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Alunos relatam casos de discriminação em universidade de Campinas; MP investiga

Por Luis Eduardo de Sousa | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Vista aérea da PUC-Campinas
Vista aérea da PUC-Campinas

Depois que áudios com mensagens xenofóbicas de supostos alunos da PUC-Campinas viralizaram, universitários relataram à Sampi que se sentem “inseguros e com receio” de estar entre alguns estudantes. O assunto veio à tona após a votação recebida pelo candidato à presidência Luis Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições: nos áudios vazados, alunos que seriam do curso de direito xingam e ameaçam um estudante nordestino. O MPSP (Ministério Público de São Paulo) abriu um inquérito para investigar o caso, que segundo alguns alunos, não é o único (leia mais abaixo).

O caso integra um polêmico histórico envolvendo alunos da universidade. Em agosto, áudios da mãe de uma suposta aluna xingando um colega da filha viralizaram no Twitter. O assunto ficou entre os mais comentados do país. Nas gravações, a mulher chama o estudante de ‘entregador de gás’ e ‘maconheiro’ e ‘filho da p***’. Ela conclui dizendo que a filha era rica e não devia se misturar com o aluno pobre.

Em um outro caso, em 2019, a polêmica também envolveu um aluno de direito, que teria imitado um macaco enquanto uma aluna negra recitava um poema. O MP também entrou no caso e os alunos foram suspensos.

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Estudante de Ciências Sociais, Kadmiel Henrique dos Santos, 25, diz que evita ir no prédio da faculdade de direito. Ele, que é negro, está no último ano do curso. “Eu não gosto de ir lá, tem esses olhares de cima à baixo e eu não me sinto bem, comentou”.

Melissa Silva, 33, faz parte da comunidade Lgbtqia+, e relata ter sofrido transfobia de uma funcionária da universidade. Ela contou que fez uma transmissão ao vivo em sua rede social, onde expôs o acontecido, e foi processada pela funcionária.

“Eu sofria transfobia recorrentes, então eu não me sinto segura no ambiente universitário, não me sinto, de verdade. É uma bolha, a PUC diz que toma medidas para promover a igualdade, mas eu não vejo”, comentou.


A Sampi entrou em contato com a estudante que foi vítima no caso em 2019, mas ela não quis se manifestar.

O que diz a PUC?
Questionada sobre os casos citados na reportagem e sobre as políticas de promoção de igualdade, a universidade disse que realizou atividades de orientação com os alunosque existe um grupo especializado em escuta ativa, formado por alunos, professores e profissionais especializados e que as denúncias estão sendo apuradas.

Leia a íntegra da nota enviada pela universidade:
“Quanto ao caso do racismo, em 2019, houve a apuração por uma sindicância aberta na PUC-Campinas, que, posteriormente, cumpriu as medidas determinadas pelo Ministério Público. Os alunos envolvidos foram penalizados, especialmente com suspensão de todas as atividades acadêmicas. Além disso, foram organizadas inúmeras atividades preventivas e de conscientização, como conversas, palestras com alunos, docentes e corpo técnico administrativo.

Em relação ao caso que teve repercussão nas redes sociais entre a mãe de uma aluna e um aluno, a PUC-Campinas informa que nenhum estudante, na ocasião, procurou a Universidade sobre o assunto. Assim, não houve registro oficial do ocorrido.

Sobre o último caso, a Universidade abriu uma sindicância para avaliar quais serão as medidas adequadas. A PUC-Campinas defende uma sociedade justa e fraterna, o que inclui o respeito às origens e às culturas diversas que compõem a nação brasileira.

A Universidade mantém o Grupo de Vivência Cooperativa e Solidária, formado por estudantes e docentes treinados em escuta ativa, com suporte de profissionais especializados. O grupo acolhe os interessados em partilhar situações de conflito e sofrimento existencial. O grupo está à disposição do corpo discente para acolhimento em reuniões semanais. Além disso, a ouvidoria da universidade está à disposição da comunidade interna e externa”.


Investigações

Em resposta à Sampi, o MP confirmou a abertura de um inquérito para apurar os casos de xenofobia. No despacho, assinado pelo Promotor de Justiça Daniel Zuliman, o MP deu 10 dias para que a PUC forneça "informações preliminares e esclarecimentos imprencindíveis para a devida deliberação". O prazo termina no dia 16.

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