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Greves já pararam Campinas 12 vezes desde 2009; relembre todas

Por Felipe Pereira | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução de vídeo
Mobilização da chapa 1, que concorre à presidência do Sindicato, paralisou Terminal Ouro Verde; movimentos acontecem sistematicamente
Mobilização da chapa 1, que concorre à presidência do Sindicato, paralisou Terminal Ouro Verde; movimentos acontecem sistematicamente

O Sindicato dos Rodoviários de Campinas é Região é responsável pelos funcionários que trabalham em Campinas, Indaiatuba, Paulínia, Valinhos, Jaguariúna, Amparo, Santo Antônio de Posse, Artur Nogueira, Serra Negra, Águas de Lindóia, Lindóia, Pedreira e Cosmópolis.

A luta pelo poder, que passou por uma eleição cancelada e outra marcada por discussões e até ameaças de morte, é algo antigo.

Com 950 filiados, é um dos que mais tem força na região de Campinas. Diversas paralisações já foram motivadas pela diretoria sindical nos últimos anos, geralmente em tempos de negociação salarial.

Porém, a disputa interna pelo poder também provocou atos que prejudicaram a população.

16 de maio de 2009
Manifestantes foram à garagem da VB3 (na época, no Bonfim) e ao Terminal Central para incitar a paralisação da categoria. A justificativa dada para a manifestação foi a de que as empresas não estariam interessadas em negociar a pauta de reivindicações apresentada, mas a ação foi feita com objetivo de dar visibilidade à nova diretoria, comandada pelo opositor José Júlio dos Santos, escolhido após a prisão de Matusalém.

7 de maio de 2009
A Transurc (Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas), que representava as empresas na época, foi surpreendida pela decisão do Sindicato dos Rodoviários de anunciar uma greve para o dia 11. As companhias e os sindicalistas estavam em pleno período de negociação, reuniões e debates.

15 de novembro de 2011
Mais de 1.400 motoristas e cobradores (função que ainda existia na cidade) da VB 1 atrasaram em três horas e meia a saída dos ônibus. O sindicato alegou que a empresa estaria descumprindo cláusulas do acordo coletivo. Auditoria feita pela empresa comprovou que não havia nenhuma irregularidade;

11 e 12 de dezembro de 2011 
A oposição do sindicato paralisou a VB1 no dia 11, antecipando uma ação dos diretores da entidade, que ameaçaram paralisar a empresa no dia 13. Para não perder espaço diante dos trabalhadores, a chapa da situação paralisou a mesma empresa no dia 12

23 de março de 2012
Manifestantes atrasaram o início da operação na VB3, das 6h30 às 7h30, sob alegação de que queriam melhorias nas condições de infraestrutura nos terminais de ônibus

10 de maio de 2012 
A tentativa da criação de um novo sindicato da categoria, formado pelos dissidentes opositores de Matusalém de Lima, motivou a paralisação por cinco horas dos ônibus da VB3. Até mesmo os colaboradores da garagem foram pegos de surpresa, sem saber o motivo de serem impedidos de trabalhar. O movimento ocorreu porque membros do Sindicato dos Rodoviários não permitiram a realização do que seria a assembleia oficial do novo sindicato, no dia anterior. A ação foi uma represália.

16 de maio de 2012
A greve da categoria foi marcada, mas não sem confusão. O motivo era a reinvidicação salarial -- a paralisação seguiu as regras da Lei de Greve, com publicação 72 horas. Houve confusão no dia. Motoristas que queriam sair com ônibus foram xingados e agredidos. Três coletivos da VB1 foram apedrejados. Da frota de 1.234 veículos que a cidade tinha, apenas 66 saíram.

9 de agosto de 2013
Uma paralisação na VB3 foi motivada pela troca do plano de saúde. A greve durou dois dias. Doze trabalhadores, ligados ao sindicato dissidente, foram despedidos por justa causa.

9 de maio de 2014
Mais uma paralisação na VB 3, que concentrava, na época, uma segunda força paralela ao sindicato. Dias antes, alguns integrantes do movimento foram demitidos, porque a empresa havia detectado uma paralisação, sem que a negociação salarial tivesse sido encerrada. Além da recontratação, os demais trabalhadores pediam novos cargos e o retorno de cobradores em algumas linhas que operavam sem esta função (todos foram retirados meses depois). Ônibus que tentavam sair da garagem eram apedrejados.

29 de agosto de 2014
Um novo protesto paralisou a região central de Campinas. O Sindicato dos Rodoviários cobrava melhores condições de trabalho, como a criação de um banheiro e um refeitório exclusivo para os funcionários no Terminal Central, e a expansão da antiga Estação de Transferência Moraes Salles (hoje apenas uma série de pontos de ônibus). Às 8h, em pleno horário de pico, o Viaduto Miguel Vicente Cury foi tomado por coletivos. A manifestação foi encerrada no final do dia.

7 de outubro de 2015
Uma crise financeira no grupo que administra a VB Transportes (que opera nas áreas 1 e 3 de Campinas) provocou uma sequência de atrasos nos salários e benefícios. Motoristas da VB 1 paralisaram as atividades após às 14h, e seguiram sem operar por dois dias, até que os pagamentos fossem realizados. Matusalém de Lima era o presidente do sindicato.

11, 12 e 13 de janeiro de 2016
Ainda em crise, a VB Transportes não 'conseguiu' pagar os salários em dia, o que motivou novas paralisações. Primeiro na VB3, e depois na VB1.

11 de janeiro de 2017
Mais uma vez os trabalhadores da VB1 entraram em greve por causa dos atrasos nos salários. O problema foi solucionado no dia seguinte.

Em 2018, os ônibus deixaram de circular em Campinas por causa da greve dos caminhoneiros. Sem combustível, veículos parados nas ruas eram comuns, até que não havia mais condição (nem diesel) para garantir a operação.

No ano seguinte, houve a comunicação de greve, mas o movimento foi cancelado horas antes após acordo entre a categoria e as empresas. Em 2020 e 2021, não aconteceram paralisações - exceto a redução de horários por causa da pandemia.

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