Criado em 11 de fevereiro de 2017, o serviço Corujão foi a primeira tentativa de implantar uma rede de transporte coletivo que percoresse as 24 horas do dia em Campinas. Operando apenas de meia-noite até às 5h, foram criadas 10 linhas para percorrer os principais pontos da cidade.
Pouco tempo depois, as que iam para o Alphaville e Jardim Esmeraldina foram extintas, por conta da baixa demanda. E o sistema se estabilizou com oito itinerários, que deveriam ser feitos pelas empresas. Mas, como nenhuma tinha micro-ônibus na frota (e continua não tendo até hoje), foi feito um acordo com a cooperativa Altercamp, que operacionaliza as linhas e recebe os valores de subsídio e passagens.
A pandemia obrigou a interrupção do serviço, já que não havia mais circulação noturna em Campinas. Em abril de 2021, a prefeitura retomou a operação. Mas, tirando essa alteração, o sistema foi deixado 'quieto no canto' pelos presidentes que passaram pela Emdec e os secretários de transportes.
Carlos José Barreiro (hoje na Infraestrutura), Vinícius Riverete (que foi secretário e hoje é presidente da Emdec) e Fernando de Caires (atual secretário de Transportes) deixaram o Corujão do jeito que ele estava. E isso pode explicar os índices positivos alcançados pelo sistema.
Os dados exclusivos obtidos pela Sampi Campinas sobre movimentação de passageiros em outubro de 2019 e outubro de 2022 mostram que mais pessoas passaram a utilizar a rede noturna.
Há três anos, 10.224 passageiros utilizaram as oito linhas do sistema. Já em 2022, o número passou para 11.924.
Apenas duas linhas tiveram redução no número de passageiros. A 199, que liga o Vida Nova ao Terminal Mercado (redução de 2,57%), e a 339, que faz o trecho entre a Cidade Universitária e o Terminal Mercado (queda de 16,4%).
A que mais surpreendeu no levantamento foi a linha 299, que liga o Nova Aparecida ao Terminal Mercado. De 629 passageiros que passaram pela catraca do ônibus em outubro de 2019, o número saltou para 1.079 este ano, alta de 71,54%.
Para o especialista em mobilidade urbana Fábio Ferraz, a retomada das atividades noturnas, com o apoio de uma nova legislação que dá alvará para que os bares e restaurantes possam ficar até mais tarde, e uma certa 'regularidade' nas linhas do Corujão são explicações para o 'sucesso' do serviço.
"Os ônibus que circulam no serviço são exclusivos, tem até pintura diferente. Então, eles sofrem menos desgaste que os outros carros. Aí, a cooperativa ou o dono da permissão conseguem dar uma atenção maior para evitar quebras. Isso já é algo positivo: o usuário sabe que o veículo vai estar lá. Os horários não foram alterados praticamente desde a criação, o que é outra garantia para o passageiro", exemplifica.
O Corujão tem partidas do Terminal Mercado às 0h50, 2h20, 3h40 e 5h, e fazem os seguintes caminhos:
- 179 - Jardim São Domingos
- 199 - Vida Nova
- 289 - Parque Itajaí IV
- 309 - Parque Cidade
- 339 - Cidade Universitária
- 399 - Sousas
- 489 - Parque Jambeiro