PERFIL

Morta com 11 tiros pelo ex-namorado, Thaís iria fazer direito e viajar com a mãe

Por Thiago Rovêdo | Especial para Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo Pessoal
Thaís Fernanda Ribeiro foi morta com 11 tiros aos 21 anos
Thaís Fernanda Ribeiro foi morta com 11 tiros aos 21 anos

A jovem Thaís Fernanda Ribeiro, que havia completado 21 anos dois dias antes de ser morta com 11 tiros pelo ex-namorado, estava se preparando para  estudar direito e também fazer uma viagem com a mãe. O autor do crime, Lucas Henrique Siqueira Santana, passou por um novo juri popular na quinta-feira, 2, e foi condenado a 21 anos de prisão.

Thaís namorou o autor do crime por três anos, mas havia terminado o relacionamento. Ele nunca tinha dado sinais de violência, mas na noite do dia 10 de maio, ela foi até a casa do algoz, na região do Padre Anchieta, que a recebeu com 11 tiros. Na época, testemunhas afirmaram à Polícia Civil que antes dos disparos, Lucas aumentou o volume de um rádio para que vizinhos não ouvissem barulhos.

"Ela tinha entrado para trabalhar de caixa de supermercado, mas conseguiu uma promoção e foi trabalhar na tesouraria. Como o salário aumentou um pouco, ela começou a fazer os planos para ser advogada. A gente queria ajudar ela a pagar a faculdade, mas ela não aceitava isso e disse que iria fazer por conta própria", contou o pai de Thaís, Delfino José Ribeiro, de 57 anos.

Segundo contou Delfino, a filha estava em seus últimos dias de trabalho antes de sair de férias e também já tinha marcado planos. "Ela nunca tinha ido para São Paulo. Então ela pretendia passar um dia lá conhecendo a cidade e fazendo compras. Depois ela ia fazer uma viagem com a mãe. Não era nada muito longe, mas era uma coisa que ela queria fazer muito", lembrou.

Após o caso, a garota inspirou nome de praça, eventos anuais e até mesmo uma legislação municipal de Campinas foi criada por conta do crime, instituindo a Semana de Combate ao Feminicídio em Campinas. "Não é porque era minha filha, mas ela era uma menina de ouro. Caseira, gostava de ficar com a família. A gente sente falta dela todos os dias aqui", disse.

Novo juri
O autor do crime já foi condenado uma vez, em 2021, a 18 anos de prisão. O MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) recorreu, porque entendeu que o juri desconsiderou qualificadora do feminicídio. O recurso foi aceito pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), que marcou um novo julgamento.

O julgamento desta quinta-feira durou quase sete horas e a sentença foi definida pelo juiz da Vara do Júri Bruno Luiz Cassiolato por volta das 20h. Os jurados consideraram que houve a qualificadora para o feminicídio, ou seja, que a vítima foi assassinada por ser mulher. "Uma sensação de que dessa vez a justiça foi feita. O júri tomou a decisão correta e esperada pela sociedade", afirmou a advogada da família Ana Carolina Cavazza.

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