VIOLÊNCIA

Garota dos Amarais foi morta logo após fazer 21 anos; novo julgamento começa hoje

Por Thiago Rovêdo | Especial para Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo Pessoal
Thaís Fernanda Ribeiro foi morta com 11 tiros aos 21 anos
Thaís Fernanda Ribeiro foi morta com 11 tiros aos 21 anos

Thaís Fernanda Ribeiro completou 21 anos no dia 8 de maio de 2019. Ela namorava um rapaz havia três anos, mas eles terminaram. Ele nunca tinha dado sinais de violência, mas no dia 10 de maio, ela foi até a casa de Lucas Henrique Siqueira Santana, onde foi recebida com 11 tiros, que ceifaram sua vida. Após o caso, a garota inspirou nome de praça, eventos anuais e até mesmo uma legislação municipal de Campinas foi criada por conta deste caso. Nesta quinta-feira, 2, o autor do crime, já condenado a 18 anos, será julgado novamente.

Thaís foi morta em uma casa no CDHU do San Martin, na região dos Amarais, em Campinas. O autor não aceitava o fim do relacionamento. Ele foi preso no dia seguinte ao crime, em Santo André. "Aquele dia eu morri junto com a minha filha. Eu sempre trabalhei de forma honesta faço o máximo para que elas sejam mulheres de verdade, dei educação, faço tudo que posso por elas, para que a vida continue, floresça, não apague", afirmou Delfino José Ribeiro, pai de Thais e que tem mais duas filhas.

Na época, testemunhas afirmaram à Polícia Civil que antes dos disparos, Lucas aumentou o volume de um rádio para que vizinhos não ouvissem barulhos. O padre Antônio Rodrigues Alves, que também encampou a luta por justiça, ajudou a idealizar Espaço Renascer Thaís Vive, um canteiro da Avenida Comendador Aladino Selmi.

"A comunidade se apropriou do espaço público. Todo ano, especialmente no Natal, ele é enfeitado com luzes e mensagens que lembram de Thaís, e que também pedem o fim da violência contra mulher", disse.

Em dezembro do mesmo ano do crime, foi sancionada a lei 15.848, que estabeleceu a Semana de Combate ao Feminicídio em Campinas. “Essa lei é para dar respaldo contra atos de violência que sempre acontecem contra as mulheres. A semana é de combate, de luta, de resgate de vidas”, afirmou Delfino.

Julgamento
O autor do crime já foi condenado uma vez, em 2021, a 18 anos de prisão. O MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) recorreu, porque entendeu que o juri desconsiderou qualificadora do feminicídio. O recurso foi aceito pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), que marcou um novo julgamento.

De acordo com o órgão, hoje, a partir das 13h, estão previstos para serem ouvidas quatro testemunhas da acusação. Não há previsão para o término do novo julgamento.

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