Praça das Águas: amada por skatistas, área está com os dias contados

Por Luis Eduardo de Sousa | Especial para a Sampi
| Tempo de leitura: 3 min
Luis Eduardo de Sousa/Sampi
Faixa nas grades da praça mostra a indignação dos moradores com a 'morte' da praça
Faixa nas grades da praça mostra a indignação dos moradores com a 'morte' da praça

Atualizada às 12h10

Quem anda de skate em Campinas conhece bem a Praça das Águas. O espaço na Ponte Preta, entre as Ruas Álvaro Ribeiro e Abolição, na verdade se chama Praça Carlos Zara e se tornou o espaço mais popular para quem pratica o esporte na cidade. Mas, após anos de prosperidade, o espaço está com os dias contados.

“Vi nascer a praça e agora estou vendo morrer”, lamenta o skatista Henrique Alves, 35, que pratica o esporte há 20 anos. Ele conta que ajudou a construir os primeiros obstáculos com pedaços de madeira e ferros velhos da linha férrea próxima à praça. 

O local deve abrir espaço para um reservatório de água potável da Sanasa (entenda abaixo). Em nota conjunta emitida em abril deste ano, a autarquia e a Secretaria de esportes afirmaram “entender o lamento dos moradores, mas que a transformação é um ganho para toda a população”.  

Troca injusta?  
Questionada, a Prefeitura de Campinas afirmou que a interdição do espaço foi negociada com a associação de skatistas da cidade e uma nova pista construída na Lagoa do Taquaral. Mesmo assim, skatistas da região não acham a troca justa, já que a praça é mais próxima ao Centro. Logo, mais acessível. 

“É o único pico (sic) que tem central na cidade. O resto é tudo afastado ou é em bairro, ou no Taquaral, que é uma região mais nobre, né? A gente fica triste de saber que o lugar tem o risco de ser desativado. Eu não tenho condição de ir no Taquaral todo dia, nem a molecada que vem aqui, então o que vai acontecer? Vai todo mundo voltar a andar na rua”, comentou Henrique.

Comerciantes do entorno também são entusiastas da praça. Ewerton Pereira, 46, tem uma loja de artigos religiosos na Rua Álvaro Ribeiro e vê vantagens para o negócio. “Pra mim, seria interessante que a Praça permanecesse, ela traz visibilidade para a minha loja, traz clientes, né? (sic). O pessoal que vem andar às vezes acaba comprando alguma coisa. Então eu não gostaria que tirasse a praça”, lamentou.  

Como começou 
A Praça Carlos Zara foi inaugurada em 1891. De acordo com a Prefeitura, tem capacidade para três milhões de litros de água, em um reservatório que vai pertencer à Sanasa.

Em meados de 2010, passou a ser frequentada por skatistas da região, que começaram a montar os obstáculos e consagraram o lugar como “pico de skate”. Em 2014, sob gestão do então prefeito Jonas Donizetti, o local teve os obstáculos reformados, troca do piso, iluminação e bebedores.

Atualmente, os bebedores foram desativados. Frequentadores relatam ainda que a iluminação foi desativada, o que tornou a praça perigosa. Além do skate, a praça conta com um playground infantil, que está abandonado, e com uma quadra de basquete 3x3.

A Sanasa
Segundo a Sanasa, "a retirada da pista de skate da Praça das Águas é necessária porque no local será construído um reservatório de água potável com capacidade para armazenar 6 milhões de litros. A Praça das Águas foi o único espaço viável tecnicamente para a construção do reservatório, que proporcionará mais segurança hídrica para os bairros próximos", informou em nota enviada à redação.

Ainda segundo a nota, o processo de licitação para a construção está em andamento e as obras devem começar em cerca de dois meses. Mas, para os apaixonados pela praça, uma alento: "No local, apenas a pista será retirada, o restante dos equipamentos, entre eles a quadra de basquete e a igrejinha, será mantido".

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