INVESTIGAÇÃO

Motorista de aplicativo vai à polícia e nega importunação sexual

Por Vitor Moretti | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Vitor Moretti
Luciana Pistori, delegada responsável pelas investigações, concedeu entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (2) e disse que gravação da vítima foi essencial
Luciana Pistori, delegada responsável pelas investigações, concedeu entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (2) e disse que gravação da vítima foi essencial

O motorista de aplicativo de 68 anos investigado por suspeita de importunação sexual contra uma passageira de 25 anos durante uma corrida realizada na manhã de segunda-feira (1º), em Araçatuba, prestou depoimento na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) no fim da manhã desta terça-feira (2), acompanhado de advogado.

Segundo a delegada responsável pelo caso, Luciana Pistori, o homem foi identificado após a Polícia Civil encaminhar um ofício à plataforma de transporte por aplicativo. Durante o depoimento, ele negou parcialmente as acusações e apresentou uma versão diferente da relatada pela vítima.

“Ele negou parcialmente os fatos. Alegou que os dois estariam combinando um programa sexual mediante pagamento e que o trecho gravado não representa todo o contexto do que teria acontecido dentro do veículo”, afirmou a delegada durante entrevista coletiva.

Ainda de acordo com a polícia, o aplicativo não registrava imagens da viagem no momento dos fatos. Conforme explicado pela delegada, a gravação do trajeto dependeria de ativação prévia pelo próprio motorista, o que não ocorreu. Para a investigação, o vídeo registrado pela passageira teve papel importante na apuração.

“Ela teve uma sagacidade muito grande, porque, muitas vezes, a vítima fica tão nervosa que não consegue raciocinar e começar a gravar. Essa gravação foi muito importante”, avaliou Luciana Pistori.

Ao deixar a delegacia, o motorista foi abordado pela reportagem, mas preferiu não comentar o caso. A ocorrência é investigada como importunação sexual, crime cuja pena pode chegar a cinco anos de prisão.

Defesa nega acusação

O advogado do motorista, Maycon Mazziero, também falou com a imprensa e afirmou que a defesa contesta a acusação.

“Aquele vídeo representa apenas um trecho do diálogo ocorrido dentro do veículo. Houve uma determinada interpretação e o contexto do que foi dito será esclarecido no processo, principalmente porque o caso tramita sob segredo de Justiça”, declarou.

Segundo ele, a inocência do cliente será demonstrada ao longo da investigação e do eventual processo judicial.

Entenda o caso

A jovem procurou a Delegacia de Defesa da Mulher e registrou boletim de ocorrência no fim da manhã de segunda-feira (1º).

Em depoimento, ela relatou que havia solicitado uma corrida por aplicativo para buscar o filho na escola e que, durante o trajeto, o motorista passou a apresentar comportamento considerado inadequado, inicialmente com olhares insistentes.

Segundo a vítima, em determinado momento o condutor perguntou se ela fazia programa sexual, ofereceu dinheiro e insistiu para que aceitasse. Mesmo após as negativas, ele teria continuado com comentários de cunho sexual. Diante da situação, a passageira decidiu gravar parte da conversa.

A mulher informou ainda que procurou interagir o mínimo possível durante o restante da viagem, por receio do que pudesse acontecer, até chegar ao destino. A Polícia Civil prossegue com as investigações.

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