O ex-secretário municipal de Governo de Bauru Renato Purini está sendo transferido para a Penitenciária 2 de Potim, no Vale do Paraíba, Interior de São Paulo. A mudança de unidade prisional ocorre após a prisão preventiva dele, em 16 de outubro, durante uma nova fase das investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP), que apura um esquema fraudulento na formulação da concessão do lixo urbano da cidade. A penitenciária de Potim é a mesma onde o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ficou preso no primeiro semestre deste ano.
Marido da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), Purini foi preso em uma ação que também incluiu mandados de busca e apreensão na residência do casal e nas dependências da Prefeitura. Logo após a detenção, no dia 16 passado, a Justiça manteve a prisão, e ele foi encaminhado inicialmente ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.
A transferência para a unidade de Potim representa uma nova etapa da custódia do ex-secretário. Ele é investigado no âmbito das apurações sobre possíveis irregularidades na estruturação e na condução da concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos urbanos (lixo) de Bauru, licitação que não chegou a ser realizada.
Até o momento, a transferência de unidade prisional não altera, por si só, a situação jurídica do investigado nem representa julgamento definitivo sobre as suspeitas.
Entenda o caso
A prisão de Renato Purini ocorreu em fase posterior à primeira etapa, batizada de Operação Cavalo de Troia, investigação que apura suspeitas de fraude em procedimentos relacionados à concessão dos serviços de coleta, tratamento e destinação de resíduos sólidos em Bauru.
O contrato em investigação foi estimado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões, com prazo previsto de 30 anos. O caso envolve suspeitas de direcionamento da licitação e possíveis pagamentos ilícitos relacionados à tramitação do projeto e à participação de agentes públicos e representantes de empresas.
A nova etapa da operação foi desencadeada após a análise de materiais apreendidos na primeira fase, realizada em setembro. Segundo informações divulgadas sobre a investigação, mensagens extraídas de celulares recolhidos pelos investigadores teriam indicado a possível participação de outros agentes públicos e particulares.
Na primeira fase, a operação resultou na prisão de sete pessoas, entre elas integrantes ou ex-integrantes da administração municipal e representantes de empresas relacionadas ao setor de resíduos sólidos. As apurações também alcançaram suspeitas de articulações para favorecer interesses privados na concessão.
Em 16 de outubro, o Gaeco voltou a cumprir mandados em Bauru, incluindo buscas na Prefeitura e na residência de Purini. A ação resultou na prisão do então secretário de Governo, que foi posteriormente exonerado do cargo pela prefeita.
A Prefeitura informou, na ocasião, que não havia sido oficialmente comunicada sobre todos os detalhes da operação e que permanecia à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A apuração continua em andamento. As suspeitas investigadas não equivalem a uma condenação, e a responsabilidade criminal dos envolvidos depende da análise das provas e das decisões judiciais.