O levantamento diário feito pela Fundação Seade, ligada ao governo do Estado de São Paulo, aponta que o número de casos de Covid-19 ainda não voltou a subir nas 42 cidades de abrangência do Departamento Regional de Saúde 7, que incluem Campinas, Jundiaí e Bragança Paulista. A variação foi até negativa. Apesar de não ter sido registrado o aumento no número de casos, as internações cresceram nos últimos dias.
As 42 cidades que compõem o DRS-7 (Departamento Regional de Saúde 7) tem, desde março de 2020, 750.923 registros positivos de covid-19. Nos últimos 14 dias, foram 51 casos a cada 100 mil habitantes. A variação negativa foi de 32,6%.
A média móvel se manteve entre 130 casos confirmados por dia nesta semana. Nos últimos dias de outubro, o número subiu para 340.
As mortes por Covid-19 ou complicações causadas pela doença subiram 23,1% nos últimos dias. Desde o início da pandemia, a DRS-7 registrou 17.665 óbitos. Nos últimos 14 dias, foram duas mortes a cada 100 mil habitantes.
As 42 cidades de abrangência do departamento tiveram crescimento de 43,6% nas internações nos últimos dias. Até esta quinta-feira, 10, data da última atualização do sistema da Fundação Seade, 262 pessoas estavam em leitos de enfermaria ou UTI com suspeita ou confirmação de covid-19.
A ocupação dos leitos de enfermaria está em 20,7% nas cidades da região. Enquanto isso, as Unidades de Terapia Intensiva estão 27% ocupadas.
Testes positivos voltaram a crescer em laboratórios
Os dados divulgados pelo boletim de síndromes respiratórias da prefeitura, na última segunda-feira, já indicava aumento nos testes positivos de Covid-19. O número subiu de 2% na penúltima semana de outubro para 6% nos últimos dias do mês passado.
Movimentação parecida também foi registrada em laboratórios particulares. O DMS Burnier, por exemplo, registrou aumento de 20% nos resultados positivos nas últimas semanas.
Segundo o biomédico Alexandre Veronez, existem alguns fatores que podem estar levando para este aumento: a baixa adesão da cobertura vacinal (especialmente na 3ª e 4ª dose), um maior número de aglomeração e o fim da obrigatoriedade do uso de máscara de proteção facial, por exemplo.1-
"Duas novas cepas do vírus, a BQ.1 e a XBB, que surgiram a partir da variante Ômicron, são potencialmente mais resistentes à vacina e têm crescido em circulação. Ainda que não há casos registrados na região, o fato de uma morte já ter sido confirmada em São Paulo deixa um alerta", explica.
Apesar do risco de aumento de casos, o biomédico não acredita que a mesma situação registrada em 2020 volte a ser registrada -- alto número de mortes e leitos superlotados. "Hoje já conhecemos o vírus, os sinais e sintomas da doença e já desenvolvemos a vacina. Seria praticamente impossível voltar à estaca zero", acrescenta.