OLHOS DE CPS

Paradinha rápida? Cuidado, você pode ser multado por uma câmera da CIMCamp

Por Luis Eduardo de Sousa | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 5 min
Luis Eduardo de Sousa/Sampi Campinas
Central de Monitoramento Integrada; sala onde as imagens são assistidas
Central de Monitoramento Integrada; sala onde as imagens são assistidas

De Sousas ao Campo Grande, de Berão Geraldo ao Ouro Verde: em qualquer lugar que o campineiro for, haverá uma câmera da Cimcamp (Central Integrada de Monitoramento de Campinas) o monitorando. Ficar longe dos "olhos" do município parece impossível e, de fato, quase é. Mas como funciona esse monitoramento na prática?

Motivada por essa curiosidade, a reportagem da Sampi foi até a central para entender como funciona o monitoramento e apurar boatos como "a câmera da Cimcamp filma até dentro do carro", ou ainda, "Campinas tem câmeras de reconhecimento facial em conluio com a China".

Uma coisa é fato: ninguém que cometer um crime na rua 13 de Maio, por exemplo, vai passar impune. No entanto, o monitoramento atua, de acordo com a direção, dentro dos limites éticos e legais. Ou seja, a Cimcamp só vai filmar dentro do seu carro "se for preciso".

O Grande Irmão está de olho em você 
A estrutura da central remete a uma ideia de "1984", livro de George Orwell que retrata uma sociedade vigiada por todos os lados. Isso porque a Cimcamp já soma mais de 500 câmeras "conveniadas" com pessoas jurídicas, de todos os cantos da cidade. Ou seja, mesmo que não haja uma câmera do município te monitorando, a da "casa da esquina pode estar", sendo assistida inclusive por um Guarda Municipal.

A ação faz parte do programa ‘Monitora Campinas’, lançado no ano passado. Qualquer empresa que queira pode ceder o acesso de sua câmera à Cimcamp, desde que tenha acesso a internet.

“Tendo acesso a todas as imagens de câmeras na parte externa, ou seja, voltadas para a via pública, a gente consegue ter acesso aqui também. Com o objetivo de monitorar qualquer tipo de ocorrência na cidade”, explica o diretor da Cimcamp, Paulo Campana. 


Estrutura
Em uma das salas, pelo vidro transparente é possível ver dezenas de servidores em seus computadores. Eles são de diferentes órgãos municipais: Defesa Civil, Guarda Municipal e Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), por exemplo. É neste espaço que chegam os chamados de ocorrência via telefone 153.

Quando uma ligação é direcionada à Guarda, um agente atende e indica a ocorrência para o monitoramento, que busca uma câmera naquele local e passa a averiguar.

Em outra sala, onde ficam os monitores com todas as imagens, o monitoramento é ostensivo. Guardas e agentes de mobilidade urbana ficam 24h por dia assistindo às câmeras e, ao menor sinal de que algo está fora do normal, as viaturas são acionadas.

“A Cimcamp funciona 24h por dia, 365 dias por ano. Todo colaborador que estiver na sala tem condição de fazer esse monitoramento. Claro que é um efetivo insuficiente, pois temos mais de 500 pontos de monitoramento. Mas o efetivo que nós temos fica voltado para uma área mais vulnerável, onde geralmente acontecem mais ocorrências”, explica a GM Eclesiana, que é coordenadora da central. 

Quando um crime ou uma atitude suspeita é identificada em tempo real, a Guarda desloca uma viatura até o ponto observado.

Posso tomar multa pela câmera? 
Sim! Se um motorista estaciona o carro em local irregular, por exemplo, a Emdec pode aplicar uma multa sem a necessidade de o agente da mobilidade urbana ir até o local. Isso significa que, àquela paradinha rápida que o "amarelinho" não está vendo, pode resultar em uma multa do "além".

“Se um veículo para em local irregular, trafega em corredor de ônibus, qualquer infração desta natureza, o agente aqui mesmo pela central consegue aproximar a câmera, tirar a foto do carro, da placa que diz que é proibido, da via e aplicar a multa.

A câmera filma dentro do meu carro? 
Se precisar, sim, mas o recurso só é usado em caso de ocorrência. No geral, a câmera da Cimcamp não fica o tempo todo vigiando carros alheios.

“Nós temos algumas câmeras com um alto índice de resolução. Então sim, a gente consegue entrar dentro de um veículo, de uma residência, mas, não tendo nenhum motivo, nenhum delito, nenhuma ação para que a Guarda faça isso, ela não vai fazer. Tudo aqui é auditável, então se o servidor fizer qualquer ação que não é compatível com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) ou com as normas internas, a gente consegue descobrir quem foi. Mas já entramos dentro do ônibus”.

Onde tem?
Uma pergunta mais fácil de responder seria "onde não tem?". Majoritariamente, as câmeras da própria Cimcamp se concentram na região Central. Mas com a cooperação do Monitora Campinas, a central passou a capturar imagens de Sousas, do Campo Grande, Barão Geraldo e uma centena de outros bairros.

Do município, tem câmera por exemplo na avenida Dr. Moraes Salles com Francisco Glicério, no Terminal Central, na Praça da Catedral e na rua José Paulino. 


Isso sem contar as câmeras de identificação de placas, posicionadas nas entradas e saídas da cidade. Essas são encontradas em avenidas como Lix da Cunha e Prestes Maia. Segundo o diretor, ninguém passa impune.

“Absolutamente todos os carros que passam na frente da câmera são fotografados. Se um carro foi roubado em uma cidade vizinha, assim que ele passar na frente do equipamento será disparado um chamado, e a gente vai saber que esse veículo passou por ali”, explica Paulo Campana.

Reconhecimento facial
Não há um consenso ético no Brasil sobre as câmeras de reconhecimento facial. Em Campinas, Campana admite que existem, mas segundo ele, não atuam diretamente e ainda estão em fase de testes. “Ainda não há um consenso sobre isso, por isso não usamos”, comentou.

Ajuda? 
Muito, diz a chefe da Guarda Municipal, comandante Lurdes.

“A Cimcamp é uma ferramenta a mais para a Guarda, e é claro que melhora o desempenho da corporação como um todo. Ajuda, além da segurança ostensiva, na segurança preventiva, de antecipar o que vai acontecer e evitar” comenta a comandante. 


Segundo Campana, alagamentos e desastres naturais também são observados pelo monitoramento. A central não tem, no entanto, uma média de quantas ocorrências são identificadas pela central diariamente.

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