Thaís Fernanda Ribeiro completou 21 anos no dia 8 de maio de 2019. Ela namorava um rapaz havia três anos, mas eles terminaram. Ele nunca tinha dado sinais de violência, mas no dia 10 de maio, ela foi até a casa de Lucas Henrique Siqueira Santana, onde foi recebida com 11 tiros, que ceifaram sua vida. Após o caso, a garota inspirou nome de praça, eventos anuais e até mesmo uma legislação municipal de Campinas foi criada por conta deste caso. Nesta quinta-feira, 2, o autor do crime, já condenado a 18 anos, será julgado novamente.
Thaís foi morta em uma casa no CDHU do San Martin, na região dos Amarais, em Campinas. O autor não aceitava o fim do relacionamento. Ele foi preso no dia seguinte ao crime, em Santo André. "Aquele dia eu morri junto com a minha filha. Eu sempre trabalhei de forma honesta faço o máximo para que elas sejam mulheres de verdade, dei educação, faço tudo que posso por elas, para que a vida continue, floresça, não apague", afirmou Delfino José Ribeiro, pai de Thais e que tem mais duas filhas.
Na época, testemunhas afirmaram à Polícia Civil que antes dos disparos, Lucas aumentou o volume de um rádio para que vizinhos não ouvissem barulhos. O padre Antônio Rodrigues Alves, que também encampou a luta por justiça, ajudou a idealizar Espaço Renascer Thaís Vive, um canteiro da Avenida Comendador Aladino Selmi.
"A comunidade se apropriou do espaço público. Todo ano, especialmente no Natal, ele é enfeitado com luzes e mensagens que lembram de Thaís, e que também pedem o fim da violência contra mulher", disse.
Em dezembro do mesmo ano do crime, foi sancionada a lei 15.848, que estabeleceu a Semana de Combate ao Feminicídio em Campinas. “Essa lei é para dar respaldo contra atos de violência que sempre acontecem contra as mulheres. A semana é de combate, de luta, de resgate de vidas”, afirmou Delfino.
Julgamento
O autor do crime já foi condenado uma vez, em 2021, a 18 anos de prisão. O MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) recorreu, porque entendeu que o juri desconsiderou qualificadora do feminicídio. O recurso foi aceito pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), que marcou um novo julgamento.
De acordo com o órgão, hoje, a partir das 13h, estão previstos para serem ouvidas quatro testemunhas da acusação. Não há previsão para o término do novo julgamento.