COLUNISTA

A palavra de Deus encontra o terreno do nosso coração

da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A liturgia deste 15º domingo do tempo comum nos convida a refletir sobre a força da Palavra de Deus e sobre a maneira como a acolhemos em nossa vida. A primeira leitura apresenta uma belíssima comparação feita pelo profeta Isaías: "Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam sem antes irrigar e fecundar a terra, assim a palavra que sair de minha boca não voltará para mim vazia". (Is 55,10-11). Deus nos garante que sua Palavra nunca é inútil. Ela sempre produz frutos. A questão é: em que tipo de terreno ela está caindo?

No Evangelho (Mt 13,1-23), Jesus conta a conhecida parábola do semeador. O semeador é generoso. Ele não escolhe apenas um lugar para lançar a semente; espalha-a por todos os lados. Assim é Deus. Ele oferece sua Palavra a todos, sem distinção. Entretanto, os resultados dependem da disposição de quem a recebe. A semente é sempre boa; o problema pode estar no terreno.

O primeiro terreno é à beira do caminho. Jesus explica: "Todo aquele que ouve a Palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração". (Mt 13,19). Trata-se do coração endurecido, fechado à ação de Deus. Quantas vezes ouvimos o Evangelho distraídos, preocupados apenas com os compromissos do dia ou presos aos nossos próprios pensamentos? A Palavra entra por um ouvido e sai pelo outro. É como uma semente que cai sobre o asfalto: não consegue penetrar.

O segundo terreno é o pedregoso. Jesus afirma que representa quem acolhe a Palavra com entusiasmo, mas não cria raízes; diante das dificuldades, abandona o caminho (Mt 13,20-21). É a fé baseada apenas na emoção. Enquanto tudo vai bem, a pessoa participa, reza e demonstra alegria. Porém, basta surgir uma doença, uma crise familiar, uma decepção ou uma perseguição por causa da fé, e ela desiste. Uma planta sem raízes não resiste ao calor do sol. Também o cristão precisa aprofundar sua vida espiritual por meio da oração, da leitura da Bíblia, dos sacramentos e da perseverança. A fé amadurece justamente quando atravessa as provações.

O terceiro terreno é o que está cheio de espinhos. Jesus explica que os espinhos representam "as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza". (Mt 13,22). Aqui não falta terra nem falta semente; o problema é que outras coisas ocupam espaço demais. Quantas pessoas desejam seguir Jesus, mas vivem totalmente absorvidas pelo trabalho, pelo dinheiro, pelas redes sociais, pelo consumismo ou pela busca incessante de sucesso? Não são coisas necessariamente más, mas, quando ocupam o primeiro lugar, sufocam a Palavra de Deus. O coração fica tão cheio de preocupações que já não encontra tempo para rezar, participar da comunidade ou cultivar a vida interior.

Por fim, Jesus fala da terra boa: "A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto". (Mt 13,23). A terra boa não é um coração perfeito, mas um coração disponível. É aquele que escuta, medita, procura colocar a Palavra em prática e permite que ela transforme suas atitudes. Os frutos aparecem na paciência, na honestidade, no perdão, na solidariedade, na fidelidade à família, no serviço à comunidade e no amor ao próximo. Nem todos produzirão a mesma quantidade de frutos - uns trinta, outros sessenta, outros cem por um -, mas todos são chamados a frutificar.

A primeira leitura (Is 55,10-11) nos enche de esperança. Deus afirma que sua Palavra sempre realiza aquilo para o qual foi enviada (Is 55,11). Mesmo quando parece que nada está acontecendo, ela continua trabalhando silenciosamente no coração das pessoas. Quantas conversões começaram com uma única frase do Evangelho ou com uma homilia escutada anos antes! A Palavra de Deus possui uma força transformadora que supera nossas limitações.

Que cada um de nós peça ao Senhor a graça de preparar diariamente o terreno do coração por meio da oração, da escuta atenta das Escrituras e da prática do Evangelho. Assim, a semente lançada por Cristo encontrará uma terra fértil e produzirá abundantes frutos de santidade, de paz e de amor, para o bem da Igreja, da família e de toda a sociedade.

 

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