ELEIÇÕES 2026

Bauru tenta transformar força eleitoral em representação no dia 4

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru chega às eleições de 2026 novamente diante de uma questão que se repete há décadas: a cidade conseguirá transformar seu peso eleitoral (277.515 aptos ao voto) em representantes próprios na Assembleia Legislativa de São Paulo e na Câmara dos Deputados?

A resposta dependerá de uma combinação de fatores que vai muito além da votação obtida pelos candidatos dentro do município. O histórico das cinco últimas eleições gerais mostra que Bauru já conseguiu eleger deputados estaduais em diferentes momentos, mas enfrenta uma dificuldade persistente para transformar candidaturas locais em cadeiras, sobretudo, na Câmara Federal. Também evidencia que votações expressivas dentro da cidade, isoladamente, não garantem eleição.

Em 2026, o cenário apresenta uma diferença em relação aos pleitos mais recentes: o número de candidaturas ligadas a Bauru diminuiu. Depois de 36 nomes disputarem vagas de deputado estadual e federal em 2022, a cidade chegou a setembro deste ano com 23 candidaturas — 13 para deputado federal e 10 para deputado estadual, segundo levantamento publicado pelo JC/JCNET após desistências de dois candidatos.

A redução pode diminuir a fragmentação dos votos, mas não significa, por si só, que haverá concentração suficiente para produzir representantes. A história recente mostra comportamentos bastante diferentes de uma eleição para outra. A falta de lideranças expressivas é um dos fatores.

Em 2006, Bauru elegeu Pedro Tobias para a Assembleia Legislativa, enquanto nenhum candidato local chegou à Câmara Federal. Tobias obteve 228.242 votos em todo o Estado, a segunda maior votação entre os candidatos paulistas naquele pleito. Para federal, Rodrigo Agostinho foi o mais votado entre os candidatos ligados à cidade, com 35.294 votos em Bauru, mas não conseguiu a eleição.

O resultado daquele ano já expunha um problema que permaneceria nas eleições seguintes: a dispersão dos votos para deputado federal. Em Bauru, mais de 77 mil votos foram distribuídos entre candidatos de outras cidades, enquanto 666 nomes receberam pelo menos algum voto no município.

Em 2010, Pedro Tobias voltou a ser eleito para a Assembleia, com mais de 198 mil votos no Estado. Entre os candidatos a deputado federal, Carlos Octaviani recebeu 52.740 votos e não foi eleito. Dr. Raul, em sua primeira disputa, obteve 16.272 votos em Bauru. O próprio histórico da eleição mostrava como a votação necessária variava de acordo com a legenda e a composição partidária. O pleito de 2014 foi o ponto de maior representação local no período analisado. Bauru elegeu dois deputados estaduais: Pedro Tobias, com 164.261 votos no Estado, e Celso Nascimento, com 79.447. Nenhum candidato local foi eleito para a Câmara Federal.

Tobias recebeu 37.003 votos em Bauru; Fábio Manfrinato teve 27.206 na cidade e Clodoaldo Gazzetta alcançou 36.600 votos locais para federal, mas terminou como quarto suplente, com 48.836 votos no Estado.

O dado mais revelador daquele pleito está na distribuição dos votos. Dos 175.486 votos válidos para deputado federal em Bauru, 85.205 foram para candidatos de fora, ou 48,5%. Na disputa estadual, a participação dos candidatos de outras cidades foi de 33,6%. A eleição de 2018 produziu o episódio mais expressivo da história recente de Bauru na disputa federal. Rodrigo Agostinho recebeu 80.519 votos na cidade, equivalentes a 44,41% dos votos válidos para deputado federal em Bauru. No Estado, chegou a 100.179 votos e foi eleito. O resultado demonstrou que uma votação municipal extremamente concentrada pode servir como ponto de partida para uma candidatura competitiva em todo o Estado.

Na disputa estadual, entretanto, Bauru não elegeu representante. Dr. Raul recebeu 29.138 votos na cidade e Fábio Manfrinato, 36.712, mas nenhum dos dois conquistou cadeira. O contraste entre as duas disputas é importante: Bauru mostrou capacidade de produzir uma votação local excepcional para federal, mas não conseguiu repetir o fenômeno para a Assembleia.

2022: A PERDA DA REPRESENTAÇÃO

Quatro anos depois, o cenário mudou. Em 2022, Bauru voltou a ter um deputado federal eleito, mas não um representante novo da cidade: Capitão Augusto foi eleito pelo quociente partidário pelo PL. Rodrigo Agostinho, então deputado federal e candidato à reeleição, recebeu 42.422 votos em Bauru, mas terminou como suplente. Dr. Raul teve 27.181 votos para deputado estadual e também ficou como suplente.

A votação dos candidatos locais, porém, mostrou forte dispersão. Segundo levantamento publicado pelo JCNET, excluindo Rodrigo Agostinho, os candidatos ligados a Bauru para deputado federal somaram apenas 47.809 votos na cidade. Para deputado estadual, os candidatos locais somaram 31.103 votos.

Outro levantamento sobre o resultado de 2022 mostrou que 51,67% dos votos válidos para deputado federal em Bauru foram destinados a candidatos de fora, enquanto na disputa estadual 53,25% dos votos foram para candidatos ligados à cidade. O resultado é emblemático: mesmo sendo um dos maiores colégios eleitorais do interior paulista, Bauru não conseguiu converter seu eleitorado em representação própria.

OS (AS) CANDIDATOS (AS)

Entre os nomes que disputam a Câmara Federal estão Eduardo Borgo, Dr. Raul, André Maldonado, Rodrigo Agostinho, Capitão Augusto, Natalino da Pousada, Dário Dudario, Ricardo Amantini Filho, Adriana Perfeito, Graziela Galvão, Anilde Branca e Paulo Lago. Para a Assembleia, estão Junior Rodrigues, Estela Almagro, Junior Lokadora, Anderson Prado, Lúcia Rosim, Thaís Viotto, Poeta, Thiago Lira, Marcela Afonso e Ivo Leite.

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