Entre os anos 80 e 90, uma turma de crianças se conhece, brinca, estuda e cresce na região dos DICs, em Campinas. O tempo passa, eles seguem a vida, mas uma fatalidade atinge dois dos colegas, que acabam morrendo. Enquanto ainda estava se despedindo dos amigos em um dos velórios, eles decidem que precisam celebrar a vida. Neste contexto, vai acontecer neste sábado, 21, uma festa deste grupo, que foi marcada após eles se encontrarem no velório e enterro dos antigos colegas.
André Ferreira Lisboa, conhecido como Rev, tinha 44 anos e estava morando em Votuporanga, quando teve um infarto e morreu no dia 2 de janeiro deste ano. No dia 9, após uma batalha contra uma anemia profunda, Daniel Ronchini Domingues, sempre chamado de Toco, teve uma falência múltipla de órgãos aos 44 anos. Estes dois velórios com menos de dez dias de diferença fizeram os amigos se reunir.
A "puxadora" do churrasco foi a professora de filosofia Roberta Oliveira, de 47 anos. Ela afirmou que achou injusto uma turma tão unida desde a infância se encontrar apenas para velórios e que era necessário celebrar a vida.
"O Rev eu conheci quando criança. Ele soltava pipa perto de casa junto com outro amigo. Era um grupo grande de amigos que brincava na rua e começaram a chegar crianças de outras ruas e o Toco foi isso. Com o tempo, a gente foi crescendo, cada um seguindo seu caminho e foi se separando. No funeral do Toco estavam lá muitos de nós e lá a gente comentou que não estava certo a gente se encontar para funeral, que precisamos celebrar a vida e marcamos esse churrasco", afirmou.
Daniel Ronchini Domingues, o Toco
O oficial de manutenção Ricardo Alexandre da Silva, de anos 43, afirmou que Rev foi o irmão que a vida deu. "Ele era o irmão que a vida me deu. Eu ensinei ele a nada e a dirigir", disse e completou que todos da Turma da Rua 14, como se chamavam, aprenderam e cresceram juntos e por isso é importante esta reunião.
"O Toco eu conheci desde o começo dos estudos. A gente jogava fliperama juntos e depois começamos a jogar WAR na Rua 14. A gente jogava na frente da casa da minha mãe. Nós aprendemos tudo da vida juntos. As coisas boas e ruins e a amizade continuou forte, mesmo com cada um seguindo seu caminho. É difícil conseguir conciliar uma data para que todos se encontrem, mas a gente tenta e agora vamos fazer", afirmou.
A professora Elisandra Camilo, de 47 anos, lembrou que conforme o tempo foi passando, o pessoal se reunia nem que fosse para assar uma batata e tomar vinho na rua. "A gente estudava na mesma escola e fazia esportes juntos. Na década de 90 a gente fazia muita fogueira e cozinhava batata e tomava vinho em volta da fogueira. Nessa época, eu conheci o Rev e o Toco, sendo que dele eu sempre fui mais próxima. O Toco eu tinha encontrado na eleição do segundo turno no final de outubro. Até conversamos um pouco e eu nem imaginava que era a última vez que falaríamos", disse.
André Ferreira Lisboa, o Rev
O grupo foi reavivado após os velórios acontecerem e as pessoas foram adicionadas novamente. Foi conversado entre eles uma melhor data - um dos colegas fez questão de pagar pelo espaço com churrasqueira e tudo mais. "A morte não separa. Ela une. De certa forma, nesse encontro do dia 21, tanto o Toco quanto o Rev estarão juntos com nós", lembrou Roberta.
Elisandra afirmou que o churrasco entre a turma será um momento de homenagem aos que se foram, mas também será uma forma de celebrar a vida. "Eu enxergo como um momento que vai nos fortalecer, manter vivo estes dois colegas que se foram ainda jovens. Vai ser um momento muito bom e para quem continua, vamos ser firme e forme e nos unir o máximo possível", finalizou.