O grande primeiro passo para a investigação de supostos esquemas de propinas em contratos da Câmara Municipal começou nessa segunda-feira, 17, em encontro com membros da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e Ministério Público. Na reunião, o MP garantiu que vai disponibilizar grande parte do material aos vereadores, como os áudios já legendados.
O presidente da comissão, Paulo Gaspar (NOVO), disse que foi solicitada cópia do que for possível, já que o Ministério Público investiga há tempos os contratos da Câmara. Segundo o vereador, só não será compartilhado aquilo que estiver sob segredo de justiça, mas que “maioria do processo é público”.
“Eles vão encaminhar um link para a gente, talvez até nesta terça-feira mesmo. Vamos baixar todo esse material, estudar essa semana toda e a partir da semana que vem a gente começa as oitivas”, falou Gaspar.
O vereador ressaltou que além dos áudios, as suas descrições (legendas) são importantes, já que muitos trechos são inaudíveis e seria necessária a contratação da perícia para transcrevê-los. "Essa disponibilidade de ajudar (do MP) está sendo ótima".
Oitivas
Quatro nomes já estão listados para serem ouvidos pelos membros da CPI: Celso Palma, empresário que fez a denúncia sobre o suposto esquema de propina; Marcelo Silva (PSD), vereador que recebeu a denúncia; Zé Carlos (PSB), vereador alvo da investigação e Rafael Creato, advogado de Zé Carlos.
Além de Paulo Gaspar, mais seis vereadores fazem parte da CPI: Major Jaime (PP), Paulo Bufalo (PSOL), Paolla Miguel (PT), Higor Diego (Republicanos), Luiz Cirilo (PSDB) e Carmo Luiz (PSC). Eles confirmarão nesta quarta-feira, 19, o início das oitivas, que devem ser confirmadas já para a próxima segunda-feira, 24.
Afastamento
O vereador Zé Carlos, presidente da Câmara, anunciou em setembro o afastamento das atividades por 30 dias. A decisão foi tomada após a repercussão e divulgação dos áudios gravados em uma conversa entre ele e o empresário Celso Palma, onde sinalizam supostos pedidos de vantagem em contratos da TV Câmara.
Para Paulo Gaspar, o afastamento foi necessário. “Foi ótimo. Não tem clima para ele estar aqui participando. Tinha que ser afastado mesmo, para não coagir, não pressionar ninguém”, disse.