A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), a terceira fase da Operação Coffee Break, investigação que ganhou grande repercussão regional no fim do ano passado ao resultar na prisão de autoridades públicas e empresários suspeitos de envolvimento em fraudes em licitações.
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Nesta nova etapa, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo, além da execução de medidas de constrição patrimonial, todas autorizadas pela 1ª Vara Federal de Campinas. A investigação é conduzida pela Delegacia da Polícia Federal em Campinas e segue em andamento.
Imagens divulgadas pela PF mostram documentos apreendidos e grande quantidade de armamentos, inclusive de uso restrito, encontrados pelos agentes na ação desta quinta-feira.
A atual fase é desdobramento direto da ofensiva realizada em 12 de novembro de 2025, quando a operação abalou politicamente a região ao cumprir 50 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva nos estados de São Paulo, Distrito Federal e Paraná. Na ocasião, a ação contou com apoio da Controladoria-Geral da União e da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Entre os presos naquela fase estavam o então vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César, o secretário municipal de Educação do município, Fernando Moraes, além de empresários ligados à empresa Life Tecnologia Educacional, apontada como peça central do esquema investigado. Os detidos foram liberados posteriormente.
Além disso, a ex-nora do presidente Lula, Carla Ariane Trindade foi citadas nas apurações como beneficiária em troca de suposto lobby no Ministério da Educação. Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha , também foi mencionado como possivel lobista. Todos negam.
As apurações indicam desvios de recursos públicos e irregularidades em contratos de fornecimento de materiais didáticos firmados por prefeituras da região, especialmente Hortolândia e Sumaré. Em Limeira, a operação também teve como alvo empresas ligadas ao ex-prefeito Mário Botion, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em imóveis e sedes empresariais.
Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa. O nome da operação faz referência a encontros informais entre investigados, nos quais teriam ocorrido acordos ilícitos relacionados a contratações públicas.
A PF não informou novos detalhes sobre alvos específicos desta fase, nem sobre eventuais prisões, e reforçou que as investigações continuam em sigilo judicial.
Indaiatuba redesenha governo

Divulgação/PMI
O governo municipal de Indaiatuba iniciou uma nova etapa administrativa com a reformulação do primeiro escalão, oficializada nesta quarta-feira (14) pelo prefeito Dr. Custódio Tavares (MDB). As mudanças incluem trocas no comando de secretarias estratégicas e a criação da Secretaria de Mobilidade Urbana, ampliando a estrutura do Executivo.
A reorganização atinge diretamente áreas consideradas centrais da gestão pública. A Educação passa a ser conduzida pela educadora Alair Candelária Bernardinetti, enquanto a Saúde fica sob responsabilidade do médico cardiologista Flávio Brito. Já a área de Serviços Urbanos e Meio Ambiente será comandada pelo engenheiro civil José Carlos Selone.
No campo jurídico, a Prefeitura definiu Carlos Olímpio Pires para assumir a Secretaria de Negócios Jurídicos. A Assistência Social, que vinha sendo gerida interinamente, teve Wanderley José Boni confirmado oficialmente como titular da pasta.
A principal novidade da reforma administrativa é a entrada em funcionamento da Secretaria de Mobilidade Urbana, criada no fim de 2025 como resposta ao crescimento da cidade e às demandas por planejamento viário. O secretário será Diego Vido, que terá a missão de tirar do papel o Plano Municipal de Mobilidade, já apresentado pela administração.
Segundo o prefeito, as alterações fazem parte de um ajuste estratégico da máquina pública, com foco em eficiência, integração entre áreas e preparação da cidade para os próximos ciclos de crescimento. Os secretários que deixaram os cargos foram remanejados internamente, permanecendo na estrutura da Prefeitura.
Câmara com carreira, Defesa Civil e urbanismo

Divulgação/CMC
A Câmara Municipal de Campinas inicia o ano legislativo de 2026 com uma pauta começando a ser marcada por propostas de impacto na estrutura administrativa do município. Os primeiros projetos protocolados tratam de organização de carreiras públicas, valorização funcional, ajustes na legislação urbanística e gestão do patrimônio municipal, com predominância de matérias encaminhadas pelo prefeito Dário Saadi (Republicanos).
Entre as proposições, ganha destaque o projeto que cria o primeiro plano de cargos, carreiras e vencimentos do Camprev, autarquia responsável pela previdência dos servidores municipais. A medida busca corrigir distorções históricas, estabelecer critérios formais de progressão funcional e melhorar a retenção de profissionais. Segundo o Executivo, estudos técnicos e atuariais indicam que a proposta é financeiramente viável dentro do próprio orçamento do instituto, sem impacto externo para o município.
Outro projeto protocolado prevê a criação de uma gratificação específica para agentes da Defesa Civil, reconhecendo o caráter permanente e estratégico das atividades exercidas pelos servidores da área. A proposta contempla profissionais envolvidos diretamente em ações de prevenção, monitoramento, emissão de alertas e resposta a emergências, especialmente em cenários de desastres naturais e eventos climáticos extremos.
No campo urbanístico, a Prefeitura propôs ajustes na legislação que regula o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV/RIV). A iniciativa busca detalhar de forma mais objetiva quando o estudo será exigido, sobretudo em obras novas, ampliações e regularizações que envolvam edificações de uso misto. A intenção, segundo o Executivo, é ampliar a segurança jurídica, orientar empreendedores e fortalecer a política habitacional do município.
Além dos projetos do Executivo, o Legislativo também recebeu proposições de vereadores. Entre elas, está a iniciativa que obriga a instalação de bebedouros de água potável nas estações do sistema BRT, além de propostas que tratam da alienação de áreas municipais a proprietários lindeiros e da desincorporação de passagens de pedestres em loteamentos específicos da cidade.
A primeira sessão ordinária do ano será no dia 2 de fevereiro.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br