As chuvas que atingiram Campinas nos 13 dias deste mês praticamente se igualaram com todo dezembro do ano passado. Além disso, de acordo com o Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), já choveu 82,34% nestes primeiros dias do esperado para todo o mês.
Além de árvores caídas e vias alagadas, a Prefeitura de Campinas tem problemas em CSs (Centros de Saúde), que estão sem atendimentos, escolas e até mesmo o Bosque dos Jequitibás precisou ser fechado por conta de queda de árvores nos locais.
Segundo o Cepagri, a média histórica aponta que Campinas teria uma precipitação de 202,8 mm (milímetros) em dezembro. No ano passado, o período registrou 168,1 mm. Nos 13 dias de dezembro já foram 167 mm - somente nas últimas 72 horas foram 54 mm. A previsão aponta que a partir desta quarta-feira, 14, o sol deve voltar a dar as caras na cidade.
"O que aconteceu no Estado foi um canal organizado de umidade e condições dinâmicas e termodinâmicas que favorecem a formação e desenvolvimento de nuvens profundas. Por isso, estão previstas chuvas regulares ou persistentes na região ao longo do dia", explicou Bruno Bayne, meteorologista do Cepagri.
Nesta terça
A Defesa Civil de Campinas informou que somente nesta terça-feira foram registradas 13 ocorrências, sendo sete alagamentos de imóveis nos bairros Jardim Rossim, Jardim São Pedro de Viracopos, Parque Residencial Vila União, Jardim Yeda, Jardim Planalto de Viracopos, Jardim do Lago Continuação e Jardim Guarani.
Foram registras também uma queda de muro, no bairro Bosque, e três quedas de árvores nos bairros Jardim Carlos Lourenço, Jardim Samambaia e na Vila Brandina, além de uma árvore com risco de queda no Jardim São Pedro. Um poste no bairro Botafogo também apresenta risco de queda.
Na Avenida Francisco de Angelis, uma feira livre que acontecia na parte da manhã ficou totalmente alagada, com parte das barracas quebradas pelo vento e caixas, frutas e outros insumos arrastados pela corredeira. A Setec (Serviços Técnicos Gerais), responsável pelo solo público, informou que não teve registro de feridos.
Enquanto isso, no Jardim do Trevo, na Rua Edmundo Navarro de Andrade, o Corpo de Bombeiros precisou ser acionado para resgatar um casal que ficou preso em uma kombi durante a enchente. Eles foram salvos em segurança e não tiveram ferimentos.
Problemas
Os CSs Orosimbo Maia e São Vicente estão fechados hoje. As duas unidades foram atingidas pela forte chuva no final da manhã de hoje e passarão por manutenção. As equipes do CS Orosimbo Maia serão deslocadas para os CSs Paranapanema e Santa Odila. Já as do São Vicente estarão no CS Esmeraldina.
"As consultas agendadas estão sendo desmarcadas. Os demais serviços serão realizados nas unidades para onde os trabalhadores foram direcionados. A expectativa é de que os dois centros de saúde sejam reabertos até o final da semana", informou a prefeitura através de nota oficial.
As chuvas também derrubaram, novamente, uma parte do muro do Cemitério da Saudade. Esta é a segunda queda que acontece no local, já que no final de março cerca de 20 metros de construção vieram abaixo em um dia ensolarado e sem vento.
Os CEIs (Centros de Educação Infantil) Perseu Leite de Barros, no Centro, Maria Batrum Cury, na Vila Perseu Leite de Barros e a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Leonor Savi Chaib, no Jardim New York, tiveram atividades suspensas.
Foram registradas 17 ocorrências de alagamento de imóveis, 11 quedas de árvores, três quedas de muros e dois em risco de queda. A Prefeitura de Campinas está com equipes mobilizadas em todas as áreas para atender as ocorrências relacionadas às chuvas.