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Mesmo com queda geral, algumas linhas de Campinas conseguiram atrair mais passageiros

Por Felipe Pereira | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 4 min
Acervo pessoal/Luciano Roncolato
Linha 131, que liga o Terminal Vida Nova ao Corredor Central, carregou mais passageiros em 2022 que em 2019
Linha 131, que liga o Terminal Vida Nova ao Corredor Central, carregou mais passageiros em 2022 que em 2019

Apesar de praticamente todas as regiões da cidade de Campinas terem registrado quedas de até 30% na movimentação de passageiros no transporte público, algumas linhas específicas registraram desempenho positivo e até surpreendente, segundo levantamento exclusivo feito pela Sampi Campinas, com base nos dados de bilhetagem, na comparação entre os meses de outubro de 2019 e de 2022.

Na região do Vida Nova, duas linhas tiveram alta de passageiros na comparação com três anos atrás: a 130 e a 131.

As duas ligam o Terminal Vida Nova ao Corredor Central, mas tem características distintas: a 130 é semiexpressa, parando em apenas alguns pontos, enquanto a 131 é paradora.

Em 2019, a 130 existia, mas ligava apenas o Terminal Vida Nova ao Terminal Central, de forma expressa, sem paradas no caminho. Naquele ano, 44.913 passageiros utilizaram a linha. Já em 2022, o número saltou para 60.679, aumento de 35,1%.

A decisão de mudar o atendimento veio no ano passado, para 'emular' a operação do BRT, que vai ter uma linha paradora e uma semiexpressa, apesar dos corredores terem sido abandonados pela metade pela construtora que faliu, e ainda não haver um prazo para o lançamento da licitação da nova empreiteira que vai terminar o trecho entre o Vida Nova e o Jardim Morumbi.

Já a linha 131 teve um salto expressivo na quantidade de passageiros, apesar da porcentagem menor (25,51%). Foram 220.173 pessoas transportadas em outubro de 2019, contra 276.350 este ano.

"O surgimento de novos condomínios residenciais na Avenida Camucim, em um trecho que não havia nada em 2019, por exemplo, aumentou claramente a demanda da região. A obra do BRT, que ampliou a avenida para seis faixas, contra duas que existiam antes, ajudou a dar vazão no tráfego, e as mudanças implantadas na 130 e 131 também foram determinantes para esse aumento", pontua o engenheiro de trânsito e especialista em mobilidade urbana Antônio Carlos Prates.

Mesmo com esses pontos positivos, o especialista questiona a demora para que os ônibus cumpram o trajeto. A obra do BRT naquele trecho previa desapropriações para criar uma faixa a mais por sentido no final da Avenida Ruy Rodrigues, no trecho que corta o Jardim Shangai, Vista Alegre e Recanto do Sol.

Mas, no meio do caminho, por determinação do então secretário de transportes Carlos José Barreiro, citando a dificuldade de se fazer acordos para a desapropriação, a mudança não aconteceu. 

Hoje há apenas duas faixas por sentido, sendo uma delas para o BRT. Mesmo exclusivo para os ônibus, quando o trecho foi 'inaugurado' incompleto, em 2019, nenhum coletivo circulava lá, por causa dos pontos de parada. O vereador Rodrigo da Farmadic (União Brasil) então pediu à prefeitura que a exclusividade das faixas fosse desfeita, o que aconteceu também no trecho da Rua Piracicaba, que também deveria ter sido ampliada.

"Infelizmente isso não vai mudar mais. Talvez quando o BRT comece, a Emdec determine que as faixas sejam exclusivas nos horários de pico. Enquanto isso, há concorrência dos ônibus com os carros, que tornam a viagem ainda muito demorada", complementa Prates.

Crescimento também no Campo Belo

Os dados da região do Campo Belo e Aeroporto de Viracopos mostram crescimento na quantidade de passageiros em três linhas: 187, 188 e 192. As duas primeiras surpreenderam Antônio Carlos Prates, pois são consideradas 'alimentadoras' do Aeroporto.

A 187, que liga o São Domingos ao terminal aeroportuário, teve 15.683 passageiros em outubro de 2019. Este ano, saltou para 22.678 -- alta de 44,6%.

A 188, que faz o caminho até o Jardim Fernanda, registrou aumento de 13,58% -- de 10.835 em 2019 para 12.306 este ano.

As duas operam com apenas um ônibus em cada, com intervalos de 50 minutos.

"É de fato algo a se analisar, porque são linhas que demoram muito para passar. O que pode explicar isso é a geração de empregos que Viracopos proporciona para os moradores daquela região. A retomada as atividades aeroportuárias e o fato de Campinas ser o principal ponto logístico de movimentação de carga fazem diferença nisso", acredita.

Prates explica que os intervalos das linhas poderiam ser melhorados se fossem colocados micro-ônibus. Dois, por exemplo, derrubariam o tempo de espera para 25 minutos, aumentando a oferta, mesmo tendo menos lugares que um ônibus convencional.

A Emdec não tem nenhum planejamento nesse sentido, e a VB Transportes, que opera as duas linhas, não tem micro-ônibus na frota. No novo edital, são previstas as seguintes linhas:

  • 8801 - Aeroporto / Jardim Santa Maria (atendido pela 188 hoje)
  • 8901 - Aeroporto / Estação Parque Prado via Jardim Fernanda (atendimento novo, absorvendo parte da 188)
  • 8902 - Aeroporto / Estação Parque Prado via São Domingos (atendimento novo, absorvendo a 187)

Já no caso da 192, não há surpresas, segundo o especialista. A movimentação de passageiros subiu 4,06% em três anos, de 129.988 em 2019 para 135.269 em 2022. A linha, que liga o Campo Belo e a Vila Diva ao Corredor Central, teve acréscimo de frota este ano, e é operada pela cooperativa Cooperatas.

"A região cresceu demais nesses últimos anos, e é um local em que, sabidamente, o transporte público é a única opção mais viável. Então vejo como natural esse aumento", complementa.

A nova licitação ainda prevê a continuidade da linha, com prefixo 8014, só que parando no Terminal Central.

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