INVESTIGAÇÃO

Áudio revela fala polêmica de diretora sobre alunos autistas

Por Vitor Moretti |
| Tempo de leitura: 2 min
Vitor Moretti/FR
A mãe da criança, Laila Lima Bailão, afirma que passou a desconfiar de que algo estava acontecendo após perceber mudanças no comportamento da filha dentro de casa
A mãe da criança, Laila Lima Bailão, afirma que passou a desconfiar de que algo estava acontecendo após perceber mudanças no comportamento da filha dentro de casa

A reportagem da Folha da Região teve acesso a um áudio que pode reforçar a denúncia de supostos maus-tratos contra uma criança de quatro anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma escola municipal de Turiúba. O caso já é investigado pela Polícia Civil e foi registrado como tortura.

A mãe da criança, Laila Lima Bailão, afirma que passou a desconfiar de que algo estava acontecendo após perceber mudanças no comportamento da filha dentro de casa. Segundo ela, a menina passou a apresentar atitudes diferentes das habituais, o que despertou preocupação na família.

“Há aproximadamente dois meses percebi que ela mudou muito o comportamento, estava muito reativa, a própria escola me chamou em duas reuniões em menos de uma semana para falar que estava muito agressiva. Achei estranho, porque em outros ambientes ela não apresentava esse tipo de comportamento”, contou à reportagem.

Diante da desconfiança de que algo poderia estar ocorrendo na escola e após a filha revelar que teria sido agredida na unidade escolar, a mãe decidiu comprar um gravador e colocar dentro da mochila da estudante.

Em um dos áudios obtidos pela reportagem, uma mulher identificada como diretora da Escola Municipal Comecinho de Vida Benevenuta Gonçalves dos Santos orienta uma funcionária sobre como agir com alunos especiais.

No trecho, é possível ouvir a seguinte declaração: "Vou te ensinar um negócio bem prático, e é bem pedagógico isso. Você 'cata' ele, você 'cata' e olha com ódio pra ele e fala assim: 'comigo não'. Se você fizer, você vai levar. Força tanto no pulso como na voz, porque não vai ter outro jeito da gente lidar não, porque eles são doentes, especiais."

O conteúdo da gravação passou a integrar os elementos analisados pelas autoridades responsáveis pela investigação.

“Eu chorei muito, foram muitas noites ouvindo esses áudios, não dormia, passei muito mal durante todo esse período. Quando foi na semana passada não suportei mais”, revelou.

A mãe procurou a Polícia Civil para registrar a ocorrência. O caso segue sob investigação. O Ministério Público notificou a Prefeitura de Turiúba e concedeu prazo de dez dias para que a administração municipal se manifeste sobre o ocorrido.

Em nota, a prefeitura informou que as funcionárias citadas na denúncia foram afastadas de suas funções e que foi instaurada uma sindicância administrativa para apurar os fatos.

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