta de R$ 9,54, um deságio de 14,9% sobre o valor de referência. Foi uma estratégia clara de imposição de ritmo — uma espécie de “gol cedo” para definir o jogo.

Mas o capítulo mais dramático viria depois, no Lote Norte. A disputa envolveu Sancetur, Consórcio Grande Campinas e Consórcio Mov Campinas, ligado ao grupo Belarmino, operador histórico do sistema campineiro. Foi uma sequência longa de lances, com o Consórcio Grande Campinas adotando uma estratégia de tudo ou nada para pressionar o adversário. Funcionou. O consórcio levou o lote com proposta de R$ 9,49, deságio de 19,3%.

O resultado final traz uma mudança simbólica para o transporte da cidade. Campinas renovou seus concessionários e deixou pelo caminho o grupo Belarmino, que dominou parte significativa do sistema por décadas e carregava um enorme desgaste com os usuários. É impossível ignorar esse aspecto. O nível de deterioração do serviço nos últimos anos foi tão grande que os próprios vencedores mencionaram, durante a disputa, “o longo sofrimento do passageiro”. A frase diz muito sobre o tamanho do problema que a nova concessão terá que enfrentar.

Ainda assim, é importante manter a dose de realismo. O leilão não muda o transporte amanhã. Passada a disputa, começa agora uma fase técnica decisiva. As empresas vencedoras terão de apresentar novas planilhas detalhadas de custos para comprovar que os valores ofertados no leilão são economicamente viáveis. Caso não consigam sustentar os números apresentados, a comissão pode convocar a segunda colocada para assumir a concessão.

Depois dessa etapa, haverá análise técnica das planilhas, publicação do resultado oficial, prazo para eventuais recursos administrativos e, somente então, a homologação da licitação. Superado esse percurso, os vencedores ainda terão até dois meses para criar as chamadas Sociedades de Propósito Específico, empresas que serão constituídas exclusivamente para operar o sistema.

A assinatura do contrato com a Prefeitura vem na sequência. Depois disso, o poder público ainda terá prazo para emitir a Ordem de Serviço que autoriza o início dos investimentos. A partir desse momento, as concessionárias terão até 180 dias para estruturar garagens, adquirir veículos, montar equipes e preparar a operação antes de iniciar efetivamente o serviço.

Ou seja, a mudança virá em etapas, como costuma acontecer em concessões desse porte.

O novo contrato terá duração de 15 anos, prorrogáveis por mais cinco, com investimentos estimados em bilhões de reais. A concessão inclui operação das linhas, gestão dos terminais e estações do BRT, atendimento do PAI-Serviço e implantação de novos sistemas de tecnologia e bilhetagem eletrônica. Entre as mudanças previstas está a renovação da frota com veículos menos poluentes e a introdução de ônibus elétricos nos primeiros anos do contrato.

Há também uma alteração importante no modelo de controle. A arrecadação passará a ser administrada por uma estrutura específica com participação das operadoras e do poder público, e a Emdec terá uma espécie de “golden share”, garantindo influência estratégica sobre decisões operacionais e financeiras do sistema.

Mas, antes de qualquer comemoração, é preciso reconhecer o que realmente aconteceu nesta quinta-feira. Campinas deu um passo gigantesco para sair de um ciclo de fracassos administrativos que já atravessava governos. A decisão de levar o leilão para a B3 mostrou-se acertada. O processo ganhou credibilidade institucional, atraiu mais interessados e produziu disputa real.

Agora começa a fase em que a licitação deixa de ser evento e passa a ser execução.

A cidade já cansou de esperar.

  • Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.

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