CPI DA PROPINA

Empresário diz que perdeu contrato em 2014 após negar propina a Campos Filho

Por Felipe Pereira | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/TV Câmara Campinas
Empresário Danilo Palma presta depoimento para a CPI da Propina, e afirma que Valter Greve cobrou R$ 50 mil de propina em 2014
Empresário Danilo Palma presta depoimento para a CPI da Propina, e afirma que Valter Greve cobrou R$ 50 mil de propina em 2014

O empresário Danilo Palma, que foi um dos sócios do Grupo Mais, empresa que participou de uma licitação para a administração da TV Câmara de Campinas, ganhou, mas foi desclassificada, confirmou nesta quarta-feira, 9, que o contrato não foi assinado porque se recusou a pagar R$ 50 mil em propina cobrada pelo então presidente do Legislativo, Campos Filho (DEM).

A afirmação foi feita durante o depoimento dado à CPI da Propina, que investiga a cobrança de valores na renovação e assinatura de contratos terceirizados na Câmara durante a gestão do ex-presidente Zé Carlos (PSB), que renunciou ao cargo após as denúncias feitas pelo irmão de Danilo, Celso Palma, virem à tona.

O depoimento do irmão foi pedido pela comissão depois que Celso comentou, durante a fala dele, há duas semanas, que Danilo também teria se recusado a pagar propina em 2014, quando respondia pelo Grupo Mais. O objetivo da CPI é ter um conhecimento de 'contexto' das situações ocorridas na Câmara.

Nesta quarta, Palma deu detalhes de como aconteceu o pedido, que foi feito por Valter Greve, assessor de Campos Filho. Greve hoje é presidente da Ceasa, nomeado pelo prefeito Dário Saadi (Republicanos).

Foi durante uma reunião no prédio do Legislativo, no bairro Ponte Preta.

"Valter Greve me conduziu bem na saída, em uma sala. Eu entrei nela junto com ele. Nisso, ele compartilhou comigo que Campos Filho sairia candidato a deputado estadual em 2014, e que precisava de uma ajuda, que eu o ajudasse. Nisso, também comentou que meu contrato seria assinado. Nessa ajuda, Greve fez um sinal de cinco com a mão, e falou que precisaria de R$ 50 mil. Eu neguei", disse.

Depois disso, o assessor se despediu, saiu, e o empresário também deixou a Câmara. Danilo reforçou que o pedido de dinheiro não foi comentado por Campos Filho em nenhum momento. Tudo era via Valter Greve.

Dias depois, via Diário Oficial, descobriu que a empresa havia sido desclassificada. Danilo disse que não fez a denúncia ao Ministério Público por 'falta de maturidade', apesar de ter consultado o MP sobre o que poderia ser feito.

O empresário contou que perdeu contratos com algumas outras empresas que foram procuradas pela Câmara. Segundo Palma, na entrega de documentos, foram feitas diligências para confirmar se a papelada entregue pelo Grupo Mais eram verdadeiros, durante a fase de análise técnica. "Nunca vi diligências assim", completou.

Palma considerou que a desclassificação foi "a maior decepção da vida dele", e que deixou o comando do Grupo Mais em 2018 -- informação que também foi relatada por Celso Palma, quando foi para uma assessoria de uma secretaria do Estado de São Paulo.

A TV Costa Norte, que estava em segundo lugar, foi declarada vencedora do pregão, e comandou a operação da TV nos quatro anos seguintes.

Valter Greve nega qualquer pedido de propina. Campos Filho também nega participação no esquema, e disse que, no período que foi presidente, devolveu R$ 50 milhões para a prefeitura.

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