A Câmara de Campinas vai encerrando 2025 com o que talvez seja o ano mais turbulento, errático e politicamente destrutivo de sua história recente. E a abertura unânime da Comissão Processante contra Otto Alejandro não foi apenas mais um capítulo: foi o ponto máximo de uma escalada de crises que expôs a desorganização política, a incapacidade de contenção interna e, sobretudo, a perda de controle sobre a própria imagem.
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Para entender a dimensão do que ocorreu na semana passada, é preciso voltar à segunda-feira da semana passada. Naquele dia, a Câmara mostrou que não havia vontade política real — especialmente entre parlamentares da base governista — para aprovar o pedido de Comissão Processante contra Otto. A denúncia era gravíssima, mas o comportamento do plenário revelava hesitação, constrangimento e, principalmente, resistência a enfrentar o caso. A sessão foi marcada por pressão nas galerias, tumulto e discursos quase inaudíveis.
A manobra que encerrou a sessão por falta de quórum não foi coincidência. Foi um movimento cirúrgico dos vereadores que desejavam evitar que o pedido fosse votado e arquivado. Se a CP caísse naquela segunda, o rito morreria ali — e a Câmara se veria marcada por um gesto que, hoje, seria indefensável.
Foi uma manobra necessária para ganhar tempo. E esse tempo se virou contra o próprio Otto.
Entre segunda e quarta-feira, os vereadores foram atropelados pelos fatos. A opinião pública explodiu. Vídeos começaram a viralizar em sequência — a agressão verbal e homofóbica na portaria, a ameaça aos Guardas Municipais, o tumulto e a ameaça ao motorista de ônibus — transformando uma denúncia já grave em um acúmulo insustentável de comportamentos. O caso deixou de ser “um episódio” e se tornou um padrão.
O clima mudou por completo. Bancadas inteiras anunciaram voto favorável à CP. Vereadores da base governista, que hesitavam até o último minuto na segunda retrasada, perceberam que não havia mais como se esconder. O desgaste era tão profundo que não havia condições políticas, morais ou comunicacionais para votar contra. O voto unânime — 29 a 0 — já estava escrito antes mesmo de a sessão começar.
Se na segunda a Câmara queria evitar a CP, na quarta era impossível.
O episódio Otto é o retrato fiel do que a Câmara de Campinas virou em 2025: um Legislativo onde a crise nunca acaba, os problemas são internos, e os parlamentares passam meses apagando incêndios provocados por eles mesmos ou por seus pares.
E é aqui que o cenário fica ainda mais grave.
A Comissão Processante contra Otto foi a quarta do ano. E cada uma delas resultou em um trauma político diferente:
- Vini Oliveira (Cidadania) – acusado de quebra de decoro por gravar vídeos no Mário Gatti; CP instalada; absolvido após intenso desgaste político.
- Mariana Conti (PSOL) – pedido frágil, motivado por revanchismo ideológico; rejeitado pelo plenário de forma contundente.
- Zé Carlos (PSB) – acusado de pedir propina em contratos quando presidiu a Câmara; sequer houve votação, pois ele renunciou ao mandato após admitir o crime ao Ministério Público.
- Agora, Otto Alejandro (PL) – o caso mais explosivo, envolvendo suposta violência doméstica, vídeos que geraram repúdio e tornaram a CP inevitável.
É difícil encontrar ano em que o Legislativo tenha vivido uma sequência tão devastadora. A Câmara virou noticiário policial, tribunal moral, arena ideológica e palco de escândalos sucessivos. E tudo isso antes do recesso. O ano nem terminou — e o histórico recente mostra que o Legislativo campineiro sempre consegue se superar, quase sempre para pior.
Nada indica que 2025 terá um fim tranquilo. A crise Otto apenas abriu um novo capítulo em uma Casa que passou a conviver com CPs como quem convive com moção de aplauso.
É uma legislatura que começou mal, cresceu pior e se encaminha para ser lembrada não pelos projetos aprovados, mas pelos escândalos, brigas, tumultos e sessões vergonhosas. Um Legislativo que parece incapaz de autocontrole e que, repetidas vezes, se torna protagonista do espetáculo que deveria fiscalizar.
A pergunta que fica, agora, é: o que mais pode acontecer?
Em Campinas, infelizmente, a resposta costuma ser: sempre tem mais um capítulo.
Comissão da Mulher da Câmara fará ato

Reprodução/Redes Sociais
Hoje à noite, a partir das 18h30, a Câmara Municipal de Campinas realiza uma nova reunião da Comissão Permanente da Mulher, que desta vez ganha contornos de ato político. No Plenarinho do Legislativo, o encontro será marcado por um protesto com o tema “Agressor não poder ser vereador”.
A mobilização está sendo convocada pelas parlamentares da bancada de esquerda, sob liderança da vereadora Mariana Conti (PSOL), em meio ao ambiente de tensão provocado pelas últimas denúncias envolvendo casos de violência praticados por vereadores.
PIDS sancionado

Divulgação/CMC
O prefeito de Campinas, Dário Saadi, sancionou na noite desta segunda-feira (24) a lei que cria o Polo de Inovação e Desenvolvimento Sustentável (PIDS) no distrito de Barão Geraldo. A cerimônia ocorreu no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), onde está localizado o Sirius.
O PIDS modifica o uso e a ocupação do solo em uma área de cerca de 17 milhões de metros quadrados, permitindo a implantação de empreendimentos de pesquisa, inovação e desenvolvimento urbano. A região abrange o Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS), da Unicamp, que inclui a área da Fazenda Argentina.
Durante o evento, Dário Saadi afirmou que o projeto tem potencial para impulsionar a economia local. Já o diretor-geral do CNPEM, Antonio José Roque, lembrou o histórico de elaboração do PIDS e reforçou os desafios futuros, como atração de empresas, moradias compatíveis e implantação gradual da infraestrutura prevista.
A lei estabelece diretrizes ambientais, como renaturalização do Ribeirão Anhumas, preservação de áreas verdes e exigência de que cada lote mantenha pelo menos 20% de área permeável. O texto também prevê a criação do Parque Ambiental Anhumas.
A infraestrutura do polo deverá ser subterrânea e compartilhada, incluindo redes de água, esgoto, energia e telecomunicações. As calçadas terão entre 4 e 5 metros de largura e quadras superiores a 130 metros deverão possuir passagens internas para pedestres e ciclistas, priorizando mobilidade ativa.
Franklin faz balanço do 1º ano em Valinhos

Divulgação
Faltando cerca de 40 dias de completar o primeiro ano à frente da Prefeitura de Valinhos, o prefeito Franklin Duarte (PL) concedeu entrevista ao Jornal da Manhã Regional da Rádio Jovem Pan Campinas e fez um balanço das ações do governo. Ele afirmou que a administração conseguiu reorganizar finanças, ampliar serviços públicos e iniciar obras estruturais consideradas históricas.
Logo no início da conversa, o prefeito destacou que “2025 está chegando ao final, mas nós estamos muito felizes com todas as mudanças que nós fizemos na cidade de Valinhos”. Segundo ele, a principal dificuldade encontrada foi o estado financeiro da prefeitura. “Nós assumimos uma prefeitura totalmente endividada e ao longo desses meses, até dezembro, nós vamos ter cortado quase cem milhões de reais em contratos”, disse.
Franklin explicou que os cortes atingiram contratos “supostamente superfaturados”, serviços reestruturados e revisões de eficiência. “Nós estamos cortando esses gastos e aumentando a eficiência do serviço público e melhorando a qualidade do serviço para a população”, afirmou.
O prefeito citou uma série de entregas e programas implantados ao longo do ano, começando pelo transporte coletivo: “Eu acredito ter sido a única cidade aqui na região e também no estado a diminuir a passagem em um real e dar gratuidade. Hoje as pessoas não pagam ônibus nem no feriado, nem no domingo.”
Além disso, destacou ações como o Estacionamento do Povo, a Farmácia do Povo e a permuta que resultou na entrega de um clube municipal à população. Segundo Franklin, tudo feito “a custo zero para a prefeitura, com ajuda da iniciativa privada”.
Mesmo com cortes entre 25% e 40% em contratos de serviços essenciais, ele garantiu que não houve perda na qualidade do atendimento ao cidadão. Ainda assim, o prefeito reconhece um desafio permanente: “A área da saúde sempre a gente vai achar que pode fazer mais (…) nós melhoramos muito, mas a gente sabe que tem muito mais a fazer.”
A entrevista também abordou os incêndios florestais na Serra dos Cocais. Franklin lembrou que 2024 registrou um dos maiores incêndios das últimas décadas e disse que sua equipe montou um plano antecipado de prevenção para 2025: “Nós criamos grupos de trabalho, fizemos um trabalho estratégico, usamos tecnologia, aumentamos a Defesa Civil e buscamos parceria com proprietários.”
Segundo ele, a resposta mais rápida reduziu significativamente as áreas atingidas: “A proporção de 2025 é muito inferior ao que aconteceu em 2024.”
Franklin também mencionou ações ambientais, como criação de microflorestas, desassoreamentos e ampliação da reservação de mananciais. “Não haverá gestão que plantará mais árvore que a nossa”, garantiu.
Sobre as enchentes que voltaram a atingir a cidade nesta semana, o prefeito classificou o tema como “histórico” e citou uma série de áreas críticas, entre elas a Avenida Invernada, a Avenida Paulista e a Vila Santana. “Valinhos tem pontos críticos de enchentes há 30, 40 anos que ninguém nunca fez nada”, afirmou.
Ele disse que o governo conduz um plano de macrodrenagem para mapear e definir soluções, inclusive para próximas gestões. Franklin também afirmou que há uma proposta concreta para resolver a situação da Invernada: “A invernada precisa de piscinões e contenção lá em cima. É uma obra cara que ninguém teve coragem de enfrentar. E nós faremos isso.”
Ele anunciou ainda a abertura de novas vias capazes de eliminar pontos tradicionais de alagamento: “Nós já estamos com as máquinas abrindo uma avenida que fazia 40 anos que não se fazia (…) e nessa avenida nós vamos acabar com dois pontos de alagamento.”
O prefeito concluiu dizendo que a prefeitura está organizada para enfrentar o período de chuvas e reduzir danos: “Nós estamos trabalhando para diminuir esses pontos de alagamento e criar um plano diretor para que todos os prefeitos que passarem depois de mim tenham compromisso e obrigação de investir em micro e macro drenagem.”
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.