EM JAÚ

Policial suspeito de matar ex a tiros era alvo de buscas, diz PM

Por Lilian Grasiela | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução/redes sociais
Gabriela Martins da Silva, de 32 anos, morreu um dia depois de registrar boletim de ocorrência (BO) contra o policial militar Leonardo Alencar Gomes, de 39 anos
Gabriela Martins da Silva, de 32 anos, morreu um dia depois de registrar boletim de ocorrência (BO) contra o policial militar Leonardo Alencar Gomes, de 39 anos

Jaú - A Polícia Militar (PM) informou, nesta quarta-feira (7), em nota, que o policial militar Leonardo Alencar Gomes, de 39 anos, preso em flagrante no último dia 30 de setembro, em Jaú (47 quilômetros de Bauru), suspeito de matar a tiros Gabriela Martins da Silva, 32 anos, e balear uma amiga dela, de 34 anos, estava sendo procurado pela corporação desde o dia anterior ao crime em razão de denúncias de agressões contra ela e outra pessoa. A vítima, que mantinha um relacionamento com o agente, possuía medida protetiva de urgência contra ele, que havia sido desrespeitada.

Na nota, assinada pela major Letícia Marestoni, subcomandante do 27.º BPM/I, a PM diz que manifesta profundo pesar pela morte da mulher e pelos ferimentos causados a sua amiga na ocorrência envolvendo o policial militar. De acordo com a corporação, no dia 29 de setembro, um dia antes do crime, equipes foram acionadas pelo Copom para atender a uma denúncia de agressão envolvendo o PM e sua ex-namorada.

"Ao chegarem ao endereço indicado, constataram que os envolvidos não estavam mais no local. Informados de que a vítima havia se dirigido ao plantão da Polícia Civil, os policiais deslocaram-se até a unidade. Na delegacia, a vítima relatou ter sofrido agressões, assim como um acompanhante, e informou possuir medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro. A vigência da medida protetiva foi confirmada nos sistemas policiais", afirma.

"Tratando-se o autor das agressões de um policial militar, foram iniciadas diligências ininterruptas visando à sua localização. As buscas se estenderam por toda a madrugada até a manhã de segunda-feira (30), quando a corporação tomou conhecimento de nova ocorrência, na qual o policial militar havia realizado disparos de arma de fogo contra a ex-namorada, que foi atingida e faleceu no local, enquanto a outra mulher ficou ferida".

Ainda conforme a nota, posteriormente, o policial militar apresentou-se voluntariamente na sede da 1.ª Cia do 27.º BPM/I e foi conduzido à autoridade de Polícia Civil para as providências legais cabíveis. "A Polícia Militar repudia veementemente toda forma de violência contra a mulher e ressalta que a condição de policial militar não afasta, sob nenhuma hipótese, a responsabilização pelos atos praticados", pontua.

"A Instituição colaborará integralmente com as investigações e adotará todas as providências de sua competência para a rigorosa apuração dos fatos. Neste momento de profunda dor, a Polícia Militar expressa sua solidariedade aos familiares da vítima e à mulher ferida".

Relembre o caso

Conforme divulgado pelo JCNET/Sampi, o crime ocorreu na última quarta-feira (30), por volta das 8h30, na avenida Lauro Fraschetti, entre o Jardim Juliana e Residencial Cidade Alta, em Jaú. Um vídeo gravado por trabalhadores de uma obra registrou o momento em que o carro onde estavam Gabriela e amiga dela, um Fiat Mobi, é "fechado" pelo veículo do policial militar, um Corsa.

Após os disparos, o atirador foge e a amiga de Gabriela sai do automóvel pedindo socorro. Ela foi socorrida por populares e levada à Santa Casa. Já Gabriela teve o óbito constatado no local. A Polícia Científica foi acionada para realizar a perícia.

A reportagem apurou que a mulher levada ao hospital foi atingida por quatro disparos na região abdominal e passou por cirurgia. Três projéteis teriam ficado alojados em seu corpo e a retirada dos mesmos, em razão das regiões onde se encontram, representaria um risco. A paciente já teve alta e se recupera em casa.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que o PM foi preso em flagrante após se entregar na 1.ª Cia do 27.º BPM/I e admitir ser o autor dos disparos. "A arma utilizada foi apreendida e encaminhada à perícia", informou. "A Polícia Militar abriu procedimento administrativo e vai instaurar Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta do policial".

Ainda conforme apurado pelo JCNET/Sampi, a vítima já havia registrado boletins de ocorrência contra o suspeito em fevereiro, por perseguição, com pedido de medida protetiva de urgência; e em março, por descumprimento da ordem judicial.

Dias depois, ela teria solicitado a revogação da medida protetiva após retomar o relacionamento com o PM e formalizado retratação quanto à representação criminal pelo delito de perseguição. Em julho, um novo BO foi registrado, desta vez por injúria, com novo pedido de medida protetiva de urgência.

O último BO foi registrado por Gabriela no dia 29 de setembro, um dia antes dela ser morta, por lesão corporal e descumprimento de medida protetiva. Na ocasião, ela não teria aceitado acolhimento junto à Casa da Mulher. O policial responde por feminicídio e tentativa de feminicídio.

A defesa do policial militar, representada pela advogada Joice Vanessa dos Santos, da JV Advocacia Militar, informou que está acompanhando o caso e prestando o devido auxílio perante as autoridades competentes. "Diante do estágio inicial das apurações, qualquer manifestação aprofundada sobre a dinâmica ou justificativas dos fatos é precoce", declarou em nota. "Os esclarecimentos necessários e a motivação do ocorrido serão formalmente apresentados no decorrer da investigação criminal, no fórum adequado, e com o devido respeito ao contraditório".

Em entrevista coletiva recente, ela revelou que seu cliente é casado há 17 anos e tem filhos e afirmou que o relacionamento entre ele e Gabriela era extraconjugal, conturbado, e que acompanhava a situação dos dois desde fevereiro. Segundo Joice, desde o início, foram registrados boletins de ocorrência e solicitadas medidas protetivas envolvendo o PM e a vítima.

Conforme a advogada, o policial não possui histórico de comportamento agressivo dentro da corporação e não responde a inquéritos anteriores. Joice manifestou solidariedade à família de Gabriela, mas também pediu respeito à família do policial, que, segundo ela, igualmente sofre com o ocorrido. De acordo com ela, Leonardo demonstrou arrependimento e colaborou com as investigações desde o momento em que se apresentou às autoridades.

O policial encontra-se no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. Em depoimento, ele alegou que estava a caminho do trabalho, após sair da casa da irmã, quando se deparou com Gabriela. Segundo a versão apresentada à defesa, foi nesse momento que ocorreu o crime. A advogada afirma que o caso não teria sido premeditado.

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