O certame lpara definir a operação do transporte coletivo de Campinas pelos próximos 15 anos apontou quem são os novos grupos empresariais que assumirão o sistema da cidade. O resultado do leilão realizado na B3, em São Paulo, teve a Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda. como vencedora do Lote Sul, enquanto o Consórcio Grande Campinas ficou com o Lote Norte.
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A Sancetur apresentou tarifa de remuneração de R$ 9,54 no Lote Sul, partindo de um valor inicial de R$ 11,21, o que representou deságio de 14,9%. Já o Consórcio Grande Campinas venceu o Lote Norte com tarifa de R$ 9,49, frente ao valor inicial de R$ 11,76, registrando deságio de 19,3%.
O novo contrato prevê a concessão da operação do sistema por 15 anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco, incluindo também serviços nos terminais e estações do BRT, transporte especializado para pessoas com deficiência (PAI-Serviço) e a gestão da bilhetagem eletrônica.
Sancetur amplia presença regional

Reprodução/B3
A empresa que ficará responsável pelas regiões Leste, Sul e Sudoeste de Campinas tem atuação consolidada no interior paulista. A Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda. integra o grupo ligado à família Chedid, tradicional no setor de transporte.
Com sede no interior paulista, a companhia atua em mais de 20 municípios, especialmente em cidades do interior e do litoral de São Paulo. Suas operações costumam utilizar a marca SOU – Sistema de Ônibus Urbanos, associada ao nome de cada cidade onde presta o serviço.
Nos últimos anos, a empresa ampliou presença em licitações e contratos emergenciais em diversas cidades. Além do estado de São Paulo, também participa de sistemas de transporte em outros estados, incluindo operações no município do Rio de Janeiro.
O grupo é comandado por Marco Antonio Abi Chedid, ex-presidente da Câmara Municipal de Campinas na década de 1990. Na região, a empresa já atua em cidades como Valinhos, Indaiatuba e Amparo, entre outras.
Consórcio reúne empresas de várias regiões

Reprodução/B3
Já o Consórcio Grande Campinas, vencedor do Lote Norte — que engloba as regiões Norte, Oeste e Noroeste da cidade — reúne empresas com atuação distribuída em diferentes municípios do interior paulista e da Grande São Paulo.
O grupo é formado por Rhema Mobilidade Ltda., Transporte Coletivo Grande Marília Ltda., Nova Via Transportes e Serviços Ltda., WMW Locação de Veículos e Serviços de Transportes Ltda. e Auto Viação Suzano Ltda.
Uma das integrantes é a Nova Via, responsável pelo transporte urbano em Santa Bárbara d’Oeste, na região metropolitana de Campinas. A empresa integra um grupo ligado à Smile Transportes e Turismo, companhia com sede em Paulínia e presença em cidades como Campinas, Sumaré, Fernandópolis e Marília.
A Transporte Coletivo Grande Marília, outra participante do consórcio, opera serviços de ônibus na cidade de Marília, no interior paulista. Já a Auto Viação Suzano mantém operações em municípios como Suzano, Santa Isabel e Catanduva, além de atuação em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
O consórcio também reúne empresas voltadas ao segmento de fretamento e transporte especializado. A Rhema Mobilidade, por exemplo, atua principalmente com transporte escolar e serviços de fretamento em Paulínia, enquanto a WMW Locação de Veículos mantém base na Grande São Paulo, com atuação voltada ao transporte corporativo e locação de veículos.
Parte das empresas integrantes já enfrentou questionamentos administrativos em outros municípios, situação que foi contestada pelos próprios operadores. Em um dos casos, empresas ligadas ao grupo Smile chegaram a ser denunciadas por suposta formação de cartel e falsificação de documentos no sistema de transporte de Paulínia, em investigação que apontava possíveis prejuízos de cerca de R$ 19 milhões aos cofres públicos. Na ocasião, a prefeitura da cidade optou pela rescisão contratual.
Frota mais limpa

Divulgação/Transurc
O novo contrato do transporte coletivo de Campinas prevê mudanças estruturais no sistema, incluindo renovação da frota e investimentos em tecnologia. A concessão estabelece a adoção de ao menos 60 ônibus elétricos nos primeiros anos, além da utilização de veículos padrão Euro 6, menos poluentes.
O modelo também permite a utilização de combustíveis alternativos, como biometano, GNV e hidrogênio, mantendo a exigência de frota totalmente acessível.
Os investimentos previstos na renovação da frota devem alcançar cerca de R$ 900 milhões nos primeiros cinco anos e mais R$ 800 milhões ao longo da década seguinte, somando R$ 1,7 bilhão em 15 anos. Com tecnologia embarcada, melhorias em terminais e estações, o volume total de investimentos estimado chega a R$ 1,9 bilhão.
Outro ponto central do novo sistema será a gestão compartilhada da bilhetagem eletrônica, estruturada por meio de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com participação das operadoras, da Emdec e do poder público, que terá uma “golden share” para garantir fiscalização e transparência financeira.
Além disso, a remuneração das empresas ficará vinculada ao desempenho operacional, com indicadores ligados à pontualidade, regularidade das viagens, limpeza dos veículos, acessibilidade e satisfação dos usuários.