
O prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), concedeu uma entrevista detalhada à Jovem Pan Campinas na qual abordou temas essenciais para a cidade, desde os gargalos na saúde até os impactos da economia nacional no orçamento municipal. Em um momento de transição para o novo mandato, o chefe do Executivo campineiro destacou a necessidade de articulação com o governo estadual para enfrentar desafios estruturais, ao mesmo tempo em que reiterou o compromisso de manter a estabilidade fiscal da cidade.
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Os problemas não são novos. Na verdade, podemos chamar de recorrentes A superlotação nos hospitais de Campinas não é novidade, e Saadi ressaltou que o problema vai além dos limites municipais. Com 20% a 25% dos atendimentos realizados para pacientes de outras cidades, a capital regional sofre com a demanda crescente, especialmente em pediatria e neonatologia, onde esse percentual chega a 35%.
A solução apontada pelo prefeito passa pela criação de um hospital metropolitano e pela ampliação de leitos de média e baixa complexidade nas cidades vizinhas. Segundo Saadi, o uso excessivo de hospitais como PUC-Campinas, HC da Unicamp e Ouro Verde para casos que poderiam ser atendidos em unidades menos complexas sobrecarrega o sistema e impede a otimização do atendimento.
"Há 20 anos, 70% dos recursos da saúde em Campinas vinham do governo federal. Hoje, esse percentual caiu para 25%, e ninguém fala disso", criticou, ressaltando que a cidade já ampliou sua rede própria, com a criação do Hospital Mário Gattinho, e busca agora apoio estadual e federal para novas unidades.
Já as recentes chuvas intensas voltaram a expor os pontos críticos de alagamento na cidade, como as avenidas Princesa do Oeste, Orozimbo Maia, Cartódromo e Curtume. Segundo o prefeito, a solução está em andamento, com obras já iniciadas na Princesa do Oeste e licitação em fase final para a construção do primeiro piscinão na Orozimbo Maia.
O modelo adotado para mitigar os impactos das chuvas inclui tecnologias inovadoras, como túneis para desvio de água e reservatórios subterrâneos. "As chuvas de hoje são mais intensas e concentradas. Os projetos antigos não servem mais", afirmou, garantindo que os investimentos planejados vão reduzir os transtornos nos próximos anos.
Outro tema recorrente é a licitação do transporte público, que ainda não saiu do papel. Saadi lembrou que a primeira tentativa não teve interessados, principalmente devido à obrigatoriedade de renovação da frota com ônibus elétricos, que chegam a custar até três vezes mais do que os modelos convencionais a diesel.
Para viabilizar a nova licitação, a prefeitura busca financiamento via PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), permitindo que o município subsidie parte dos custos e reduza as exigências para os concessionários. "Nós fizemos a licitação para uma frota eletrificada, mas não tivemos propostas. Agora, estamos ajustando para manter a meta ambiental, mas tornando o processo mais atrativo", explicou.
Sobre o BRT, Saadi se mostrou bem incomodado e rebateu as críticas pelo atraso na conclusão total do sistema. Segundo ele, a obra já estava funcionando parcialmente há anos e só agora teve sua finalização completa no Corredor Campo Grande, incluindo o trecho do Ipaussurama. "O BRT não foi uma obra que ficou parada. Ele já estava sendo utilizado há pelo menos três anos", pontuou.
Questionado sobre a política local e possíveis mudanças no secretariado, o prefeito rejeitou grandes reformulações, argumentando que a gestão foi validada pela população ao ser reeleita com quase 70% dos votos. "Se a população quisesse uma mudança, teria escolhido outro candidato", afirmou. Ainda assim, não descartou ajustes futuros dentro da lógica de gestão. PP e Podemos estão de olho para expandir sua relação com o Quarto Andar.
Por fim, Dário Saadi demonstrou preocupação com o cenário econômico nacional e seus reflexos na arrecadação municipal. "Se houver recessão ou alta da inflação, o impacto na arrecadação do município será inevitável. Nossa prioridade é manter as contas equilibradas e garantir investimentos essenciais", destacou.
A entrevista deixa claro que o prefeito tenta deixar uma marca de busca por parcerias para viabilizar projetos estruturantes e pela necessidade de driblar os desafios fiscais em um cenário de incertezas econômicas nacionais. Se conseguirá cumprir suas promessas e entregar soluções para problemas históricos de Campinas, só o tempo dirá.
Com atraso, Dário participa da abertura do ano legislativo
O prefeito de Campinas, Dário Saadi, participou, na noite de quarta-feira (5), da 2ª reunião ordinária da Câmara Municipal, saudando o início do ano legislativo e a nova legislatura, com vereadores eleitos e reeleitos no pleito municipal do ano passado.
Reeleito para um segundo mandato, Saadi iniciou sua fala abordando a situação financeira do município. “Nestes quatro anos de governo, nós fizemos uma gestão responsável do ponto de vista das finanças públicas e não tivemos problemas de desabastecimento por atrasos nos compromissos que a Prefeitura assumiu”, ressaltou.
O prefeito não esteve presente na 1ª reunião ordinária da Câmara, realizada na última segunda-feira, devido a um contratempo de última hora em sua agenda, comunicado previamente ao presidente da Casa.
CPI investiga suposto médico fantasma em Valinhos
A denúncia aponta que o profissional teria recebido mais de R$ 60 mil para plantões na UPA da cidade em 2023, sem ter comparecido ao trabalho. A investigação, que já está em andamento pelo Ministério Público desde o ano passado, ganhou repercussão após o prefeito Franklin Duarte de Lima (PL) divulgar um vídeo anunciando a demissão do médico.
A defesa do profissional nega as acusações, alegando que ele tem provas de que cumpriu suas funções e que sua demissão pode ter sido motivada por retaliação. Os advogados informaram ainda que irão protocolar uma queixa-crime contra o prefeito.
A CPI, presidida pelo vereador Vagner Alves (Republicanos) e com relatoria do vereador Rafa Marques (PL), terá um prazo inicial de 90 dias para concluir a apuração, podendo ser prorrogado. O pedido de investigação foi protocolado em janeiro com assinatura de 17 vereadores.
Os advogados do profissional afirmam que ele atuou como regulador de saúde em Valinhos e que seu desligamento pode ter sido motivado por medidas adotadas contra outros servidores que não estariam cumprindo corretamente suas funções.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.