EMEII ETELVINA

Mães dizem que filhos urinam de medo antes das aulas em Bauru

Por Bruno Freitas | da Redação
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Divulgação
Mães procuraram a polícia para relatar marcas de apertões promovidas por um auxiliar da unidade de ensino
Mães procuraram a polícia para relatar marcas de apertões promovidas por um auxiliar da unidade de ensino

Depois de o JC/JCNET noticiar que os servidores municipais de Bauru paralisaram as aulas da Escola Municipal de Ensino Infantil Integral (Emeii) Etelvina de Araújo Almeida, na Vila Garcia, nesta terça-feira (6), por motivos de insegurança, um grupo de mães de alunos com idades de 4 e 5 anos procurou a reportagem para relatar que, na verdade, os que estão inseguros são os alunos, devido a maus-tratos. Duas das mães disseram que os filhos chegam a "urinar nas calças", de medo de um auxiliar que trabalha na unidade de ensino. O JC/JCNET teve acesso a estes boletins de ocorrência. Algumas crianças estão com hematomas nos braços e na orelha, cujas fotos foram anexadas a estes documentos de investigação. “Meu filho não é indisciplinado, ele é neurodivergente”, desabafa a mãe (veja abaixo).

Segundo informações das mães que procuraram a Polícia Civil de Bauru, este auxiliar de ensino, cujo nome será preservado pela reportagem, faz apertões nos braços e nas orelhas das crianças quando elas não obedecem, como, por exemplo, a recusa delas de comer e de dormir no horário programado.

Segundo os servidores municipais da Emeii Etelvina de Araújo Almeida, há bastante tempo os trabalhadores estão lidando com um aluno que apresenta muita indisciplina, além da mãe dele, que seria agressiva com os trabalhadores, de acordo com eles. “Essa mãe já invadiu a nossa escola, mesmo com medida protetiva contra ela, e machucou o punho (pulso) de uma professora, que precisou procurar atendimento médico. O que a gente pede é que esse aluno seja transferido para outra unidade de ensino próxima de sua casa. Vaga nós sabemos que temos. Só precisamos que a Secretaria de Educação resolva isso e traga paz e segurança para nós exercermos a nossa profissão. Não aguentamos mais”, desabafou uma das docentes da Emeii Etelvina. A mãe citada pela professora foi ouvida pelo JC/JCNET.

"NEURODIVERGENTE, E NÃO INDISCIPLINADO"

A mulher afirma que o filho dela, de 5 anos, não é indisciplinado ou mal-educado, mas sim neurodivergente. “Ele tem diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e também transtorno opositivo-desafiador (TOD)”, diz ela. O TOD afeta o comportamento infantil e é marcado por um padrão persistente de raiva, irritabilidade, desafio e hostilidade contra figuras de autoridade. A mãe fala que, na Emeii Etelvina de Araújo Almeida, os profissionais não estão preparados para este tipo de condição e o tratam como rebelde ou indisciplinado.

Ainda segundo esta mãe, ela conseguiu reverter judicialmente a medida cautelar que a proibia de se aproximar da escola. “Ainda existe, sim, a medida para eu não me aproximar da diretora. A gente que é mãe fica nervosa, né, ao ver o filho voltar da escola machucado, com medo, urinado de pavor, e ainda relatando maus-tratos. Mas na escola eu estou autorizada a entrar, sim, judicialmente, tenho o documento expedido pelo juiz. O que nós, mães, queremos, e temos um grupo enorme mobilizado, é que a Secretaria de Educação tome providências quanto à retirada desse auxiliar agressor da Emeii. A diretoria não faz nada e até já procurei o Conselho Tutelar”, frisou a mãe que foi acusada de ser agressiva, mas que afirma estar apenas revoltada com a situação e defendendo a integridade do filho de 5 anos.

“A escola chegou a questionar se meu filho é autista mesmo. Ele usa até o cordão (de identificação). Já passou pelo novo Centro TEA de Bauru, pelo Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e está com encaminhamento para passar pela Sorri-Bauru para obter um diagnóstico mais preciso, para apontar o grau de autismo dele (tipo 1, 2 ou 3)”, finaliza ela.

NOTA DA PREFEITURA

A Secretaria de Educação informou à reportagem, no início da manhã, que os pais e responsáveis pelos alunos estão sendo orientados pela equipe escolar sobre a situação e o atendimento na unidade. “A mobilização ocorre após episódios envolvendo a mãe de um aluno, que teria agredido a diretora da escola e também se envolvido em agressões contra professores. Diante dos fatos, a diretora adotou as medidas judiciais cabíveis, solicitando uma medida cautelar, e a Secretaria Municipal da Educação acompanha o caso e vem tomando todas as providências que estão dentro das atribuições legais do município”, diz a primeira nota enviada pela Educação.

A prefeitura foi acionada novamente sobre as queixas de maus-tratos. Em nota, o Município informou que tomou conhecimento de denúncia envolvendo a conduta de um servidor da Emeii Etelvina de Araújo Almeida e determinou a imediata e rigorosa apuração dos fatos. "Todas as ocorrências serão investigadas de forma individualizada, responsável e imparcial, com adoção das providências administrativas cabíveis e encaminhamento aos órgãos competentes, sempre com prioridade absoluta à proteção da criança e à segurança da comunidade escolar. Por envolver criança, outras informações serão preservadas neste momento, em respeito à legislação e à proteção dos envolvidos", finaliza o texto.

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