CLIMA E EPIDEMIA

Aumento da temperatura pode elevar risco de dengue em Campinas

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação/PMC
A cidade de Campinas vive a maior epidemia de dengue de sua história, com 120.413 casos confirmados e 80 mortes
A cidade de Campinas vive a maior epidemia de dengue de sua história, com 120.413 casos confirmados e 80 mortes

Um estudo conduzido por pesquisadores da Unicamp, publicado em setembro na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, indica que a elevação das temperaturas pode ter um impacto direto na incidência de dengue em Campinas. O levantamento, divulgado no Jornal da Unicamp, revela que um aumento de 1°C nas temperaturas médias pode gerar até 40% mais casos da doença, acendendo um alerta para a necessidade de estratégias robustas de combate à dengue em tempos de aquecimento global.

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Assinado pelo doutorando Bernardo Geraldini e pelos professores Igor Cavallini Johansen e Marcelo Justus, o estudo utilizou modelos estatísticos para analisar dados mensais de casos de dengue registrados entre 2013 e 2022 pela Secretaria de Saúde de São Paulo e temperaturas médias mensais fornecidas pelo Cepagri da Unicamp. Os dados mostram que, enquanto não foi encontrada uma correlação significativa entre chuvas e o aumento de casos, a temperatura se revelou um fator decisivo na intensificação da doença.

Em um dos modelos apresentados, o aumento de 1°C na média histórica das temperaturas provoca um crescimento de 20% nos casos de dengue, sendo 12,4% no mesmo mês e 8,4% no mês seguinte. Em outro cenário, essa mesma variação pode gerar até 40% mais casos em um período de dois meses.

Impactos do Calor

O estudo evidencia como o calor acelera o ciclo de transmissão do mosquito Aedes aegypti, antecipando picos de casos. Segundo o professor Igor Johansen, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), o combate à dengue exige um compromisso de longo prazo. “Problemas de saúde pública como a dengue não se resolvem em uma única gestão. É necessário atuar em múltiplas frentes com uma perspectiva de longo prazo”, destaca Johansen.

O estudo também aponta para um desafio crescente com as mudanças climáticas, que tendem a ampliar as áreas suscetíveis ao mosquito. Com o avanço de áreas mais quentes, regiões anteriormente desfavoráveis ao desenvolvimento do Aedes aegypti podem passar a abrigar o mosquito, o que amplia os desafios de controle da doença.

A pior epidemia de Dengue em Campinas

A cidade de Campinas vive a maior epidemia de dengue de sua história, com 120.413 casos confirmados e 80 mortes registradas até o final de outubro de 2024, de acordo com o Painel Interativo de Arboviroses da Secretaria de Saúde de Campinas. Este surto, que teve início no começo do ano, superou amplamente o recorde anterior de 2015, quando foram registrados cerca de 65 mil casos e 22 óbitos.

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