RODRIGO VILLALB

Técnico eletrônico até os 28 anos, campineiro realiza o sonho de ser fotógrafo das Copas

Por Henrick Borba | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Rodrigo Villalba fez parte da cobertura da final da Copa do mundo de 2018.
Rodrigo Villalba fez parte da cobertura da final da Copa do mundo de 2018.

Técnico eletrônico até os 28 anos, Rodrigo Villalba tinha um sonho: se tornar fotógrafo esportivo. Hoje, aos 45 anos, o campineiro não apenas fotografa as competições, mas representa o fotojornalismo de Campinas e do Brasil nas maiores competições de futebol do mundo. Seu próximo destino: a Copa do Mundo no Qatar.

 “Gostava muito da fotografia esportiva, via a revista Placar, os sites de futebol e falava ‘um dia eu vou trabalhar com isso aí, um dia eu vou ser fotógrafo”, conta. O sonho foi realizado. Rodrigo, que é autoditada, já fez a cobertura fotográfica das últimas duas Copas do Mundo, de 2014; no Brasil, e 2018, na Rússia.

Mas o começo não foi nada fácil. “Em 2009, eu comprei uma câmera e comecei a fotografar campeonatinho de rua, mas o meu foco era fotografar futebol profissional. Nisso eu descobri que tinha que ser fotojornalista. Então, eu comecei a estudar e consegui o diploma de jornalismo”, relata.

Rodrigo começou fotografando campeonatos pequenos, como os A2, Campeonato Paulista, até chegar no Brasileirão, onde fotografava os times de Campinas, Ponte Preta e Guarani, até chegar nos grandes de São Paulo. Ele sempre ofereceu muito material para emissoras e canais esportivos, chegando até uma final de Libertadores. Foi ganhando nome e se estabelecendo entre as referências no fotojornalismo.

Evolução tecnológica
Ele também conta como a evolução da tecnologia e o avanço dos equipamentos ajudaram a diminuir os perrengues da vida de fotógrafo. “Até 2014, uma das maiores dificuldades era que não tinha como transmitir as fotos, a internet era péssima, então acabava o jogo e não dava pra enviar nada”, disse. “Teve uma vez que eu estava cobrindo um jogo do Guarani, lá em Varginha, os jornais, Globo Esporte, todos esperando as imagens e não tinha internet em lugar nenhum. Tive que sair correndo, entrar em um hotel, pagar para eles e conseguir enviar as fotos”, lembra.

Apesar dos avanços profissionais, Rodrigo ainda enfrenta desafios. Para ele, uma das maiores dificuldades é ser reconhecido profissionalmente e comercialmente. “Você expõe um equipamento muito caro e o retorno é muito difícil, as agências baixaram muito os valores da foto. Então, eu por exemplo, só estou fazendo competições internacionais e nacionais de renome”, relata.

A Copa do Mundo é uma das, se não a, maior competição internacional do mundo. Existe uma grande responsabilidade ao cobrir, pela terceira vez, um evento deste tamanho. “Ela é única. São os melhores em todas as áreas, os melhores gramados, estádios, jogadores, profissionais de imprensa. É uma responsabilidade muito grande, mas é o auge da carreira, principalmente fotografar uma final de Copa do Mundo. É o auge do auge”.

Como os jogadores que costumam dedicar seus gols a pessoas queridas, Rodrigo também definiu para quem vai dedicar seu trabalho na Copa do Qatar. Ele vai dedicar todas as fotografias da Copa para uma grande amiga, Lanna Miranda. “Agradeço muito a ela por todo apoio que ela deu e está dando pra mim”, comenta.

Exposição em Campinas
Uma grande mostra dos seus trabalhos está sendo exposta no saguão da Prefeitura Municipal de Campinas, com a exposição “Campineiros na Copa do Mundo”, que permanece até dia 15 de novembro, com abertura às 10h.

A exposição conta sobre os trabalhos de Rodrigo nas últimas copas, com suas imagens mais reconhecidas. Sendo uma delas, a com maior destaque, o aperto de mão entre dois jogadores, um negro e um branco, que reforça o combate ao preconceito e ao racismo.

A foto do campineiro Rodrigo Villalba que ganhou o mundo

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