POLÍTICA

Flávio Paradella: O esperado embate sobre Bolsonaro na Câmara

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Valter Campanato/Agência Brasil
Vereadores que nada influenciam o cenário nacional usaram o espaço para marcar posição e garantir os 'cortes' perfeitos para as redes sociais.
Vereadores que nada influenciam o cenário nacional usaram o espaço para marcar posição e garantir os 'cortes' perfeitos para as redes sociais.

Como já era esperado, a sessão da Câmara de Campinas na noite desta quarta-feira (19) foi dominada pelo debate sobre a denúncia contra Jair Bolsonaro apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Mais uma vez, a polarização nacional ditou o tom, enquanto as demandas municipais ficaram em segundo plano, reduzidas a meros figurantes de um plenário transformado em ringue ideológico.

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O enredo já é conhecido: vereadores que nada influenciam o cenário nacional usaram o espaço para marcar posição e garantir os "cortes" perfeitos para as redes sociais. Tanto a direita quanto a esquerda falaram para suas bolhas, celebrando ou atacando a PGR e o governo Lula, enquanto Campinas esperava por discussões mais concretas sobre seus próprios problemas.

O resultado foi uma sessão longa, barulhenta e pouco produtiva, com 12 dos 18 vereadores que usaram a tribuna dedicando parte ou toda sua fala ao tema nacional. Somente depois do extenso embate político, o Legislativo conseguiu avançar na pauta municipal, aprovando em primeiro turno o projeto que cria o Fundo Municipal de Proteção Animal, de autoria do vereador Hebert Ganem (Podemos).

A outra pauta local de certa relevância foi retirada de última hora. O Programa Farmácia Solidária, projeto que permitiria a doação de medicamentos para pessoas em situação de vulnerabilidade. O texto, que estava previsto para votação, simplesmente saiu de pauta pelos próprios autores.

No final, o que deveria ter sido uma sessão dedicada a discutir políticas públicas reais para Campinas, virou mais um episódio de guerra ideológica entre bolsonaristas e petistas no plenário, com direito a discursos acalorados e pouca efetividade prática. A tendência já se desenhava desde o início da legislatura, e o que se viu ontem foi mais uma amostra de que a Câmara caminha para ser palco de disputas nacionais.

A “aliança”

Se há algo que a política campineira mostrou nesta semana é que a polarização pode unir até adversários históricos quando há um alvo em comum. O vereador Vini Oliveira (Cidadania) se viu no meio de um fogo cruzado entre Nelson Hossri (PSD), um dos principais nomes da direita local, e Mariana Conti (PSOL), liderança da esquerda na Câmara. O motivo? A retirada do pedido de CPI para investigar a suspeita de fraude no concurso da Rede Mário Gatti.

Nas redes sociais, Hossri e Conti não pouparam críticas ao novato. O bolsonarista postou um vídeo atacando a postura de Vini, enquanto sua antagonista política fez uma postagem no mesmo tom, destacando a incoerência do vereador ao recuar da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Sentindo o golpe, Vini contra-atacou no duramente no plenário e nas redes, tentando reverter a narrativa de que teria sido "acuado" pelo ambiente parlamentar e tentando justificar sua mudança de postura.

O vereador conseguiu uma rara “aliança” entre dois personagens do legislativo tão distintos e de tantos atritos.

  • Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.

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